
Manhã Agreste
Data 29/10/2026 09:54:56 | Tópico: Poemas -> Tristeza
| Manhã Agreste Manhã agreste, que treme de frio, Abraça-me sem um sol que m’ aqueça, Forçando-me num vagaroso passo Sobre estas folhas mortas por tapete, No jardim, nudo de flores, que o rio Afaga em preguiça bem confessa, As bordas por levas d’ água, em enleio, De quem tudo dá, de tudo promete...
Em tão fria manhã está minh' amada, Húmida, alva, ornada d’ Inverno, Que me beija voraz e possessiva E me nega pensamentos perdidos! Meu corpo que estremece na geada, Sentado passivamente, em eterno Abandono nesta manhã tão altiva D' emoções e por desejos cedidos.
Manhã agreste, minha deusa-amante, Deste pobre ser desvalido d' amor Castrado, incapaz, por um ser amante, De sentir paixões, sorrisos e dor. A manhã de brancura revestida, Noiva-gelo d’ um poeta caído, Assim eu te louvo minha querida, E oferto por beijo este gemido.
Decassilábico.
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