O Brasil continua lindo (apesar de tudo)

Data 09/10/2026 23:06:25 | Tópico: Crónicas

O Brasil continua lindo (apesar de tudo).

E o Brasil continua lindo.
Lindo como quem resiste ao próprio cansaço.
Lindo como quem apanha, cai, levanta e segue.

Muitas vezes há barulho.
Tem correria.
Tem grito e infelizmente,
Tem morte.
Mas também tem vida, muita vida.

Porque no Brasil a vida insiste, mesmo quando parece não ser prioridade.

Entre o belo e o feio, o belo ainda predomina.
Não porque o feio seja pequeno, mas porque o belo é teimoso.

Teimoso como o sol que nasce sem pedir licença, como o povo que acorda cedo mesmo sem garantia nenhuma de amanhã.

Ledo engano de quem acha que tragédias vão tirar a beleza do Brasil.
As tragédias machucam, ferem, cansam, mas não tiram a beleza do Brasil.

Porque não é bom para ninguém que o Brasil fique feio.
Há mais coisas entre a beleza e a feiura do Brasil — parafraseando Shakespeare — do que supõe nossa pressa em apontar culpados.

O Brasil vive esse paradoxo permanente: belo e injusto, generoso e cruel, esperançoso e violento.*

Um país que parece condenado a viver um eterno empate entre o que pode ser e o que insiste em não ser.

A beleza do Brasil atrai riqueza.
A feiura também atrai.
E isso explica muita coisa.
Há quem ganhe com o Brasil que encanta…
E há quem ganhe muito mais com o Brasil que sangra.

Talvez por isso o país siga preso nesse romance astral — parafraseando Raul Seixas — entre a beleza e a feiura.

Um relacionamento tóxico, onde ninguém termina porque sempre tem alguém lucrando com a dor do outro.

O Brasil não merece ser tratado tão mal.
O feio precisa ser combatido, sim.
Mas combater o feio não pode significar desprezar a vida.
Quando a solução passa a ser a bala, a justiça já perdeu a palavra.

É preciso dizer, mesmo que doa:
Usem menos balas, usem mais palavras, porém, palavras de verdade.
Mais flores.
Mais escuta.
Mais humanidade.

Os que podem, os que têm poder para fazer algo, que façam.
Mas façam entendendo que exterminar não é resolver.*

Que silenciar não é pacificar.
E que o Brasil não é um problema — é um povo.
Porque a maior beleza do Brasil é o seu povo.
E esse povo precisa ser respeitado.

O feio tem o direito de ser julgado, não eliminado.
Porque o extermínio só prova que as armas estão substituindo o diálogo.

E isso nunca foi sinal de civilização.
Que pena…

Desculpa, Brasil.
Não estamos sabendo cuidar de você.
Da sua beleza.
E da vida que insiste em florescer apesar de tudo.









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