O mundo do sr. Con -quarta-feira - 23/09/2026

Data 23/09/2026 18:08:57 | Tópico: Textos

Quarta-feira, 23/09/2026
Zulu estava lá, dessa vez do outro lado, próximo ao refrigerador – e o poeta na saída, depois de pegar os pães agachou-se para acariciar sua cabeçorra felpuda e preta – Zulu fulero! – disse baixinho para não melindrar seu Robert Cohen e a acarinhou e saiu.
Os paraibanos dos salgados, assim como a Vilagaleto e as outras lojas da avenida Sarney Filho, Vila Embratel todas fechadas, exceto a padaria do pai de Ed na esquina da 20, mas sem clientes. Os estudantes em bandos, os pixixitinhos puxados pelas mãezonas – corso humano de todas as manhãs.
Dona Duda vindo do Gordilho do outro lado, mandou-lhe um beijo e um sonoro bom dia. Dona Duda, ex-diarista na casa dos brancos da área nobre, negra, esquia como uma menina, uma filha braba, merece tomar o grode dela.
Engraçado e interessante a vida do sr. Com – ontem encontrava-se na agua furtada, nos cabarés das bichas em companhia da Divina, Nossa Senhora das Flores e o negão delas desfilando no alvorecer pelas ruas de Paris. Hoje resignado caminha ao lado de José, Maria no burrico a caminho de Belém, passam por Jerusalém e seu imenso templo. É ai reside a beleza da boa literatura – uma maquina do tempo para quem sabe usufruir de sua dinâmica. E o poeta sabe muito bem, não é atoa que escreve “o livro da apresentação” para ler para Deus – assim com os faraós egípcios que levavam os livros dos mortos para lerem diante de Osiris – Quem realmente o inspirou foi o grande mestre Artur Bispo do Rosario que confeccionou o “O Manto da apresentação” para encontrar com Deus – Cara, essa foi genial.
Seu Rorré conversava com um dos seus patrões e uma mulher olhava-o atravessado, desconfiada devido a similitude com ladrão velho.
- Quem é esse ai? – perguntou a mulher desconfiada.
- É meu secretario – respondeu.

- Um espinho e o nome da mulher de um patriarca? Um e dois – perguntou Seu Jojó apressado no meio da calçada, uma charada que deixou o poeta com cara de nhó Zé. – Vou lhe responder – o espinho é ju e a mulher é Sara – Juçara – e saiu rindo.
O tempo mudou. O ceu encoberto. No sul começou a primavera e no norte o outono – as folhas das arvores do central park, Nova York começarão a cair e a temperatura também e anoitecer mais cedo – e aqui quase na linha do Equador, entre os dois tópicos de câncer e capricórnio – a estação é a mesma – ou chove ou faz sol.
A mãe loba e seus filhotes entram na toca, depois que abriu as portas – estão exaustos – dois lobinhos e o mais novo é especial e quando sai com a mãe vem cumprimentar o poeta.
- Vamos almoçar – convidou seu Rorré deixando uma bagulhada que trouxe da faxina no Lourito – uma sacola e uma tv de tela plana. – Vou no Popula.
- feijoada e frango. Pode trazer não tem agua – disse seu Roriz voltando de lá com sua sacola.
- Tu é contador, não é? – perguntou uma jovem senhora do meio da calçada e me encarou.
- Não. Sou contador, mas de estórias – responde
- Ah! É! – e saiu correndo.
A mãe loba sai da toca e deixa os filhotes trancados – sem os cadeados. Minuto depois retorna com uma cartela de ovos.
A mãezinha sempre apressada voltando com o filhote. O irmão barbeiro. Nada da verdureira – hora de zarpar.
Na pensão, almoçou um cozido de carne e sofreu por não ter pego nenhuma laranja para a sobremesa. Chuviscou enquanto cochilava, sentiu o cheiro de terra molhada.






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