
O mundo do Sr. Con -Tuesday, 15/09/2026
Data 15/09/2026 20:10:12 | Tópico: Textos
| Tuesday, 15/09/2026 O corpo ainda débil, mesmo sem sono, permaneço deitado, descansando para repor as energias – são três e meia da manhã. Uma solitária fogo-pagou. Seu Raimundo Zarolho foi longe, parou, apeou da bicicleta, só para lavar as mãos na torneira sem agua da praça. Os pombos ciscam na grama esturricada dos canteiros. Ouvindo as histórias de cornagem da vila contada alegremente por Siricora, o malandro das antigas vindo da padaria. Começando por Seu Martin, um negão trabalhador que arranjou anos atrás uma menina nova para morar e um dia chegou para almoçar mais cedo ela tava gemendo no quarto. “Tem alguma coisa errada” – pensou inocentemente. Mas a melhor mesmo foi a do peixeiro e o motorista que trazia os peixes e os gelos do Portinho e não cobrava nada. O peixeiro começou a desconfiar dessa benevolência e foi em casa fora de hora. Abriu silenciosamente a porta e como seu Martinho ouviu os gemidos e não teve duvida, armou-se com uma pernamanca. Deu o flagrante a mulher correu e pegou logos as suas pauladas, o motorista deu um drible e foi para o quintal sem saída e o muro alto – Lá que o cacete andou certo, que o motorista gritava como uma criança, até que se desvencilhou do seu agressor e conseguiu sai na rua só de cueca e o agressor a atrás, baixando o couro e uns papudinhos que bebiam no canto gritavam: Bate nesse pé de pano safado. Quebra o pau nele. Dona Neneca, cansada de guerra e secretaria não oficial de Seu Lasierra sentou-se ao seu lado e reclamou de uma intermitente dor nas costas, que até pediu a Deus para leva-la e acabar com seu sofrimento. Capitão Marcial com uma sacola de peixe e com uma camisa do mesmo candidato que comprou a gorotinha no sábado para o nosso velho poeta. - Ontem discuti com a mulher dos cachorros lá da Praça do Bacurizeiro – desfiou seu rosário que o poeta ouviu pacientemente. Os periquitos começaram as sete, saia da padaria Renascer e ouvi seus palrarem , como fiquei contente e fiquei uns minutos em pé na calçada tentando vê-los – e vi dois em voos curtos – Serão os filhotes treinando? Dezão tal como o velho Berg Stahl faz só uma rota – casa-Gordilho-casa – ainda pouco zangou-se com o pai e voltou novamente. Com o esforço, da caminhada, de suspender a porta e ir no Gordilho apanhar o café – cansei exaustivamente e suei como uma chaleira. - E ai, já chegou a sua carta da aposentadoria? – perguntou sem a menor cerimonia o seu vizinho. - Ainda não – responde de cara fechada para não dar entrada e ele capou o gato. Ora que Diabos – pensou o poeta. Tarde Mano, vou sair somente na semana que vem, estou completamente quebrado – cheguei aqui na pensão pelas tabelas, arfando – joguei-me na rede. Almocei o mesmo menu de ontem e deitei-me para reler “O Tiroteio no Cyrano’s” do mestre Chandler – mas sem o mestre Marlowe – levantou para ouvir a noticia sobre a audiência do STF – Mas preferiu voltar a ler e sentenciou que aquilo não vai dar em nada – uma confraria de luminares do direito. Ouvindo Charlie Parker e suando a cântaros com esse esforço de digitar esse texto.
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