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    <title>Luso-Poemas</title>
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    <description>Poemas, frases e mensagens</description>
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      <title>Luso-Poemas</title>
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      <title>Este Não-Futuro que a Gente Vive</title>
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      <description>Será que nos resta muito depois disto tudo, destes dias assim, deste não-futuro que a gente vive? (...) Bom, tudo seria mais fácil se eu tivesse um curso, um motorista a conduzir o meu carro, e usasse gravatas sempre. Às vezes uso, mas é diferente usar uma gravata no pescoço e usá-la na cabeça. Tudo aconteceu a partir do momento em que eu perdi a noção dos valores. Todos os valores se me gastaram, mesmo à minha frente. O dinheiro gasta-se, o corpo gasta-se. A memória. (...) Não me atrai ser banqueiro, ter dinheiro. Há pessoas diferentes. Atrai-me o outro lado da vida, o outro lado do mar, alguma coisa perfeita, um dia que tenha uma manhã com muito orvalho, restos de geada De resto, não tenho grandes projectos. Acho que o planeta está perdido e que, provavelmente, a hipótese de António José Saraiva está certa: é melhor que isto se estrague mais um bocadinho, para ver se as pessoas têm mais tempo para olhar para os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al Berto, in &quot;Entrevista à revista Ler (1989)&quot;</description>
      <pubDate>Thu, 29 May 2014 20:01:14 +0000</pubDate>
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      <title>O que é um Romance?</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1912</link>
      <description>Um romance é aquilo que o autor quiser que seja. O Herberto Helder tem razão quando diz que está tudo misturado: não se sabe quando é que a poesia não dá origem a um romance, quando é que um ensaio não é um romance, quando é que no interior de um ensaio não aparece um poema Não vejo por que é que essas coisas hão-de ser catalogadas. Há páginas de grandes romances que são grandes páginas de poesia. Bom, mas isto é mais um pressentimento que uma certeza, que o início de uma teoria É uma interrogação. O meu problema é que sempre li mais prosa que poesia. Na verdade, a poesia aborrece-me mais. Não é bem isso é no sentido de que ocupa um espaço muito menor nas minhas leituras. A poesia é assim: abro um livro, leio este poema, leio aquele, depois arrumo, um dia volto &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al Berto, in &quot;Entrevista à revista Ler (1989)&quot;</description>
      <pubDate>Tue, 09 Apr 2013 15:36:07 +0000</pubDate>
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      <title>É preciso repensar a nossa vida</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1783</link>
      <description>É preciso repensar a nossa vida. Repensar a cafeteira do café, de que nos servimos de manhã, e repensar uma grande parte do nosso lugar no universo. Talvez isso tenha a ver com a posição do escritor, que é uma posição universal, no lugar de Deus, acima da condição humana, a nomear as coisas para que elas existam. Para que elas possam existir Isto tem a ver com o poeta, sobretudo, que é um demiurgo. Ou tem esse lado. Numa forma simples, essa maneira de redimensionar o mundo passa por um aspecto muito profundo, que não tem nada a ver com aquilo que existe à flor da pele. Tem a ver com uma experiência radical do mundo. &lt;br /&gt;Por exemplo, com aquela que eu faço de vez em quando, que é passar três dias como se fosse cego. Por mais atento que se seja, há sempre coisas que nos escapam e que só podemos conhecer de outra maneira, através dos outros sentidos, que estão menos treinados Reconhecer a casa através de outros sentidos, como o tacto, por exemplo. Isso é outra dimensão, dá outra profundidade. E a casa é sempre o centro e o sentido do mundo. A partir daí, da casa, percebe-se tudo. Tudo. O mundo todo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al Berto, in &quot;Entrevista à revista Ler (1989)&quot; </description>
      <pubDate>Thu, 16 Aug 2012 01:17:19 +0000</pubDate>
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      <title>Vestígios</title>
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      <description>&lt;br /&gt;noutros tempos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando acreditávamos na existência da lua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi-nos possível escrever poemas e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;envenenávamo-nos boca a boca com o vidro moído&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pelas salivas proibidas - noutros tempos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os dias corriam com a água e limpavam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os líquenes das imundas máscaras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nenhuma palavra pode ser escrita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nenhuma sílaba permanece na aridez das pedras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou se expande pelo corpo estendido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no quarto do zinabre e do álcool - pernoita-se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;onde se pode - num vocabulário reduzido e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;obsessivo - até que o relâmpago fulmine a língua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e nada mais se consiga ouvir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;apesar de tudo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;continuamos e repetir os gestos e a beber&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a serenidade da seiva - vamos pela febre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dos cedros acima - até que tocamos o místico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;arbusto estelar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o mistério da luz fustiga-nos os olhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;numa euforia torrencial&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horto de Incêndio Assirio &amp; Alvim, 1997 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Mon, 09 Apr 2012 22:32:11 +0000</pubDate>
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      <title>Se um dia a juventude voltasse</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1484</link>
      <description>&lt;br /&gt;se um dia a juventude voltasse&lt;br /&gt;na pele das serpentes atravessaria toda a memória&lt;br /&gt;com a língua em teus cabelos dormiria no sossego&lt;br /&gt;da noite transformada em pássaro de lume cortante&lt;br /&gt;como a navalha de vidro que nos sinaliza a vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sulcaria com as unhas o medo de te perder... eu&lt;br /&gt;veleiro sem madrugadas nem promessas nem riqueza&lt;br /&gt;apenas um vazio sem dimensão nas algibeiras&lt;br /&gt;porque só aquele que nada possui e tudo partilhou&lt;br /&gt;pode devassar a noite doutros corpos inocentes&lt;br /&gt;sem se ferir no esplendor breve do amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois... mudaria de nome de casa de cidade de rio&lt;br /&gt;de noite visitaria amigos que pouco dormem e têm gatos&lt;br /&gt;mas aconteça o que tem de acontecer&lt;br /&gt;não estou triste não tenho projectos nem ambições&lt;br /&gt;guardo a fera que segrega a insónia e solta os ventos&lt;br /&gt;espalho a saliva das visões pela demorada noite&lt;br /&gt;onde deambula a melancolia lunar do corpo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas se a juventude viesse novamente do fundo de mim&lt;br /&gt;com suas raízes de escamas em forma de coração&lt;br /&gt;e me chegasse à boca a sombra do rosto esquecido&lt;br /&gt;pegaria sem hesitações no leme do frágil barco... eu&lt;br /&gt;humilde e cansado piloto&lt;br /&gt;que só de te sonhar me morro de aflição&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rumor dos Fogos  Assirio &amp; Alvim, 1983&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Sat, 08 Oct 2011 14:28:06 +0000</pubDate>
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