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    <title>Luso-Poemas</title>
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    <description>Poemas, frases e mensagens</description>
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    <category>Pablo Neruda</category>
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      <title>Luso-Poemas</title>
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      <title>O Engano da Bondade</title>
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      <description>Endureçamos a bondade, amigos. Ela também é bondosa, a cutilada que faz saltar a roedura e os bichos: também é bondosa a chama nas selvas incendiadas para que os arados bondosos fendam a terra.&lt;br /&gt;Endureçamos a nossa bondade, amigos. Já não há pusilânime de olhos aguados e palavras brandas, já não há cretino de intenção subterrânea e gesto condescendente que não leve a bondade, por vós outorgada, como uma porta fechada a toda a penetração do nosso exame. Reparai que necessitamos que se chamem bons aos de coração recto, e aos não flexíveis e submissos.&lt;br /&gt;Reparai que a palavra se vai tornando acolhedora das mais vis cumplicidades, e confessai que a bondade das vossas palavras foi sempre - ou quase sempre - mentirosa. Alguma vez temos de deixar de mentir, porque, no fim de contas, só de nós dependemos, e mortificamo-nos constantemente a sós com a nossa falsidade, vivendo assim encerrados em nós próprios entre as paredes da nossa estuta estupidez.&lt;br /&gt;Os bons serão os que mais depressa se libertarem desta mentira pavorosa e souberem dizer a sua bondade endurecida contra todo aquele que a merecer. Bondade que se move, não com alguém, mas contra alguém. Bondade que não agride nem lambe, mas que desentranha e luta porque é a própria arma da vida.&lt;br /&gt;E, assim, só se chamarão bons os de coração recto, os não flexíveis, os insubmissos, os melhores. Reinvindicarão a bondade apodrecida por tanta baixeza, serão o braço da vida e os ricos de espírito. E deles, só deles, será o reino da terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pablo Neruda, in &quot;Nasci para Nascer&quot;</description>
      <pubDate>Thu, 27 Feb 2014 21:16:15 +0000</pubDate>
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      <title>Conduta e Poesia</title>
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      <description>Quando o tempo nos vai comendo com o seu relâmpago quotidiano decisivo, as atitudes fundadas, as confianças, a fé cega se precipitam e a elevação do poeta tende a cair como o mais triste nácar cuspido, perguntamo-nos se já chegou a hora de envilecermos. A hora dolorosa de ver como o homem se sustém a puro dente, a puras unhas, a puros interesses. E como entram na casa da poesia os dentes e as unhas e os ramos da feroz árvore do ódio. É o poder da idade, ou porventura, a inércia que faz retroceder as frutas no próprio bordo do coração, ou talvez o «artístico» se apodere do poeta e, em vez do canto salobro que as ondas profundas devem fazer saltar, vemos cada dia o miserável ser humano defendendo o seu miserável tesouro de pessoa preferida? &lt;br /&gt;Aí, o tempo avança com cinza, com ar e com água! A pedra que o lodo e a angústia morderam floresce com prontidão com estrondo de mar, e a pequena rosa regressa ao seu delicado túmulo de corola. &lt;br /&gt;O tempo lava e desenvolve, ordena e continua. &lt;br /&gt;E que fica então das pequenas podridões, das pequenas conspirações do silêncio, dos pequenos frios sujos da hostilidade? Nada, e na casa da poesia não permanece nada além do que foi escrito com sangue para ser escutado pelo sangue. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pablo Neruda, in &quot;Nasci para Nascer&quot;</description>
      <pubDate>Sat, 06 Apr 2013 19:28:55 +0000</pubDate>
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      <title>O Pai</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1782</link>
      <description>Terra de semente inculta e bravia, &lt;br /&gt;terra onde não há esteiros ou caminhos, &lt;br /&gt;sob o sol minha vida se alonga e estremece. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pai, nada podem teus olhos doces, &lt;br /&gt;como nada puderam as estrelas &lt;br /&gt;que me abrasam os olhos e as faces. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escureceu-me a vista o mal de amor &lt;br /&gt;e na doce fonte do meu sonho &lt;br /&gt;outra fonte tremida se reflecte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois... Pergunta a Deus porque me deram &lt;br /&gt;o que me deram e porque depois &lt;br /&gt;conheci a solidão do céu e da terra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, minha juventude foi um puro &lt;br /&gt;botão que ficou por rebentar e perde &lt;br /&gt;a sua doçura de seiva e de sangue. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol que cai e cai eternamente &lt;br /&gt;cansou-se de a beijar... E o outono. &lt;br /&gt;Pai, nada podem teus olhos doces. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escutarei de noite as tuas palavras: &lt;br /&gt;... menino, meu menino... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na noite imensa &lt;br /&gt;com as feridas de ambos seguirei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pablo Neruda, in &quot;Crepusculário&quot; &lt;br /&gt;Tradução de Rui Lage</description>
      <pubDate>Sun, 12 Aug 2012 23:40:20 +0000</pubDate>
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      <title>Se me esqueceres</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1779</link>
      <description>Quero que saibas &lt;br /&gt;uma coisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes como é: &lt;br /&gt;se olho &lt;br /&gt;a lua de cristal, o ramo vermelho &lt;br /&gt;do lento outono à minha janela, &lt;br /&gt;se toco &lt;br /&gt;junto do lume &lt;br /&gt;a impalpável cinza &lt;br /&gt;ou o enrugado corpo da lenha, &lt;br /&gt;tudo me leva para ti, &lt;br /&gt;como se tudo o que existe, &lt;br /&gt;aromas, luz, metais, &lt;br /&gt;fosse pequenos barcos que navegam &lt;br /&gt;até às tuas ilhas que me esperam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora, &lt;br /&gt;se pouco a pouco me deixas de amar &lt;br /&gt;deixarei de te amar pouco a pouco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se de súbito &lt;br /&gt;me esqueceres &lt;br /&gt;não me procures, &lt;br /&gt;porque já te terei esquecido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se julgas que é vasto e louco &lt;br /&gt;o vento de bandeiras &lt;br /&gt;que passa pela minha vida &lt;br /&gt;e te resolves &lt;br /&gt;a deixar-me na margem &lt;br /&gt;do coração em que tenho raízes, &lt;br /&gt;pensa &lt;br /&gt;que nesse dia, &lt;br /&gt;a essa hora &lt;br /&gt;levantarei os braços &lt;br /&gt;e as minhas raízes sairão &lt;br /&gt;em busca de outra terra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém &lt;br /&gt;se todos os dias, &lt;br /&gt;a toda a hora, &lt;br /&gt;te sentes destinada a mim &lt;br /&gt;com doçura implacável, &lt;br /&gt;se todos os dias uma flor &lt;br /&gt;uma flor te sobe aos lábios à minha procura, &lt;br /&gt;ai meu amor, ai minha amada, &lt;br /&gt;em mim todo esse fogo se repete, &lt;br /&gt;em mim nada se apaga nem se esquece, &lt;br /&gt;o meu amor alimenta-se do teu amor, &lt;br /&gt;e enquanto viveres estará nos teus braços &lt;br /&gt;sem sair dos meus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pablo Neruda, in &quot;Poemas de Amor de Pablo Neruda&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Tue, 31 Jul 2012 19:31:05 +0000</pubDate>
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      <title>Eu Simplesmente Amo-te</title>
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      <description>Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde. Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pablo Neruda, in &quot;Cem Sonetos de Amor&quot;</description>
      <pubDate>Sun, 08 Jul 2012 19:12:24 +0000</pubDate>
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