
O BEIJO
Data 21/09/2026 18:57:28 | Tópico: Poemas
| Há beijos de alegria. Há beijos de ternura. Há beijos de amor. Há beijos de despedida. Há beijos de traição. Há beijos de fel.
Há beijos que acontecem nos lábios. E há aqueles que acontecem muito antes.
Acontecem no olhar, Que demora mais um segundo do que devia.
Na mão que encontra outra mão por acaso e, Mesmo depois do acaso, Não se afasta.
Tudo acontece... Naquele silêncio estranho... Em que tudo já foi dito... Sem se pronunciar, Uma única palavra.
O beijo começa aí.
No pequeno espaço, Entre o desejo, E a coragem… De avançar.
Talvez seja por isso, Que alguns beijos nunca aconteçam.
Porque há impulsos, Que são maiores do que os corpos.
E medos, Que aprenderam a falar tão alto, Que já não conseguimos ouvir, O que o coração dizia.
Mas quando acontece... Quando finalmente acontece... Alguma coisa muda.
Não sabemos exatamente o quê.
Mas muda...
Os olhos fecham-se, Não para deixar de ver, Mas para sentir melhor. A respiração altera-se.
O coração dispara.
E, durante alguns segundos, O tempo parece esquecer-se de nós.
Já não existe passado.
Nem futuro. Nem distância. Nem explicação. Existe apenas aquele beijo. Aquele instante. Aquele encontro.
E talvez seja isso, Que torna um beijo tão perigoso.
Ele não pede licença. Entra-nos na memória, Sem bater à porta. E fica.
Fica no cheiro. Na pele. No pensamento.
Fica naquela música, Que ouvimos depois, E que nunca mais conseguimos ouvir, Da mesma maneira.
Fica na rua onde aconteceu. Na noite que parecia igual, A todas as outras...
Até deixar de ser. Há beijos que esquecemos. Há beijos que fingimos esquecer.
E há beijos que, Mesmo muitos anos depois, Continuam a morar algures dentro de nós.
Esperando por nada, Ou talvez… Esperando por nós.
Porque um beijo, Nunca é apenas um beijo.
Às vezes é um começo. Às vezes é uma despedida.
Às vezes é um pedido de perdão, Quando já não existem mais palavras.
Os beijos de traição… São beijos que chegam aos lábios, Mas trazem outro nome… Escondido na consciência.
Beijos que sabem a desejo, Enquanto a culpa, Já lhes conhece o gosto. Beijos que acontecem... E que, No instante em que terminam, Já começam a doer.
E, às vezes... É simplesmente, A maneira mais bonita, Que duas pessoas encontram, Para dizer: Fica… Mesmo sabendo, Que talvez seja tarde demais.
Mesmo sabendo, Que algumas pessoas, Entram na nossa vida, Para ficar...
E outras… Para nos ensinar, Como é difícil deixá-las partir.
E talvez... Talvez seja por isso, Que ainda nos lembramos, De certos beijos.
Não pelo beijo. Mas pelo que aconteceu connosco, Depois dele.
Porque há beijos, Que duram apenas alguns segundos.
E há beijos, Que ficam uma vida inteira. Mesmo quando, Já não existe ninguém, Para os repetir.
Mesmo quando… Já não existe tempo… Para… Um último beijo.
Diogo Cosmo ∞ Lisboa 05:30 02-09-2026
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