REINO DEVOLUTO

Data 23/06/2009 13:30:52 | Tópico: Poemas





Gradativamente,
Ela cria atmosferas ignescentes
Dentro do corpo:


As labaredas ganham massa,
Recrudescendo-me e grassando-me
Por toda a planície e ravinas do frágil organismo primata.


Sinto-a degustar-me a pele:
Á erupção do vulcão
Minha matéria converge.


Então sou sauna:
Doravante me converto
No ponto máximo de trilhões de fornalhas.


Com efeito, minha temperatura atinge 40 graus Celsius na escala:
Metamorfoseio-me na infrene tremedeira insaciada,
Sou, portanto, a voraz febre hemorrágica!


Assim, dali a pouco,
A urina, o excremento e o plasma prorrompem sôfregos
Do humano moribundo esqueleto carnoso.


Afinal um mar vermelho se forma, expandindo-se suntuoso
domina, preenche toda a lacuna do íntimo cômodo
E deixa a vida sem gleba, latifúndio ou trono.






JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA






Este texto vem de Luso-Poemas
https://www.luso-poemas.net

Pode visualizá-lo seguindo este link:
https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=88050