O mundo do sr. Con - Quinta-feira, 17/09/2026

Data 17/09/2026 20:29:37 | Tópico: Textos

Quinta-feira, 17/09/2026
Voltou a escrever no chamex furtado furtivamente no começo da madrugada. O papel almaço acabou. Os perequitinhos das palmeiras da praça começaram a algaravia cedo, do quarto da pensão onde lia, os ouvia – ou melhor relia com atenção redobrada o enterro da Divina no pequeno cemitério de Montmartre, Paris na poesia do genial Genet. Foi Sartre que lhe ensinou a manha de como ler Genet e decifrando suas metáforas e enigmas verbais.
As brancas vizinhas de mais abaixo, já tiraram o carro da garagem e o estacionaram em frente a residência delas. Val já abrira a sua venda e o pseudo garanhão Zeca arrumava as suas verduras, legumes e frutas na bancas na calçada em frente ao sacolão.
Felpudinha esperava-me do lado da faixa de pedestre na ponta da praça das Sete Palmeiras, Vila Embratel, ao vê-lo alegrou-se por completo balançando nervosamente o rabo e o seguiu até o seu banco favorito – passando pelas duas irmãs – a mais nova fardada, gordinha e de óculos. Vendo que o poeta não sairia tão cedo debandou de volta passando por baixo da frondosa mangueira. Um casal de perequitinhos pousou sobre a luminária de um poste próximo.
Entrou na padaria Renascer e não viu Zulu, o gordo gato com os olhos de Garfield, apanhou seus dois pães e apreciou uns quadros do pintor Ribazé e sua exposição “Rupestres” no “Bom Dia, Maranhão” da Mirante. “Um dia também estarei ai convidando as pessoas para o lançamento de “Vila Embratel/Praça Sete Palmeiras” e saiu todo feliz com sua camisa de Batman fedorenta.
Volkei deixou uma sacola com uma chinela e com um facão embainhado num jornal foi tirar uma vara no Sitio das Carneiras. Já fez a fisioterapia de Pai Cardoso junto com Gordilho. No domingo botou seu espinhel na Praia do Boqueirão e na segunda, um pouco ébrio foi despesca-lo: Bagres, uritinga e uma arraia que vendeu por quinze reais para Facada. Colocará na ponta da vara, um litro pet cortado no fundo para tirar uns mamões maduros que os passarinhos se deliciam. Deixou a Universal.
Aos poucos o poeta vai recuperando-se para encarar o mundo na semana que vem, antes tem que lavar seus andrajos que já usa há duas semanas e fedem.
Volkei, o fisioterapeuta de Pai Cardin não encontro a vara ideal. Vai almoçar no Popular do Anjo da Guarda.
- Ai, é muito bagunçado e muita molecagem.
Pegou a sacola no canto e botou o facão nela e foi embora. Vai dar uns bicos ou seja entrar por trás.
Seu Roriz bateu o ponto antes de seguir para o Popular:
- Dez e nove, tá hora – diz do meio da calçada.
Dona Duda, a musa etílica, de óculos escuros marca no Gordilho. As formigas laboriosas expandem o formigueiro na calçada em frente a oficina.
A hora da onça beber agua – e o poeta seguiu para o Gordilho e bebeu dois copos de agua – e o entregador deixava dois fardos de gorotinhas da ‘mardita” – O pixixitinho do lava-jato a descabaçou uma – um quarto de um gole só ainda lambeu os beiços. – Vou lá, tem um serviço me esperando.
Os galos da Pet e do quintal vizinho anunciam o meio-dia daqui a uma hora.
Seu Buldo parou no meio da calçada e apontou o dedo para o poeta.
- Seu B-U-L-D-O! disse o poeta escandindo as letras.
- Oh! Camarão! Oh! Camarão patrão? – apregoa um desconhecido, puxando um carrinho – Oh! Camarão!
Tarde na pensão Vince
As pilhas escasseavam. Almoçou um bom fígado de boi com arroz e feijão, e laranja.
Depois da siesta, resolveu mudar de ares e penetrar no mundo gorkianiano, relendo “Os Artamonov” – foi lê-lo no quintal, a sombra do muro do fundo.
Um vento amaciava a quentura da tarde. Os perequitinhos chalreavam ao longe. Um bom odor vinha da cozinha. Tomou café. Pra ouvir enquanto digita o seu quadro cotidiano o velho Bob Dilan.




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