O mundo do Sr. Con - Sabado, 31 de outubro de 2026

Data 02/11/2026 18:15:38 | Tópico: Textos

Samedi, 31 de outubro de 2026
Uma cena poética – a cadela mãe seguida pelo curioso filhote sempre ao lado farejando tudo. Contemplo a muda no seu novo visual – mais esbelta, rabo de cavalo e óculos escuros.
Gordilho traz o vinho quente – enxugou uma lata de Glacial ainda pouco, comprou no Val’s. A muda reclama da demora do ônibus. Paulinho do casal amoroso que trocavam beijos a abraços encostados no poste – a companheira, assim como os outros embarcaram num Paraiso Via Jambeiro. A irmã num vistoso vestido azul longo.
Dona Patry varre a calçada em frente o seu portão bem no canto da 24 street e coloca o saco de lixo. Mazabila, ex-doidão da 23 – um hábil artífice na colocação de forro de PVC e outras coisitas – pau para toda obra, deixa nas mãos de Gordilho um recurso para a Dona Nazaré, irmã do barbeiro vizinho, ela se mudou para o Bairro de Fatima do outro lado do Bacanga. O galo do lava-jato cacareja fracamente. O encontro casual na Praça das Sete Palmeiras, Vila Embratel com o doutor Marcus Aurelio, formado em historia e direito – emprestou “Operação Cavalo de Troia – I” de J.J.Benitez que nunca lhe devolvi, também “O Senhor dos Aneis – I,II,III” – esses devolvi. O casalzinho do Pet-shop chegaram e começam o ritual de colocar as mercadorias na calçada, inclusive os galos e as galinhas engaioladas.
Noite na Praça das Sete Palmeiras – um pouco acima do chão, varias doses de vodcas.
Os preparativos – as cadeiras são espalhadas no tablado improvisado do palco debaixo de uma enorme tenda, desde a tarde ontem que trabalham na armação. Um momento solene para a Vila Embratel que não aprecia a cultura musical dos instrumentos montados – os músicos entram aos poucos – é a Orquestra João do Vale compostas por ex-alunos da escola de musica – sangue novo. Sinto-me como estivesse no Central Park, NY – esperando a apresentação da Filarmônica de lá num final de tarde no verão. A sonoridade de um sax, queria que fosse Charles “Bird” Parker – as pessoas arredias, não entendem a beleza do momento. Talvez mais tarde. Um pequenina passa desconfiada olhando para os lados e o pai nem se fala – As pessoas olham, alheias – apenas sorriem sem entender nada. O baterista dá um toque nos pedais do prato e do bumbo. As solenes bordadeiras expondo seus trabalhos. E a lourinha do meu lado concentrado no celular. Pankof, o mestre não me esperou, enquanto fui no Ed pegar um quarto de vodka.
As cadeiras da plateia começam a serem ocupadas – sento-me do lado de um pai coruja, que acompanha a jovem musica, ela tenta ensinar-me a ler partitura – o álcool mistura tudo e o momento é chegado – Vamos nessa – musica de alto qualidade, abrindo com o icônico “Xote das meninas”, depois “Carcará” – viajei, concentrei-me até o final. Um experiencia única.





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