
Lugar inconfesso
Data 03/11/2026 10:07:49 | Tópico: Poemas
| Há um lugar indizível feito de sal e silêncio onde a noite se deita no corpo como um animal ferido.
Ali os dias não passam eles rasgam bordam agulhas na pele da água à espera de um vento que saiba rezar.
Escrevo com os ossos com o lume que resta nos dedos com a sombra que a memória projeta sobre o chão da ausência.
Tu és o verbo que não se conjuga a raiz que não dorme o altar onde os sonhos se oferecem sem retorno.
Às vezes respiro como quem arde como quem acende a noite com um sopro de faíscas vindas de um beijo antigo.
E há uma força que me puxa para longe do abismo mas deixa em mim o eco do precipício.
Faço pactos com o escuro juro com sangue a flor breve do amanhecer enquanto o dia me obriga a existir.
Hoje desabituei o teu nome lavei as palavras no esquecimento e convoquei o sono para apagar o lugar onde resistes.
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