
O mundo do sr Con - samedi, 26/09/2026
Data 26/09/2026 22:00:24 | Tópico: Textos
| Samedi, 26/09/2026 O velho pedreiro Samelson amanhecido comemorava o seu aniversario, andava a esmo na calçada de Val e quando me viu seus olhos faiscaram, atravessou a pista da avenida Sarney Filho e pousou bem no começo da rua 16, Vila Embratel e abriu seus brações – entre o Frigo Lucio e a Fribal do outro. - Porra, poeta, tô comemorando o meu aniversario, cinquenta anos e um dia, não é massa – para eleger um presidente e cinquenta por cento e mais um. – E abraçou efusivamente o poeta com um urso – gosto de ti, o homem que escreve nossas historias, não é atoa que te homenageie na turma do colégio (ano passado concluiu o ensino médio). É fulero mas te considero de mais, poeta – agora Juvan Sênior é fulero – e homem ficou raivoso e começou a despejar as suas decepções com esse povo. A casa da filha pegou fogo e ele pediu ajuda para os bacanas e ninguém retornou, nem mesmo Juvan Sênior. – Não quero papo com esse pessoal. E ponto final. Despediram na praça das Sete Palmeiras – ele para o Charmille beber umas brejas e o poeta para a padaria. Enquanto o ferro esfriava da solda, o poeta meditava – fará uma grelha nova do fogareiro para a sua senhoria da pensão. O torno, seu Drácula levou emprestado e esqueceu de devolve-lo, Dr. Alck se apoderou da bigorna, a pintou de verde para confirmar que ‘comprou’ de mim. Ah! Ladrão. “Vou dar uma de Mcgyver, e que os Deuses me ajudem. O barbeiro fofoca com outro leva e traz lá do mercado. O poeta olha para o ferro soldado, tem que calandra-lo numa circunferência perfeita e o resto é mamão com açúcar. Minuto depois, após uma pequena luta o poeta concluiu a tarefa, ainda sabe das coisas e Dr. Colhão chega um pouco fusco perguntando pela mochila que deixou guardada no atelier. Trouxe uma gorotinha cabaço do Gordilho e começou a mordisca-lo com gosto como quem bebe agua. Dezão apareceu, mais calmo, mas tarde vai fazer um banderaço e botou na cabeça que vai alugar um quarto para sair das fraldas dos pais – recebia o aluguel social. Tá zangado com Dona Neide. Seu Rorré deu-me um real e levou a bagulhada. Amanhã santificará seus ganhos no primeiro culto dominical na Igreja de Valdomiro na antiga Lusitana, descida da rua das Cajazeiras ao lado do templo do cunhado de mestre Edir Macedo – disputa acirrada, mas Valdomiro vence, o caboco é bom e faz milagre a torto e a direito. O tempo ensaiava uma chuva, mas o sol prevaleceu nesse final de manhã. Dr. Colhão com meia gorotinha nos cornos sartou fora – apanhou um Paraiso, desce no terminal e embarca num Calhou e aporta no seu serviço. Enrolou os cabos do transformador de solda, colocou a grelha na sacola e a pendurou junto as cadeados para não esquecer. Regulava-se pelo barbeiro, se tivesse fechado, era hora de subir o morro sem gravata. Meio-dia na pensão Vince e o odor de terra molhado anestesia seus sonhos. A sra. Vince no quintal lavando as roupas do casal. A filha mais velha e o marido encafuados no quarto da pequenina – Ela assiste dorama no celular e ele ouve um programa policial no radinho de pilha. Sr. Vince caiu nas aguas revoltas do álcool, deixando a sra. Vince de cabelo molhado. Almoçou bem – uma boa galinha cozida, arroz e feijão mulatinho. O vicio é uma desgraça, nomeio da tarde comprou uma cartela de dipirona para suas dores ciáticas. Os olhos ardem por causa da solda. Falou com o filhote nos confins do Pará cuidando dos peões da fazenda Rio Vermelho. Aleatoriamente descobriu um filme escrito e dirigido por Wood Allen de 2010 – rodado em Londres, destaque para Anthony Hopkins – foi que me levou e ao ver os créditos percebi que tinha coisa do mestre, as suas aberturas são únicas – os atores em ordem alfabética, a mesma equipe – faltou Santo Loquasto – “Você vai encontrar o homem dos seus sonhos” – pausei para digitar esse texto ouvindo Beethoven. Seu Castro passou o teclado quase as seis horas, tive que pedir uma extensão com lâmpada para a sra. Vince.
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