O mundo do sr. Con - Quinta-feira, 24/09/2026

Data 24/09/2026 20:03:48 | Tópico: Textos

Quinta-feira, 24/09/2026
Manhã cinzenta diante do Entreposto Pesqueiro do Mar nhão – na praça do pescador, Portinho – depois de uma volta forçada ao mercado novo, para urinar. Bem estruturado – Pena que o sanitário que escolhi entupido por uma merda das grandes. Aliviei a bexiga entre um engulho e outro. A praça de alimentação, junto com as barbearias, algumas abertas – o ultimo galpão é do molhado, ou seja, dos açougues e peixarias. São pela lateral e entrei pelo fundo do entreposto. O estacionamento e a presença maciça de urubus desfilando impunemente de um lado para outro, os pombos raros, assim como uma solitária gata bem nutrida andando entre eles sem o menor temor. O entreposto encerrado, os boxes sendo lavados, os peixeiros nos celulares, outros calculando. Voltei a parada onde desci e esperando um Paraiso. Embarco num super lotado, fiquei nos degraus, espremido na porta dianteira por onde desci no Terminal da Praia Grande.
Praça dos Açorianos, Praia Grande
Adoro ver os painéis com as cenas retratando a saga desses pioneiros – desde o embarque até a colonização. Uma obra de arte. A maré cheia, o mar calmo e liso sem ondas agressivas. Dois operários dando nó e apertando um baseado.
Terminal Maritimo da Praia Grande
A lancha de casco de ferro Bahia Star em reforma – um operário esmerilha umas barras e as desce para a casa das maquinas na popa. No hall de espera, um indiazinha assustada com bebé mamando e vigiando os dois maiores, com os olhos arregalados. O casarão colonial da antiga exatoria, pintado de cor de rosa. Um grupo hoteleiro português o arrendou do governo do estado.
O apito e o badalar fúnebre de um sino anunciam o hasteamento da bandeira nacional no pátio da Capitania dos Portos. Um passeio pela avenida Dom Pedro II, a praça dos dois poderes (executivo e judiciário). As reformas intermináveis do antigo Hotel Central e da catedral da Sé.
O olhar enviesado e desconfiado da funcionaria ao cruzar com o poeta na calçada lateral. No canto com a rua do Egito – a referencia ao velho Cine Roxy – as eternas tardes de domingo, onde descobri a genialidade de Jerry Lewis na “Familia Fuleira” ou do “Maior Espetáculo da Terra” na vesperal com papai e mamãe, um ventilador de teto entrou em curto e as faíscam caíram sob a plateia que entrou em pânico e a sessão foi suspensa para a noite, a qual foi somente eu e papi, dai em diante mami nunca mais pisou num cinema.
O grande edifício do extinto BEM – Banco do estado do Maranhão, no canto com a rua dos afogados, outrora funcionou a radio timbira nos anos 70 – Collorzinho trabalho lá como radialista e entrevistou o mestre João do Vale.
Hall dos caixas eletrônicos da Caixa Economica da João Lisboa.
Todos fora do ar, apenas o aviso de aguarde. Saio.
Igreja do Carmo as escuras.
– a prefeitura higienizou o largo e o adro com desinfetante. Três vovozinhas no pórtico, olharam sem esperança para o poeta, como dissessem: “Desse mato não sai coelho” e nem se deram o trabalho de estenderem as suas canecas. O poeta entrou, fez suas orações.
Volto a Caixa, o sistema fora do ar – enfatizou o guarda baixinho. Então subo a rua do sol, contemplando as fachadas dos casarios seculares. Vou ao mictório publico e na volta quase um vacilo na porta da Caixa da Deodoro. – todas fechadas e em vez de empurra-la para frente, a puxo para lateral e logico que nem se mexeu. Fiquei naquela de cara de Madalena arrependida, até a chegada de uma pixixitona desenvolta, ainda na asneira de dizer que estavam em greve – “Eu vou nos caixas eletrônicos” e empurrou a porta abrindo-a como num passe magico. Entrei estupefato – santa ignorância. E graças a Deus e a Papai Lula ouvi as cédulas caindo sem pudor. Aleluia.
Na Pague-menos do começo da rua grande, próximo ao icônico cine Eden encontrei o genérico de 73 reais (mês passado comprei um similar na mesma farmácia por 83 reais – agora 89.) Mas ganhei o dia mesmo foi achar na banca de dona Loura, no monte de três reais e dois por cinco “O Deserto dos Tártaros” do mestre Dino Buzzati – que vinha caçando desde quando o vi na lista dos cem melhores romances de todos os tempos.
Na Vila Embratel – apanhei os pães, dei a parte do leão para a senhoria da pensão, me quitei com Ed Paul e Gordilho. Lasierra fechado e meu compadre almoçando e dona Eilary, como um papagaio anunciando “Poeta chegando, poeta chegando” “Ele tá bem aqui atrás dos manequins”.
De volta a pensão. Almoçou um baião de dois com a sobra do feijão de dois de domingo, galinha cozida e uma linguiça frita ou assada também resto da ceia dominical.
Começo a gostar do jovem tenente Drogo no Forte Bastianni na fronteira com o “Deserto dos Tártaros”.



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