Evangelho Segundo a Vida [12] (198ª Poesia de um Canalha)

Data 30/10/2026 07:48:04 | Tópico: Poemas

A música viciou-se na arte da sedução
Criou um infinito incapaz de se igualar
Que te percorre as veias como veneno
Uma cicuta adocicada feita da emoção
De sentir qualquer nua mente a vadiar
No transe desse esquecimento sereno

Do olhar escorrem-te imensidões ocas
Como páginas de vazios perturbantes
A ditar cada palavra do vil impropério
A tua vida trouxe morte como poucas
Subornada por esses medos distantes
De ser ou não ser o sal d'um mistério

Voas por todas as cores do imaginário
A sentir o calor uterino em cada alvor
E a inutilidade sólita de um cediço ser
És humana mão do teu destino sicário
Impaciente verbo de verso sem sabor
Escrito e amarrotado e lido sem saber


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