
Súplica à Morte
Data 24/09/2026 22:50:48 | Tópico: Poemas
| Quando a noite vier sobre o meu rosto e o mundo adormecer na solidão, leva-me, ó Morte, sem compaixão, que já não temo esse desgosto.
Seja o silêncio o meu último abrigo, sem luz, sem voz, sem sonho, nem piedade; apague em mim a antiga mocidade, e esconda o meu cadáver de mendigo.
E, se depois, chorarem meus amores, que flores nasçam entre solidões, anexadas às badanas dos tristes corações daqueles que me verem abatido e sem cores.
Não quero monumentos nem louvores deixai-me apenas junto aos velhos ciprestes carregados de epitáfios agrestes onde a noite me embale em seus lividos odores.
E quando a Lua, pálida e esquecida, passar sobre a cruz do meu sepulcro, talvez desperte o mais profundo luto daquela que foi a minha pobre vida.
Então direi, perdido, ao som d'um grito: morrer foi só dormir sem voltar a despertar! E a própria morte, ao ver-me a soluçar terá por mim piedade — lá no infinito...
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