
Loucura do Poeta
Data 27/10/2026 23:06:47 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Loucura do Poeta Estou perdidamente louco, dizem estas gentes em sussurros, e eu acredito, aliás quero crer - contagio-me em sábios conceitos - que a loucura me avassala feroz. A maldade dos olhares separa Loucura “lente” da sanidade, que me aprisionam qual fantoche.
Mas nem esta loucura tampouco me faz despir, gritar, dar murros... Loucura esta que me faz viver, solitário, aos olhares suspeitos, alheio de tudo, sem qualquer voz, e dizem-na qualquer doença rara, vinda de uma deidade preocupada só em deboche.
Ah, esta loucura! Calma, sem fúrias, sem desejos bestiais nem emoções, loucura que se queda tão estática excepto perante alguma imagem, que na mente prespassa injúrias antes sofridas, meras ilusões, que alteram a face sempre apática como que tocada por leve aragem.
Ah, esta loucura! D' ais e lamúrias, de fazer quebrar moles corações, não será uma luta linfática, ou, desse louco, mera sacanagem? Loucura de asno e suas luxúrias, viciado d' amor e de paixões, hoje perdido em vida errática, sem arte, na derradeira viagem!
Ah, Loucura, minha companheira, minha musa, serena teu ardor! Não m’ ofertes folhas imaculadas, virgens que me forças a desflorar! Cada folha dada uma rameira, Estéril, ao escrevinhar em tremor, Não serão lidas, nem declamadas... Loucura, deixa o poeta descansar!
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