
Esse velho ilusionista
Data 13/10/2026 11:54:25 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Se disser que existem olhares Que atravessam os dias como lâminas cegas, Que veem o movimento, mas não o sentido; Que contam as horas, mas não sentem o instante. São olhos educados pelo relógio, Domados pela pressa, Acostumados a confundir passagem com verdade. O tempo, esse velho ilusionista, Oferece seus truques em ciclos e calendários, E muitos aceitam, sem suspeitar, Que viver é apenas seguir adiante. Mas há uma mentira sutil escondida nisso: O tempo não revela, apenas encobre; Não explica, apenas organiza o esquecimento. E aqueles que só confiaram nele Perderam o essencial, O invisível que não se mede, O eterno que não envelhece. Seus olhares tornam-se desertos: Vastos, porém vazios de presença. Olham o mundo como quem observa ruínas Sem jamais ter conhecido a casa. É preciso desaprender o tempo, Rasgar seus mapas, E permitir que os olhos voltem a sentir, Não a duração, Mas a intensidade de existir. Tem verdades que não passam, E só se revelam A quem ousa fechar os olhos para o tempo E abrir-se, enfim, ao instante infinito. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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