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    <title>Luso-Poemas</title>
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    <description>Poemas, frases e mensagens</description>
    <lastBuildDate>Fri, 08 May 2026 00:31:24 +0000</lastBuildDate>
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    <category>Luís de Camões</category>
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      <title>Luso-Poemas</title>
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      <title>NÃ£o se diz ao Triste que se Alegre</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1785</link>
      <description>Pouco sabe da tristeza quem, sem remÃ©dio para ela, diz ao triste que se alegre; pois nÃ£o vÃª que alheios contentamentos a um coraÃ§Ã£o descontente, nÃ£o lhe remediando o que sente, lhe dobram o que padece. VÃ³s, se vem Ã  mÃ£o, esperÃ¡reis de mim palavrinhas joeiradas, enforcadas de bons propÃ³sitos. Pois desenganai-vos, que, desde que professei tristeza, nunca mais soube jogar a outro fito. E, porque nÃ£o digais que sou gente fora do meu bairro, vedes, vai uma volta feita a este mote, que escolhi na manada dos enjeitados; e cuido que nÃ£o Ã© tÃ£o dedo queimado que nÃ£o seja dos que el-rei mandou chamar; o qual fala assim: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NÃ£o quero e nÃ£o quero &lt;br /&gt;jubÃ£o amarelo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se de negro for &lt;br /&gt;tambÃ©m me parece &lt;br /&gt;quanto me aborrece &lt;br /&gt;toda a alegre cor: &lt;br /&gt;cor que mostra dor, &lt;br /&gt;quero e nÃ£o quero &lt;br /&gt;jubÃ£o amarelo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-vos que se pode dizer mais ? NÃ£o me respondais: Â«Quem gabarÃ¡ a noiva?Â» Porque assentai que foi comendo e fazendo, ou assoprando, que nÃ£o Ã© tÃ£o pequena habilidade. E, porque vos nÃ£o pareÃ§a que foi mais acertar que querÃª-lo fazer, vedes, vai outra do mesmo jaez, contanto que se nÃ£o vÃ¡ a pasmar: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PerdigÃ£o perdeu a pena, &lt;br /&gt;nÃ£o hÃ¡ mal que lhe nÃ£o venha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um mal outro comeÃ§a, &lt;br /&gt;que nunca vem sÃ³ nenhum; &lt;br /&gt;e o triste que tem um &lt;br /&gt;a sofrer outro se ofereÃ§a; &lt;br /&gt;e sÃ³ pelo ver, conheÃ§a &lt;br /&gt;que basta um sÃ³ que tenha &lt;br /&gt;para que outro lhe venha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LuÃ­s Vaz de CamÃµes, in &quot;Cartas&quot;</description>
      <pubDate>Sat, 18 Aug 2012 14:37:19 +0000</pubDate>
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      <title>A MudanÃ§a de Lugar nÃ£o Muda a Dor do Sentimento</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1781</link>
      <description>QuÃ£o mal estÃ¡ no caso quem cuida que a mudanÃ§a de lugar muda a dor do sentimento! E, se nÃ£o, diga-o quien dijo que la ausencia causa olvido. Porque, enfim, la tierra queda, e, o mais, a alma acompanha. Ao alvo destes cuidados jogam meus pensamentos Ã  barreira, tendo-me jÃ¡, pelo costume, tÃ£o contente, de triste, que triste me faria ser contente; porque o longo uso dos anos se converte em natureza. Pois o que Ã© para maior mal, tenho eu para maior bem. Ainda que, para viver no mundo, uso um outro pano, para nÃ£o parecer coruja entre pardais, fazendo-me um para ser outro, sendo outro para ser um; mas a dor dissimulada darÃ¡ seu fruto, que a tristeza no coraÃ§Ã£o Ã© como a traÃ§a no pano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por tÃ£o triste me tenho &lt;br /&gt;que, se sentisse alegria, &lt;br /&gt;de triste, nÃ£o viveria. &lt;br /&gt;Porque a tal sorte vim &lt;br /&gt;que nÃ£o vejo bem algum &lt;br /&gt;em quanto vejo, &lt;br /&gt;que nÃ£o nasceu para mim; &lt;br /&gt;e por nÃ£o sentir nenhum, &lt;br /&gt;nenhum desejo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, coisas impossÃ­veis, Ã© melhor esquecÃª-las que desejÃ¡-las. E, por isso &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SÃ³ tristeza ver queria, &lt;br /&gt;pois minha ventura quer &lt;br /&gt;que sÃ³ ela conheÃ§a por alegria, &lt;br /&gt;e que, se outra quiser, &lt;br /&gt;morra por ela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LuÃ­s Vaz de CamÃµes, in &quot;Cartas&quot;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Thu, 09 Aug 2012 17:52:47 +0000</pubDate>
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      <title>Onde hÃ¡ inveja, nÃ£o hÃ¡ amizade</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1760</link>
      <description>Grande trabalho Ã© querer fazer alegre rosto quando o coraÃ§Ã£o estÃ¡ triste: pano Ã© que nÃ£o toma nunca bem esta tinta; que a Lua recebe a claridade do Sol, e o rosto, do coraÃ§Ã£o. Nada dÃ¡ quem nÃ£o dÃ¡ honra no que dÃ¡: nÃ£o tem que agradecer quem, no que recebe, a nÃ£o recebe; porque bem comprado vai o que com ela se compra. Nada se dÃ¡ de graÃ§a o que se pede muito. EstÃ¡ certo! Quem nÃ£o tem uma vida tem muitas. Onde a razÃ£o se governa pela vontade, hÃ¡ muito que praguejar, e pouco que louvar. Nenhuma cousa homizia os homens tanto consigo como males de que se nÃ£o guardaram, podendo. NÃ£o hÃ¡ alma sem corpo, que tantos corpos faÃ§a sem almas, como este purgatÃ³rio a que chamais honra; donde muitas vezes os homens cuidam que a ganham, aÃ­ a perdem. Onde hÃ¡ inveja, nÃ£o hÃ¡ amizade; nem a pode haver em desigual conversaÃ§Ã£o. Bem mereceu o engano quem creu mais o que lhe dizem que o que viu. Agora, ou se hÃ¡-de viver no mundo sem verdade, ou com verdade sem mundo. E para muito pontual, perguntai-lhe de onde vem; vereis que algo tiene en el cuerpo, que le duele. Ora temperai-me lÃ¡ esta gaita, que nem assim, nem assim achareis meio real de descanso nesta vida; ela nos trata somente como alheios de si, e com razÃ£o: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois somente nos Ã© dada &lt;br /&gt;para que ganhemos nela &lt;br /&gt;o que sabemos. &lt;br /&gt;Se se gasta mal gastada, &lt;br /&gt;juntamente com perdÃª-la, &lt;br /&gt;nos perdemos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, esta minha Senhora, sendo a cousa por que mais fazemos, Ã© a mais fraca alfaia de que nos servimos. E se queremos ver quÃ£o breve Ã©, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ponderemos e vejamos &lt;br /&gt;que ganhamos em viver &lt;br /&gt;os que nascemos: &lt;br /&gt;veremos que nÃ£o ganhamos &lt;br /&gt;senÃ£o algum bem fazer, &lt;br /&gt;se o fazemos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, por isso, respeitando &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que o porvir tal serÃ¡, &lt;br /&gt;entesouremos ; &lt;br /&gt;porque [ao certo] nÃ£o sabemos &lt;br /&gt;quando a morte pedirÃ¡ &lt;br /&gt;que lhe paguemos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca vi cousa mais para lembrar, e menos lembrada, que a morte; sendo mais aborrecida que a verdade, tem-se em menos conta que a virtude. Mas, contudo, com seu pensamento, quando lhe vem Ã  vontade, acarreta mil pensamentos vÃ£os; que tudo para com ela Ã© um lume de palhas. Nenhuma cousa me enche tanto as medidas para com estes que vivem na maior bonanÃ§a, como ela; porque quando lhe menos lembra, entÃ£o lhe arranca as amarras, dando com os corpos Ã  costa; e se vem Ã  mÃ£o, com as almas no inferno, que Ã© bem ruim gasalhado: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pois todos isto temos, &lt;br /&gt;nÃ£o nos engane a riqueza, &lt;br /&gt;por que tanto esmorecemos, &lt;br /&gt;e trÃ¡s que vamos; &lt;br /&gt;jÃ¡ que temos a certeza &lt;br /&gt;que, quando mais a queremos, a deixamos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gastamos em alcanÃ§Ã¡-la &lt;br /&gt;a vida; e quando queremos &lt;br /&gt;usar dela, &lt;br /&gt;nos tira a morte logrÃ¡-la; &lt;br /&gt;assim que a Deus perdemos &lt;br /&gt;e a ela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LuÃ­s Vaz de CamÃµes, in &quot;Cartas&quot;</description>
      <pubDate>Wed, 13 Jun 2012 09:57:53 +0000</pubDate>
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      <title>Endechas Ã  BÃ¡rbara Cativa(Escrava)</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1342</link>
      <description>Aquela cativa&lt;br /&gt;Que me tem cativo,&lt;br /&gt;Porque nela vivo&lt;br /&gt;JÃ¡ nÃ£o quer que viva.&lt;br /&gt;Eu nunca vi rosa&lt;br /&gt;Em suaves molhos,&lt;br /&gt;Que pera meus olhos&lt;br /&gt;Fosse mais fermosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem no campo flores,&lt;br /&gt;Nem no cÃ©u estrelas&lt;br /&gt;Me parecem belas&lt;br /&gt;Como os meus amores.&lt;br /&gt;Rosto singular,&lt;br /&gt;Olhos sossegados,&lt;br /&gt;Pretos e cansados,&lt;br /&gt;Mas nÃ£o de matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma graÃ§a viva,&lt;br /&gt;Que neles lhe mora,&lt;br /&gt;Pera ser senhora&lt;br /&gt;De quem Ã© cativa.&lt;br /&gt;Pretos os cabelos,&lt;br /&gt;Onde o povo vÃ£o&lt;br /&gt;Perde opiniÃ£o&lt;br /&gt;Que os louros sÃ£o belos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PretidÃ£o de Amor,&lt;br /&gt;TÃ£o doce a figura,&lt;br /&gt;Que a neve lhe jura&lt;br /&gt;Que trocara acor.&lt;br /&gt;Leda mansidÃ£o,&lt;br /&gt;Que o siso acompanha;&lt;br /&gt;Bem parece estranha,&lt;br /&gt;Mas BÃ¡rbara nÃ£o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PresenÃ§a serena&lt;br /&gt;Que a tormenta amansa;&lt;br /&gt;Nela, enfim, descansa&lt;br /&gt;Toda a minha pena.&lt;br /&gt;Esta Ã© a cativa&lt;br /&gt;Que me tem cativo;&lt;br /&gt;E. pois nela vivo,&lt;br /&gt;Ã‰ forÃ§a que viva.&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Tue, 22 Mar 2011 14:30:00 +0000</pubDate>
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      <title>Novos casos de Amor, novos enganos</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1012</link>
      <description>Novos casos de Amor, novos enganos,&lt;br /&gt;envoltos em lisonjas conhecidas,&lt;br /&gt;do bem promessas falsas e escondidas,&lt;br /&gt;onde do mal se cumprem grandes danos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como nÃ£o tomais jÃ¡ por desenganos&lt;br /&gt;tantos ais, tantas lÃ¡grimas perdidas,&lt;br /&gt;pois em a vida nÃ£o basta nem mil vidas&lt;br /&gt;a tantos dias tristes, tantos anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um novo coraÃ§Ã£o mister havia&lt;br /&gt;com outros olhos menos agravados&lt;br /&gt;para tornar a crer o que eu nÃ£o cria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andais comigo, enganos, enganados;&lt;br /&gt;e se o quiserdes ver, cuidai um dia&lt;br /&gt;o que se diz dos bem acutilados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**************************************************</description>
      <pubDate>Sat, 21 Mar 2009 14:48:22 +0000</pubDate>
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