
Um domingo sob o mundo do sr. Con - 20/09/2026
Data 21/09/2026 20:34:55 | Tópico: Textos
| Quase no final da manhã de domingo – No terminal da Praia Grande Antes de sair da pensão, o sr. Com tirou a rede do sol e armou nos seus aposentos. Banhou-se caprichosamente, esfregando-se com palha e sabão e depois sabonete. Envergou a farda domingueira - bermuda preta e a camisa do Moto Clube e o cartão do idoso no bolso – Agatha Christie e os papeis. Correu para a plataforma B no final e apanhou um Janaina. Vai pela Anel Viario, entra na Areinha e percorre toda orla da lagoa do Bacanga. Saindo na Avenida dos Franceses e sobe, passando pela Rodoviária de boas lembranças até a avenida Guajajara no Tirirical. – Terminal do São Cristovão e enfim a avenida da Cidade Operaria, passando em frente os portões da imponente UEMA – Universidade Estadual do Maranhão. Desceu na segunda parada do conjunto na avenida. E assim chegou a residência de seu velho parceiro de longas datas Tio Willi. Tio Willi descobriu que é cardíaco – tem histórico familiar, os pais e o irmão morreram de infarte. Estavam como dois velhos e são realmente trocando figurinhas de suas doenças. - Depois de todos esses exames, vou leva-los a medica e remarcar a cirurgia (cirurgia de hernia inguinal) E tu poeta? - Vou fazer exames de rotinas para acompanhar a próstata. O ulltimo medico, lá do hospital da mulher – olhou os exames e disse que não tenho nada. Dá pra acreditar.? E assim passaram quase meia-hora – e uma algaravia fora do comum rolava. Uma tendinha armada no terraço – uma mesa ladeada de cadeiras – “vai rolar alguma coisa” – observou o poeta assim que chegou. - Poeta, vai ter um rango ai, não quer fazer uma boquinha? O mocotó já ta pronto. – convidou o amigo meio sem graça – irmãos dos velhos tempos, mais de quarenta anos de companheirismo, viveram juntos suas experiencias químicas sob o efeito das optalidons que ingeriam em doses pantagruélicas nos anos 80. - Não, mestre vou descer para casa – descartou o poeta levantando-se, que não é muito chegado a esses eventos. Pensava na tripinha que o esperava. na pensão. Despediram-se na porta da sala. No terraço as netas banhavam-se na piscina, o sobrinho colocava as carnes e linguiças na grelha da churrasqueira elétrica. As filhas corriam com as panelas e os pratos enfeitando a mesa. Clima familiar intimo. E não seria o poeta a quebrar esse momento. Na avenida, as lojas guardavam os objetos expostos nas calçadas. Dois amigos conversavam sobre a politica metendo o cacete em Papai Lula. Apanhou um Socorrão II – o motorista desconfiado com seu cabelo encrespado como vassoura de bruxa, recolhia as cédulas graúdas e as guardava nos bolsos da calça, sempre olhando desconfiado para os lados – o medo de assaltos – o Sr. Com sentou-se naquela cadeirinha após a porta de entrada e preparou-se para mais uma viagem. Quase o mesmo percurso do Janaina – avenida Guajajara, avenida dos Franceses até na Alemanha, Monte Castelo. Em frente ao grande templo da Universal no canto da fabril/rua grande – uma mãe com um bebe no colo e uns cinco pixixitinhas correram e perguntaram se ônibus entrava no Terminal da Praia Grande – as tranças da vassoura de bruxa do motora balançaram para todos os lados: - Não, passa em frente – respondeu passivamente. A mãezona e as pixixitinhas decepcionadas e voltaram correndo para o abrigo da parada. O sol tava que tava. O centro deserto como todos domingos. Rolou a catraca na parada da praça Maria Aragão, onde realiza a Feira do livro local e topou de frente com uma parruda brancona branca e sentou-se atrás dela e começou a apreciar aquele corpão que gostaria de ter em suas mãos. Desceram em frente ao terminal da Praia Grande – ela continuou na avenida e adentrou e correu literalmente para o banheiro aliviar a bexiga. Foi para a plataforma C – quase uma hora depois entrava num Paraiso-Bacanga, sentou-se na ultima cadeira do lado direito – para o tradicional passeio pelo outro lado da cidade. Atravessou duas vezes o rio anil – primeiro pela ponte Bandeira Tribuzzi na Camboa e na volta pela histórica ponte Gov. Sarney vindo do São Francisco – passou ao lado do DPU e lançou seu apelo para que o ajude a solucionar o seu problema, afinal ele não tá errado, não tem renda, caralho nenhum. A maré cheia e nenhum navio a vista. Apenas um catamarã e umas voadeiras vadiavam na baia reluzente. Pela terceira vez o terminal da Praia Grande, dessa vez despediu-se do centro – o grande palanque para os shows da cidade. O estacionamento lotado do restaurante de bacanas no Desterro. O entreposto de pesca fechado. As barracas do Anel Viario em pleno vapor, as meninas trabalhando para o deleite de seus fãs. Na pensão, o corpo cansado pediu rede e Agatha e suas ultimas paginas, ainda ouviu o resto do programa de Seu Lasierra na Educadora enquanto degustava o almoço: arroz temperado, feijão, linguiça assada, macarrão e as divinas tripinhas e para arrotar um copo de Fanta surrupiado do Sr. Vince e meia hora depois o genérico de Tanduou para a próstata. Assistiu o resto de “Os Acompanhantes”, depois “O Garoto perdido” e uma pedaço de “Um Asilo Muito Louco” – uma comedia francesa com o velho Depardieu e outros. Um banho poético sob o luar de quarto crescente no quintal as escuras e rede.
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