
O Último Grito
Data 03/10/2026 05:21:25 | Tópico: Poemas -> Crítica
| Rasgados e cheirando mal, somos nós, somos o público de um show de bizarrices cotidianas, cambaleamos, expostos a luz desfigurada da noite febril.
e regurgitamos os sonhos que engolimos na juventude, e pisamos no mesmo chão e, nesse mesmo chão,
está o nosso passado em cada parte do lixo sufocante,
nas veias dessa cidade! Nunca sorrimos ao olhar nos olhos de um estranho, vagamos expostos, exaustos do cheiro de sangue fresco, pelas calçadas cobertas de esgoto, tropeçamos, bêbados e alucinados, nos mendigos e seus cobertores, seus cães, suas almas e suas pupilas.
Prostitutas e músicos da noite, poetas desfigurados do mundo atual, dançando pela dislexia da sociedade,
impacientes e sujos, cuspindo em seus instrumentos as dores de um "blues biográfico".
Suspiros cegos dos mortos recém eleitos,
dormindo em telhados como gatos de bruxaria,
somos nós em uma parte inédita e desconhecida, no reflexo oculto do velho Inconsciente.
E quando a cidade finalmente adormecer, não haverá inocentes para contar o que aconteceu, porque todos nós estivemos lá, com os olhos abertos, e mesmo assim escolhemos não enxergar.
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