Sou amante do saber

Data 21/09/2026 10:07:11 | Tópico: Poemas -> Introspecção

Carrego nos olhos uma fome antiga,
Dessas que não se aquietam com o tempo,
Que cresce no silêncio das páginas abertas
E se alonga nas margens do pensamento,
Como raiz que insiste em atravessar a pedra.

Leio o mundo como quem tateia o invisível,
Cada palavra é um corpo que me chama,
Cada ideia, uma chama que se multiplica,
Ardendo mansa dentro da consciência,
Iluminando zonas onde eu ainda não era.

Sou amante do saber em todas as suas formas,
Do claro ao turvo, do simples ao indecifrável,
Do que consola e do que desestabiliza,
Pois há beleza também no que desconstrói,
No que me desfaz para me refazer inteiro.

Há noites em que me perco de propósito,
Caminhando entre teorias como labirintos,
Onde não procuro saídas, mas encontros,
Onde cada dúvida é um espelho em expansão
E cada resposta, apenas um novo começo.

Sigo assim, inacabado e ardente,
Colecionando mundos dentro do peito,
Sabendo que jamais serei completo,
Mas que na busca reside minha essência,
Ser, eternamente, aprendiz do infinito.

Poema: Odair José, Poeta Cacerense
www.odairpoetacacerense.blogspot.com

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