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    <title>Luso-Poemas</title>
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    <description>Poemas, frases e mensagens</description>
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    <category>Eugnio de Andrade</category>
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      <title>Luso-Poemas</title>
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      <title>Até Amanhã</title>
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      <description>Sei agora como nasceu a alegria,&lt;br /&gt;como nasce o vento entre barcos de papel,&lt;br /&gt;como nasce a água ou o amor&lt;br /&gt;quando a juventude não é uma lágrima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É primeiro só um rumor de espuma&lt;br /&gt;à roda do corpo que desperta,&lt;br /&gt;sílaba espessa, beijo acumulado,&lt;br /&gt;amanhecer de pássaros no sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É subitamente um grito,&lt;br /&gt;um grito apertado nos dentes,&lt;br /&gt;galope de cavalos num horizonte&lt;br /&gt;onde o mar é diurno e sem palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falei de tudo quanto amei.&lt;br /&gt;De coisas que te dou&lt;br /&gt;para que tu as ames comigo:&lt;br /&gt;a juventude, o vento e as areias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eugénio de Andrade, in &quot;Até Amanhã&quot;</description>
      <pubDate>Mon, 06 Oct 2014 19:10:16 +0000</pubDate>
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      <title>O Amor</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=7854</link>
      <description>Estou a amar-te como o frio&lt;br /&gt;corta os lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arrancar a raiz&lt;br /&gt;ao mais diminuto dos rios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inundar-te de facas,&lt;br /&gt;de saliva esperma lume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou a rodear de agulhas&lt;br /&gt;a boca mais vulnerável&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A marcar sobre os teus flancos&lt;br /&gt;o itinerário da espuma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim é o amor: mortal e navegável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eugénio de Andrade, in &quot;Obscuro Domínio&quot;</description>
      <pubDate>Mon, 06 Oct 2014 19:06:30 +0000</pubDate>
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      <title>Em Louvor das Crianças</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1797</link>
      <description>Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos privilegiados  a tais regressos se chama, às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formosura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso. &lt;br /&gt;A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais  a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis  elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, não diminui nem se extingue. &lt;br /&gt;O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eugénio de Andrade, in &#039;Rosto Precário&#039;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Thu, 13 Sep 2012 15:21:44 +0000</pubDate>
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      <title>Elegia das Águas Negras para Che Guevara</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1006</link>
      <description>Elegia das Águas Negras para Che Guevara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atado ao silêncio, o coração ainda&lt;br /&gt;pesado de amor, jazes de perfil, &lt;br /&gt;escutando, por assim dizer, as águas &lt;br /&gt;negras da nossa aflição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pálidas vozes em prado procuram&lt;br /&gt;O potro mais livre, a palmeira&lt;br /&gt;mais alta sobre o lago, o barco talvez &lt;br /&gt;Ou o mel entornado da nossa alegria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos apertados pelo medo &lt;br /&gt;aguardam na noite o sol do meio-dia, &lt;br /&gt;a face viva do sol onde cresces, &lt;br /&gt;onde te confundes com os ramos &lt;br /&gt;de sangue do verão ou o rumor &lt;br /&gt;dos pés brancos da chuva nas areias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra, como tu dizias, chega&lt;br /&gt;húmida dos bosques: temos que semeá-la; &lt;br /&gt;chega húmida da terra: temos que defendê-la; &lt;br /&gt;chega com as andorinhas &lt;br /&gt;que a beberam sílaba a sílaba na tua boca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada palavra tua é um homem de pé; &lt;br /&gt;cada palavra tua &lt;br /&gt;faz do orvalho uma faca, &lt;br /&gt;faz do ódio um vinho inocente&lt;br /&gt;para bebermos contigo &lt;br /&gt;no coração em redor do fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de Eugénio de Andrade em Poemas a Guevara (selecção e tradução de Egito Gonçalves - colecção Os Olhos e a Memória - Editora Limiar - 1975) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**************************************************</description>
      <pubDate>Mon, 09 Mar 2009 20:51:13 +0000</pubDate>
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      <title>É Urgente</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=931</link>
      <description>É urgente o amor.&lt;br /&gt;É urgente um barco no mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É urgente destruir certas palavras,&lt;br /&gt;ódio, solidão e crueldade,&lt;br /&gt;alguns lamentos,&lt;br /&gt;muitas espadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É urgente inventar alegria,&lt;br /&gt;multiplicar os beijos, as searas,&lt;br /&gt;é urgente descobrir rosas e rios&lt;br /&gt;e manhãs claras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cai o silêncio nos ombros e a luz&lt;br /&gt;impura, até doer.&lt;br /&gt;É urgente o amor, é urgente&lt;br /&gt;permanecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**************************************************&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Sat, 29 Nov 2008 22:40:00 +0000</pubDate>
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