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    <title>Luso-Poemas</title>
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    <description>Poemas, frases e mensagens</description>
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    <category>Ary dos Santos</category>
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      <title>Luso-Poemas</title>
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      <title>Não passam mais</title>
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      <description>Em nome dos nossos braços &lt;br /&gt;em nome das nossas mãos &lt;br /&gt;em nome de quantos passos &lt;br /&gt;deram os nossos irmãos. &lt;br /&gt;Em nome das ferramentas &lt;br /&gt;que nos magoaram os dedos &lt;br /&gt;das torturas das tormentas &lt;br /&gt;das sevícias dos degredos. &lt;br /&gt;Em nome daquele nome &lt;br /&gt;que herdámos dos nossos pais &lt;br /&gt;em nome da sua fome dizemos: &lt;br /&gt;não passam mais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em nome dos milénios &lt;br /&gt;de prisão adicionada &lt;br /&gt;em nome de tantos génios &lt;br /&gt;com a voz amordaçada &lt;br /&gt;em nome dos camponeses &lt;br /&gt;com a terra confiscada &lt;br /&gt;em nome dos Portugueses &lt;br /&gt;com a carne estilhaçada &lt;br /&gt;em nome daqueles nomes &lt;br /&gt;escarrados nos tribunais &lt;br /&gt;dizemos que há outros nomes &lt;br /&gt;que não passam nunca mais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nome do que nós temos &lt;br /&gt;em nome do que nós fomos &lt;br /&gt;revolução que fizemos &lt;br /&gt;democracia que somos &lt;br /&gt;em nome da unidade &lt;br /&gt;linda flor da classe operária &lt;br /&gt;em nome da liberdade &lt;br /&gt;flor imensa e proletária &lt;br /&gt;em nome desta vontade &lt;br /&gt;de sermos todos iguais &lt;br /&gt;vamos dizer a verdade &lt;br /&gt;dizendo: não passam mais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nome de quantos corpos &lt;br /&gt;nossos filhos foram feitos. &lt;br /&gt;Em nome de quantos mortos &lt;br /&gt;vivem nos nossos direitos. &lt;br /&gt;Em nome de quantos vivos &lt;br /&gt;dão mais vida à nossa voz &lt;br /&gt;não mais seremos cativos: &lt;br /&gt;O trabalho somos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso tornos enxadas &lt;br /&gt;canetas frezas dedais &lt;br /&gt;são as nossas barricadas &lt;br /&gt;que dizem: não passam mais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em nome das conquistas &lt;br /&gt;vindas nos ventos de Abril &lt;br /&gt;reforma agrária controlo &lt;br /&gt;operário no meio fabril &lt;br /&gt;empresas que são do estado &lt;br /&gt;porque o seu dono é o povo &lt;br /&gt;em nome de lado a lado &lt;br /&gt;termos feito um país novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nome da nossa frente &lt;br /&gt;e dos nossos ideais &lt;br /&gt;diante de toda a gente &lt;br /&gt;dizemos: não passam mais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nome do que passámos &lt;br /&gt;não deixaremos passar &lt;br /&gt;o patrão que ultrapassámos &lt;br /&gt;e que nos quer trespassar. &lt;br /&gt;E por onde a gente passa &lt;br /&gt;nós passamos a palavra: &lt;br /&gt;Cada rua cada praça &lt;br /&gt;é o chão que o povo lavra. &lt;br /&gt;Passaremos adiante &lt;br /&gt;com passo firme e seguro. &lt;br /&gt;O passado é já bastante &lt;br /&gt;vamos passar ao futuro.</description>
      <pubDate>Wed, 31 Oct 2012 02:00:24 +0000</pubDate>
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      <title>Quando um Homem quiser</title>
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      <description>Tu que dormes a noite na calçada de relento&lt;br /&gt;Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento&lt;br /&gt;Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento&lt;br /&gt;És meu irmão amigo&lt;br /&gt;És meu irmão &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tu que dormes só no pesadelo do ciúme&lt;br /&gt;Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume&lt;br /&gt;E sofres o Natal da solidão sem um queixume&lt;br /&gt;És meu irmão amigo&lt;br /&gt;És meu irmão &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natal é em Dezembro&lt;br /&gt;Mas em Maio pode ser&lt;br /&gt;Natal é em Setembro&lt;br /&gt;É quando um homem quiser&lt;br /&gt;Natal é quando nasce uma vida a amanhecer&lt;br /&gt;Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu que inventas ternura e brinquedos para dar&lt;br /&gt;Tu que inventas bonecas e combóios de luar&lt;br /&gt;E mentes ao teu filho por não os poderes comprar&lt;br /&gt;És meu irmão amigo&lt;br /&gt;És meu irmão &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei&lt;br /&gt;Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei&lt;br /&gt;Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei&lt;br /&gt;És meu irmão amigo&lt;br /&gt;És meu irmão &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natal é em Dezembro&lt;br /&gt;Mas em Maio pode ser&lt;br /&gt;Natal é em Setembro&lt;br /&gt;É quando um homem quiser&lt;br /&gt;Natal é quando nasce uma vida a amanhecer&lt;br /&gt;Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Mon, 20 Dec 2010 21:56:26 +0000</pubDate>
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      <title>Vida e Obra</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=649</link>
      <description>José Carlos Ary dos Santos (Lisboa, 7 de Dezembro de 1937  18 de Janeiro de 1984) foi um poeta e diseur de poesia português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oriundo de uma família da alta burguesia, José Carlos Ary dos Santos, conhecido no meio social e literário por Ary dos Santos, vê publicados aos 14 anos, através de familiares, alguns dos seus poemas, considerados maus pelo autor. No entanto, Ary dos Santos revelaria verdadeiramente as suas qualidades poéticas em 1954, com dezasseis anos de idade. É nessa altura que vê os seus poemas serem seleccionados para a Antologia do Prémio Almeida Garrett.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É então que Ary dos Santos abandona a casa da família, exercendo as mais variadas actividades para seu sustento económico, que passariam desde a venda de máquinas para pastilhas até à publicidade. Contudo, paralelamente, o poeta não cessa jamais de escrever e em 1963 dar-se-ia a sua estreia efectiva com a publicação do livro de poemas A Liturgia do Sangue (1963).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1969 inicia-se na actividade política ao filiar-se no PCP, participando de forma activa nas sessões de poesia do então intitulado &quot;canto livre perseguido&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, concorre, sob pseudónimo, ao Festival RTP da Canção com os poemas Desfolhada (1969) e Tourada (1973), obtendo os primeiros prémios. É aliás através deste campo  o da música - que o poeta se tornaria conhecido entre o grande público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor de mais de seiscentos poemas para canções, Ary dos Santos fez no meio muitos amigos. Gravou, ele próprio, textos ou poemas de e com muitos outros autores e intérpretes e ainda um duplo álbum contendo O Sermão de Santo António aos Peixes do Padre António Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À data da sua morte tinha em preparação um livro de poemas intitulado As Palavras das Cantigas, onde era seu propósito reunir os melhores poemas dos últimos quinze anos, e um outro intitulado Estrada da Luz - Rua da Saudade, que pretendia fosse uma autobiografia romanceada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta morre a 18 de Janeiro de 1984. Postumamente, o seu nome foi dado a um largo do Bairro de Alfama, descerrando-se uma lápide evocativa na casa da Rua da Saudade, onde viveu praticamente toda a sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda em 1984, foi lançada a obra VIII Sonetos de Ary dos Santos, com um estudo sobre o autor de Manuel Gusmão e planeamento gráfico de Rogério Ribeiro, no decorrer de uma sessão na Sociedade Portuguesa de Autores, da qual o autor era membro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1988, Fernando Tordo editou o disco &quot;O Menino Ary dos Santos&quot; com os poemas escritos por Ary dos Santos na sua infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bibliografia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1953 - Asas &lt;br /&gt;1963 - A Liturgia do Sangue &lt;br /&gt;1964 - Tempo da Lenda das Amendoeiras &lt;br /&gt;1965 - Adereços, Endereços &lt;br /&gt;1968 - Insofrimento In Sofrimento &lt;br /&gt;1970 - Fotos-grafias &lt;br /&gt;1970 - Ary por Si Próprio &lt;br /&gt;1973 - Resumo &lt;br /&gt;1974 - Poesia Política &lt;br /&gt;1975 - Lllanto para Alfonso Sastre y Todos &lt;br /&gt;1975 - As Portas que Abril Abriu &lt;br /&gt;1977 - Bandeira Comunista &lt;br /&gt;1979 - Ary por Ary &lt;br /&gt;1979 - O Sangue das Palavras &lt;br /&gt;1980 - Ary 80 &lt;br /&gt;1983 - Vinte Anos de Poesia &lt;br /&gt;1984 - As Palavras das Cantigas &lt;br /&gt;1984 - Estrada da Luz &lt;br /&gt;1984 - Rua da Saudade &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**************************************************</description>
      <pubDate>Thu, 22 May 2008 20:19:41 +0000</pubDate>
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      <title>Estrela da Tarde</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=267</link>
      <description>Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia&lt;br /&gt;Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia&lt;br /&gt;Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia&lt;br /&gt;Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia&lt;br /&gt;E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria&lt;br /&gt;Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia&lt;br /&gt;Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amor, meu amor&lt;br /&gt;Minha estrela da tarde&lt;br /&gt;Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde&lt;br /&gt;Meu amor, meu amor&lt;br /&gt;Eu não tenho a certeza&lt;br /&gt;Se tu és a alegria ou se és a tristeza&lt;br /&gt;Meu amor, meu amor&lt;br /&gt;Eu não tenho a certeza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram&lt;br /&gt;Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram&lt;br /&gt;Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram&lt;br /&gt;E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram&lt;br /&gt;Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam&lt;br /&gt;Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram&lt;br /&gt;E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto&lt;br /&gt;É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto&lt;br /&gt;Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto&lt;br /&gt;Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**************************************************</description>
      <pubDate>Thu, 12 Jul 2007 12:10:00 +0000</pubDate>
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      <title>Cavalo á Solta</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=269</link>
      <description>Minha laranja amarga e doce &lt;br /&gt;meu poema &lt;br /&gt;feito de gomos de saudade &lt;br /&gt;minha pena &lt;br /&gt;pesada e leve &lt;br /&gt;secreta e pura &lt;br /&gt;minha passagem para o breve, breve &lt;br /&gt;instante da loucura &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha ousadia &lt;br /&gt;meu galope &lt;br /&gt;minha rédea &lt;br /&gt;meu potro doido &lt;br /&gt;minha chama &lt;br /&gt;minha réstia &lt;br /&gt;de luz intensa &lt;br /&gt;de voz aberta &lt;br /&gt;minha denúncia do que pensa &lt;br /&gt;do que sente a gente certa &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em ti respiro &lt;br /&gt;em ti eu provo &lt;br /&gt;por ti consigo &lt;br /&gt;esta força que de novo &lt;br /&gt;em ti persigo &lt;br /&gt;em ti percorro &lt;br /&gt;cavalo à solta &lt;br /&gt;pela margem do teu corpo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha alegria &lt;br /&gt;minha amargura &lt;br /&gt;minha coragem de correr contra a ternura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso digo &lt;br /&gt;canção castigo &lt;br /&gt;amêndoa travo corpo alma amante amigo &lt;br /&gt;por isso canto &lt;br /&gt;por isso digo &lt;br /&gt;alpendre casa cama arca do meu trigo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu desafio &lt;br /&gt;minha aventura &lt;br /&gt;minha coragem de correr contra a ternura &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**************************************************</description>
      <pubDate>Thu, 12 Jul 2007 12:10:00 +0000</pubDate>
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