
O mundo do sr. Con - quinta-feira, 29/10/2026
Data 29/10/2026 19:39:43 | Tópico: Textos
| Quinta-feira, 29/10/2026 Os ônibus passaram e não há mais nenhum passageiro na parada em frente ao mercado, na Avenida Sarney Filho, Vila Embratel – debaixo da frondosa mangueira que os tem-tem estão sufocando. O depoimento de Anais Nïn, umas das namoradas do mestre Henry Miller em Paris e o ajudou a custear a impressão do icônico “Tropico de Câncer” pela Obelisk Press do editor Kahane em 1934. A ex-senhora My friend repaginada, da agua para o vinho – um ano sem álcool – era toda pequenina e chochinha – agora uma mulherão – No inicio o poeta não a reconheceu, depois de alguns minutos conversando, a ficha caiu – Santo Deus é a sra. My Friend – agora Sra. Bacteria. O tempo nublado, densas nuvens plúmbeas ao norte ameaçando chover, um monomotor a caminho do aeroporto do Tirirical. O dor leve de marijuana, dois ‘irmãos’ a degusta sutilmente debaixo do toldo do tiosque de Seu Carrinho Cotia.. Um deles tosse. - Essa escrita vale ouro – sentencia Seu Cominho. Tia Neneca passa e finge que não o ver e o poeta a paga na mesma moeda. Um BYD – a excelência dos carros elétricos para silenciosamente em frente -e a patroa e o filhote especial embarcam nele, que faz a conversão no meio da avenida. Com tristeza concluiu “O Mundo de Henry Miller” organizado por Esdra do Nascimento e publicado em 1969. Mutante ou Come Piula oferece-lhe uma cartela de Diazepan por quinze reais e o poeta propõem-lhe cinco reais -ou pegar ou largar – Pensou, olhou para a cartela e foi embora. Mama Duda, a mesma que prometeu uma traíras para o poeta semana passada – passa do outro lado a caminho do Gordilho. - Eu vim ai e tu não tava ai – desculpou-se. - Meu filho ainda tá trabalhando? – perguntou ironicamente Sananatonio, o negão das polpas de frutas empurrando o carrinho vindo do mercado. O poeta só balançou a cabeça negativamente. - Ah! Tá! Nuvens brancas como flocos de algodão deslizam poeticamente no ceu. Começo da tarde. No refeitório do Popular, depois de devorar os dois pratos (dobradinha e frango) – um lugar bem democrático – Espera o mestre Nozira, o homem do hip-hop. Na pensão com a barriga pesada deitou-se e tomou o genérico do tanduo e depois de uma soneca leve. Voltou a ler “A Festa de Babette” da dinamarquesa Isak Dinesen ( Baronesa Karen Blixen) -indicada varias vezes ao Nobel, mas na ultima hora era rejeitada. Uma imperdoável injustiça. Ela merecia, sim. Uma notável escritora. Mesmo depois de uma barrigada, sinto-me incomodado com a barriga cheia – não farei mais isso, dois pratos. Loucura. Beethoven e Mozart dividem esta abafada tarde de trinta graus.
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