
O mundo do sr. Con - quarta-feira, 16/09/2026
Data 16/09/2026 19:54:48 | Tópico: Textos
| Quarta-feira, 17/09/2026 O pseudo garanhão Zeca do sacolão, auxiliou Val a abrir a sua venda ao lado do portão único do mercado na avenida Sarney Filho, Vila Embratel. Suspendeu a porta, tirou a barraca articulada da Embralote e a bicicleta cargueira e os colocou na calçada em frente. Capitão Marçal entra sutilmente no mercado, antes deu um “Bom dia” para Val e desapareceu por trás do portão. Um bando de periquitos sobrevoou a Praça das Sete Palmeiras – o poeta pensou qu’eles pousariam nas palmeiras – mas passaram batidos rumo ao leste para as matas do Bacanga – o da palmeira, apareceu na ponta de uma folha e chalreou discretamente. O homem do guaraná e um papo materialista que feriu os ouvidos sensíveis do poeta: - O conforto custa caro. Reformei a cozinha, coloquei mármore e porcelanato. Gasto duzentos por semana com a gasolina do meu carro. E para completar, a surpresa do poeta ao suspender a porta da oficina, foi surpreendido pelo vizinho do lado trazendo-lhe um copo de café: - Esse aqui é melhor que o de Gordinho – disse-lhe ao entregar-lhe, depois da porta suspensa. - Obrigado, vizinho – agradeceu o poeta um pouco confuso com esse ato, durante todo esse tempo nunca lhe ofereceu nada – “Esse santo quer reza” – pensou. Frank Puro na cadeira, falante de mais até ironizou o meu cumpadre – “Eh! Rapá, tu abandonou mesmo o cara!” – o cumpadre apressado, deu um alô e não parou como de costume: - Tu viu como o cara passou calado ai, foi se embora, vestir a roupa dele. Depois de vivenciar “Náusea”, o poeta virou fã incondicional de Sartre e por isso ler a apresentação que fez para o livro de Jean Genet “Nossa Senhora das Flores”. Ouvindo o blá-blá de seu Jorge – que pagou um grode para o chefão dos chefões e viraram amigos. E tomou duas tandrene, para sua dor lombar e a pressão baixou. E bota conversa, obrigando o poeta pedir licença e sair a la francesa para o Gordilho beber uns copos de agua. O repreendeu por que não pegou o café como de costume, então o poeta contou-lhe o ocorrido. Um pequeno acidente, uma moto bate na lateral traseira de um lotação – e o motoqueiro levou o prejuízo maior. - Ele para bem no meio da rua e eu que estou errado. Ainda quebrei o meu celular – reclamou o motoqueiro sorrindo amarelamente. Amarrou a carenagem dianteira, ligou a moto e foi embora. O enjoo e baixa pressão causada pelo dorflex que tomou com café e o mau estar deixa o poeta fragilizado. Taioba, o cabra que furou a costa do finado Black, amanhecido vai para casa, tomar um banho, almoçar e dormir – acordar antes que a mãe chegue do serviço e recomeçar o circulo – virar a noite. O barulho da enxada, o pai de Dezão, um senhor idoso abastado forreta capinando o mato que vicejou no rego da calçada em frente a sua propriedade. E Dezão ainda não apareceu, deve estar enfrentando o inferno do delirus tremulis. Tarde na pensão Vince. Finalmente terminou o maravilhoso Chandler – gosta mais que os contos de Dashiel Hammett – ele tem dois dele: “A Chave de Vidro” e “A Ceia dos Acusados”. Agora sim, posso penetrar sem receio no mundo genetiano de “Nossa Senhores das Flores” – Sartre ou Roquentin lhe explicaram tudo – mais complexo e intrigado que joyceano “Ulisses”. - Por acaso tu tá doida? – admoesta a sra. Vince a sua cadela Little Black que late atoa.
|
|