Fruit Market

Data 23/09/2026 12:21:34 | Tópico: Poemas

Quando eu era menina, acabei por me juntar a um homem dezesseis anos mais velho do que eu.

Foi horrível.

Ele tinha tido alguns relacionamentos antes de mim, e uma das ex-namoradas se chamava Renata P.

Ele falava muito mal daquela menina, mas queria sempre que eu cortasse o cabelo como o dela: Chanel.

Passei anos sem identidade, sendo uma coisa que ele queria que eu fosse. Sendo, de certa forma, meio Renata.

Graças a Deus — ou às minhas entidades internas —, consegui terminar aquele lixo de relacionamento.

Eu não era uma pessoa. Eu era uma Renata.

Um tempo depois, conheci meu segundo relacionamento. Eu tinha acabado de fazer 27 anos, e ele tinha acabado de sair de um casamento de onze anos.

E adivinhem o nome da ex-mulher dele?

Renata, também.

Ah, o nome da irmã dele também era Renata.

Bem, ali percebi que não seria tão fácil me livrar daquele fantasma.

Mas, dessa vez, eu já sabia que não precisava ser ninguém além de mim mesma.

Porque eu jamais seria uma Renata, apesar de o mundo estar rodeado delas.

Meu nome era Rebeca.

E ponto.

E, graças ao trauma da objetificação, eu jamais cortaria meu cabelo daquela forma novamente.

Podia até ser Valentina.

Desde que tivesse os meus longos cabelos ruivos.

E ponto.



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