Histórias do Nada II

Data 18/09/2026 07:46:15 | Tópico: Poemas

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Esperei.

Esperei
da minha vida coisas do extraordinário.
Do raro e da sorte.
Dos especiais.
Mas não. Sou apenas uma
história antiga baseada em factos banais.

Difícil é encontrar palavras
para a banalidade.
Abundam vogais e consoantes há a mais.

A originalidade é coisa
de rico nas letras
escritor de mérito, do cânone
intelectual da mais fina prata
Bone China, tradutor do
grego ou latim, leitor
do francês, dicionário
em português.

Mas, ainda assim, falo-vos
dos meus factos banais. Pobres.
São da minha história.
Vulgar e despercebida
Nobre só de alma, nem de espírito
Um pedaço de vida crítico então
Agora só solidão
Fora do ciclo que um dia houve
E que teve lugar
Num corpo
Num rosto
Nuns olhos que viam um mundo verde
Para passar a ouvir apenas o som
Que faz um mundo longínquo
Cinzento


Seguem os meus factos banais:


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