O mundo do sr. Con - quinta-feira, 05/11/2026

Data 05/11/2026 20:18:20 | Tópico: Textos

Quinta-feira, 05/11/2026
Escrevo no verso das folhas encadernadas de “Itinerário Poético & Espiritual do Desterro” – cada dia fico mais desapontado pelo andamento do processo que a DPU enviou para a Justiça Federal para obtenção do sonhado BPC – Isso imbróglio judicial será uma chatice do caralho – tudo porque o INSS indeferiu os meus pedidos via Centro-POP alegando que tenho uma renda de 400 reais. De quê? Mesmo que o juiz me de uma sentença favorável, o sacana do INSS entra com recurso e dai só Deus sabe onde vai dar. Única coisa que peço é que não corte o meu amado auxilio.
A Padaria Renascer vazia no horário de pique e o gato negro e gordo Zulu miou para mim. E o pão 0,70 cents. Estou melancólico, a beira de uma depressão anunciada e pensando numa ampola de pentobarbital.
A morena bonitona do Aquiles, pergunta-me se trabalho com calha de zinco e a bela estampa traseira da morena de angola rebolando dentro do vestido.
E eu me releio “Tuberculose” publicado em capítulos no hebdomadário Extra aos domingos em 2015 e2016 – depois editado pelo Clube de Autores.
Quem publicou o primeiro livro sobre o Tibet – o austríaco Heinrich Harrer ou Lobsang Rampa encarnado no corpo de Cyril Hoskin?
- É ELE! – gritou do meio da rua, um senhor baixinho de chapéu empurrando uma carriola de três rodas carregada de plantas subindo para o mercado.
- Sr. Con! – saudou-me do outro lado, sentado majestosamente no varal da carroça vazia, o carroceiro maneta Mariano ou Marujo.
- O senhor pinta grade? – pergunta a morena charmosa vizinha lá de cima.
- Mas é bom! – disse uma voz feminina conhecida da rua 23.
Seu Rorriz, o caboco de Guajerutia é pontual como os trens italianos na época de Mussolini – As nove quarenta e cinco chega e fica até as dez e meia quando segue para a fila do Popular.
- Vá cedo. Cheguei ontem as doze não tinha mais nada. Agora são só trezentos bandecos – advertiu-o uma parceira do Popular.
Após a saída de Seu Rorriz, Guy, o radical ficou destilando as suas funestas ideias e o sr. Com saiu a francesa rumo a quitanda de Gordilho, aproveitando que ele atendia Seu Niva, um pixixitinho do lava-jato, entornando um quarto da pura, sem fazer cara, nem cuspi e ainda lambe os beiços.
- A hora da Agua! Anuncia o sr Com e Gordilho já vem com a jarra com agua, o copo plástico e o serve solenemente três copos seguidamente.
O pedreiro Milson não marcou e subiu apressadamente depois que ouviu o poeta:
- Vai logo lá. Agora é so trezentos bandecos.
Meio-dia
Seu Rorriz e seu Milson retornam de barriga cheia e sentam-se. Dezão com a voz engrolada e seu corpão semelhante a um elefante marinho, sem camisa, a mochila nas costas rumou para o Gordilho se abastecer com duas gorotinhas e de imediato internou-se nos seus aposentos. Os pixixitinhos foram embora. O irmão seu Rorré deu-lhe dois reais e o poeta a guardou na carteira junto com uma cédula de cem reais de propaganda politica.
Tarde na pensão.
Almoçou uma boa galinha cozida de ontem com arroz e feijão. Alterna a leitura entre Harrer e Rampa. Lavou a bermuda cagada e seu Zé Grandleão suou para ajeitar a lingueta emperrada do trinco.





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