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    <title>Luso-Poemas</title>
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    <description>Poemas, frases e mensagens</description>
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    <category>Herberto Helder</category>
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      <title>Luso-Poemas</title>
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      <title>Se houvesse degraus na terra...</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1501</link>
      <description>&lt;br /&gt;Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,&lt;br /&gt;eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.&lt;br /&gt;No céu podia tecer uma nuvem toda negra.&lt;br /&gt;E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,&lt;br /&gt;e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,&lt;br /&gt;levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.&lt;br /&gt;Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,&lt;br /&gt;e a fímbria do mar, e o meio do mar,&lt;br /&gt;e vermelhas se volveram as asas da águia&lt;br /&gt;que desceu para beber,&lt;br /&gt;e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.&lt;br /&gt;Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.&lt;br /&gt;Correram os rapazes à procura da espada,&lt;br /&gt;e as raparigas correram à procura da mantilha,&lt;br /&gt;e correram, correram as crianças à procura da maçã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Faca Não Corta o Fogo, Súmula &amp; Inédita (2008) </description>
      <pubDate>Tue, 11 Oct 2011 13:42:37 +0000</pubDate>
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      <title>Se perguntarem: das artes do mundo?</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1373</link>
      <description>&lt;br /&gt;Se perguntarem: das artes do mundo?&lt;br /&gt;Das artes do mundo escolho a de ver cometas&lt;br /&gt;despenharem-se&lt;br /&gt;nas grandes massas de água; depois, as brasas pelos recantos,&lt;br /&gt;charcos entre elas.&lt;br /&gt;Quero na escuridão revolvida pelas luzes&lt;br /&gt;ganhar baptismo, ofício.&lt;br /&gt;Queimado nas orlas de fogo das poças.&lt;br /&gt;O meu nome é esse.&lt;br /&gt;E os dias atravessam as noites até aos outros dias, as noites&lt;br /&gt;          caem dentro dos dias - e eu estudo&lt;br /&gt;          astros desmoronados, mananciais, o segredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Sat, 21 May 2011 00:40:39 +0000</pubDate>
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      <title>Vida e Obra</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=825</link>
      <description>Herberto Helder Luís Bernardes de Oliveira, nasceu a 23 de Novembro de 1930 no Funchal, ilha da Madeira, no seio de uma família de origem judaica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1946, com 16 anos, viaja para Lisboa para freqüentar o 6º e o 7º ano do curso liceal. Em 1948, matricula-se na Faculdade de Direito de Coimbra e, em 1949, muda para a Faculdade de Letras onde freqüenta, durante três anos, o curso de Filologia Romântica, não tendo terminado o curso. Três anos mais tarde regressa a Lisboa, começando por trabalhar durante algum tempo na Caixa Geral de Depósitos e depois como angariador de publicidade, sendo que durante este tempo vive, por razões de ordem vária e pessoal, numa «casa de passe».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1954, data da publicação do seu primeiro poema em Coimbra, regressa à Madeira onde trabalha como meteorologista, seguindo depois para a ilha de Porto Santo. Quando em 1955 regressa a Lisboa, freqüenta o grupo do Café Gelo, de que fazem parte nomes como Mário Cesariny, Luiz Pacheco, António José Forte, João Vieira e Hélder Macedo. Durante esse período trabalha como propagandista de produtos farmacêuticos e redator de publicidade, vivendo com rendimentos baixos. Três anos mais tarde, em 1958, publica o seu primeiro livro, O Amor em Visita. Durante os anos que se seguiram vive em França, Holanda e Bélgica, países nos quais exerce profissões pobres e marginais, tais como: operário no arrefecimento de lingotes de ferro numa forja, criado numa cervejaria, cortador de legumes numa casa de sopas, empacotador de aparas de papéis e policopista. Em Antuérpia, viveu na clandestinidade e foi guia dos marinheiros no submundo da prostituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repatriado em 1960, torna-se encarregado das bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, percorrendo as vilas e aldeias do Baixo Alentejo, Beira Alta e Ribatejo. Nos dois anos seguintes publica os livros A Colher na Boca, Poemacto e Lugar. Em 1963 começa a trabalhar para a Emissora Nacional com redator de noticiário internacional, período durante o qual vive em Lisboa. Ainda nesse mesmo ano publica Os Passos em Volta e produz A máquina de emaranhar paisagens. Em 1964 trabalha nos serviços mecanográficos de uma fábrica de louça, datando desse ano a sua participação na organização da revista Poesia Experimental. Nesse ano reedita ainda Os Passos em Volta, escreve «Comunicação Acadêmica» e publica Electronicolírica. Em 1966 participa na co-organização do segundo número da revista Poesia Experimental e no ano seguinte publica Húmus, Retrato em Movimento e Ofício Cantante. Data de 1968 a sua participação na publicação de um livro sobre o Marquês de Sade, o que o leva a ser envolvido num processo judicial no qual foi condenado. Porém, devido às repercussões deste episódio consegue obter suspensão de pena, fato este que não conseguiu evitar que fosse despedido da Rádio e da Televisão portuguesas. Refugia-se na publicidade e, posteriormente, numa editora onde desempenha o cargo de co-gerente e diretor literário. Ainda nesse ano publica os livros Apresentação do Rosto, que foi suspenso pela censura, O Bebedor Noturno e ainda Kodak e Cinco Canções Lacunares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1970 viaja por Espanha, França, Bélgica, Holanda e Dinamarca, publicando nesse ano a terceira edição de Os Passos em Volta e escreve Os Brancos Arquipélagos. Em 1971 desloca-se para Angola onde trabalha como redator numa revista. Enquanto repórter de guerra é vitima de um grave desastre tendo que ser hospitalizado durante três meses. Data ainda desse ano a publicação de Vocação Animal e a produção de Antropofagias. Regressa a Lisboa e parte de novo, desta vez para os E.U.A., em 1973, ano durante o qual publica Poesia Toda, obra que contém toda a sua produção poética, e faz uma tentativa frustrada de publicar Prosa Toda. Em 1975 passa alguns meses na França e Inglaterra, regressando posteriormente a Lisboa onde trabalha na rádio e em revistas, meios restritos de sobrevivência econômica. Em 1976, Herberto Helder participa na edição e organização da revista Nova que, sendo posterior à revolução de 25 de Abril de 1974, reconhecia na Literatura portuguesa características que a aproximaram às Literaturas latino-americana, africana e espanhola, declinando uma direção literária revolucionária cuja atividade não ultrapassou o plano teórico devido à instabilidade política portuguesa que se fazia sentir na altura. Nos anos que se seguiram publicou as obras Cobra, O Corpo, O Luxo, A Obra e Photomaton e Vox. A última referência encontrada da instabilidade biográfica de Herberto Helder referia-se ao fato de o poeta ter abandonado todas as suas anteriores atividades e de viver no mais cioso dos anonimatos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Texto biográfico publicado no site da&lt;br /&gt;Universidade Nova de Lisboa - FCSH&lt;br /&gt;Centro de Investigação para Tecnologias Interativas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poesia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poesia  O Amor em Visita (1958) &lt;br /&gt;A Colher na Boca (1961) &lt;br /&gt;Poemacto (1961) &lt;br /&gt;Retrato em Movimento (1967) &lt;br /&gt;O Bebedor Nocturno (1968) &lt;br /&gt;Vocação Animal (1971) &lt;br /&gt;Cobra &amp; etc. (1977) &lt;br /&gt;O Corpo o Luxo a Obra (1978) &lt;br /&gt;Photomaton &amp; Vox (1979) &lt;br /&gt;Flash (1980) &lt;br /&gt;A Cabeça entre as Mãos (1982) &lt;br /&gt;As Magias (1987) &lt;br /&gt;Última Ciência (1988) &lt;br /&gt;Do Mundo, (1994) &lt;br /&gt;Poesia Toda (1º vol. de 1953 a 1966; 2º vol. de 1963 a 1971) (1973) &lt;br /&gt;Poesia Toda (1ª ed. em 1981) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficção:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Passos em Volta (1963) &lt;br /&gt;Apresentação do Rosto (1968). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*pesquisa realizada em sites da internet&lt;br /&gt;**************************************************</description>
      <pubDate>Tue, 30 Sep 2008 14:50:00 +0000</pubDate>
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      <title>Sobre um poema.</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=824</link>
      <description>Sobre um Poema &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um poema cresce inseguramente &lt;br /&gt;na confusão da carne, &lt;br /&gt;sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto, &lt;br /&gt;talvez como sangue &lt;br /&gt;ou sombra de sangue pelos canais do ser. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência &lt;br /&gt;ou os bagos de uva de onde nascem &lt;br /&gt;as raízes minúsculas do sol. &lt;br /&gt;Fora, os corpos genuínos e inalteráveis &lt;br /&gt;do nosso amor, &lt;br /&gt;os rios, a grande paz exterior das coisas, &lt;br /&gt;as folhas dormindo o silêncio, &lt;br /&gt;as sementes à beira do vento, &lt;br /&gt;- a hora teatral da posse. &lt;br /&gt;E o poema cresce tomando tudo em seu regaço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já nenhum poder destrói o poema. &lt;br /&gt;Insustentável, único, &lt;br /&gt;invade as órbitas, a face amorfa das paredes, &lt;br /&gt;a miséria dos minutos, &lt;br /&gt;a força sustida das coisas, &lt;br /&gt;a redonda e livre harmonia do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em baixo o instrumento perplexo ignora &lt;br /&gt;a espinha do mistério. &lt;br /&gt;- E o poema faz-se contra o tempo e a carne. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Herberto Helder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Como nao tenho o dom de escrever poesia,deixo aqui este lindo poema sobre justamente&amp;quot;o poema.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**************************************************</description>
      <pubDate>Tue, 30 Sep 2008 14:30:00 +0000</pubDate>
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      <title>Em silêncio descobri essa cidade no mapa</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=689</link>
      <description>Em silêncio descobri essa cidade no mapa&lt;br /&gt;a toda a velocidade: gota&lt;br /&gt;sombria. Descobri as poeiras que batiam&lt;br /&gt;como peixes no sangue.&lt;br /&gt;A toda a velocidade, em silêncio, no mapa -&lt;br /&gt;como se descobre uma letra&lt;br /&gt;de outra cor no meio das folhas,&lt;br /&gt;estremecendo nos olmos, em silêncio. Gota&lt;br /&gt;sombria num girassol. -&lt;br /&gt;essa letra, essa cidade em silêncio,&lt;br /&gt;batendo como sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a minha cidade ao norte do mapa,&lt;br /&gt;numa velocidade chamada&lt;br /&gt;mundo sombrio. Seus peixes estremeciam&lt;br /&gt;como letras no alto das folhas,&lt;br /&gt;poeiras de outra cor: girassol que se descobre&lt;br /&gt;como uma gota no mundo.&lt;br /&gt;Descobri essa cidade, aplainando tábuas&lt;br /&gt;lentas como rosas vigiadas&lt;br /&gt;pelas letras dos espinhos. Era em silêncio&lt;br /&gt;como uma gota&lt;br /&gt;de seiva lenta numa tábua aplainada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que tinha asas como uma pêra&lt;br /&gt;que desce. E a essa velocidade&lt;br /&gt;voava para mim aquela cidade do mapa.&lt;br /&gt;Eu batia como os peixes batendo&lt;br /&gt;dentro do sangue - peixes&lt;br /&gt;em silêncio, cheios de folhas. Eu escrevia,&lt;br /&gt;aplainando na tábua&lt;br /&gt;todo o meu silêncio. E a seiva&lt;br /&gt;sombria vinha escorrendo do mapa&lt;br /&gt;desse girassol, no mapa&lt;br /&gt;do mundo. Na sombra do sangue, estremecendo&lt;br /&gt;como as letras nas folhas&lt;br /&gt;de outra cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cidade que aperto, batendo as asas - ela -&lt;br /&gt;no ar do mapa. E que aperto&lt;br /&gt;contra quanto, estremecendo em mim com folhas,&lt;br /&gt;escrevo no mundo.&lt;br /&gt;Que aperto com o amor sombrio contra&lt;br /&gt;mim: peixes de grande velocidade,&lt;br /&gt;letra monumental descoberta entre poeiras.&lt;br /&gt;E que eu amo lentamente até ao fim&lt;br /&gt;da tábua por onde escorre&lt;br /&gt;em silêncio aplainado noutra cor:&lt;br /&gt;como uma pêra voando,&lt;br /&gt;um girassol do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não te queria quebrada pelos quatro elementos.&lt;br /&gt;Nem apanhada apenas pelo tacto;&lt;br /&gt;ou no aroma;&lt;br /&gt;ou pela carne ouvida, aos trabalhos das luas&lt;br /&gt;na funda malha de água.&lt;br /&gt;Ou ver-te entre os braços a operação de uma estrela.&lt;br /&gt;Nem que só a falcoaria me escurecesse como um golpe,&lt;br /&gt;trêmulo alimento entre roupa&lt;br /&gt;alta,&lt;br /&gt;nas camas.&lt;br /&gt;                          Magnificência.&lt;br /&gt;                                               Levantava-te&lt;br /&gt;em música, em ferida&lt;br /&gt;- aterrada pela riqueza -&lt;br /&gt;a negra jubilação. Levantava-te em mim como uma coroa.&lt;br /&gt;Fazia tremer o mundo.&lt;br /&gt;                                E queimavas-me a boca, pura&lt;br /&gt;colher de ouro tragada&lt;br /&gt;viva. Brilhava-te a língua.&lt;br /&gt;Eu brilhava.&lt;br /&gt;Ou que então, entrecravados num só contínuo nexo,&lt;br /&gt;nascesse da carne única&lt;br /&gt;uma cana de mármore.&lt;br /&gt;E alguém, passando, cortasse o sopro&lt;br /&gt;de uma morte trançada. Lábios anônimos, no hausto&lt;br /&gt;de árdua fêmea e macho&lt;br /&gt;anelados em si, criassem um órgão novo entre a ordem.&lt;br /&gt;Modulassem.&lt;br /&gt;E a pontadas de fogo, pulsavam os rostos, emplumavam-se.&lt;br /&gt;Os animais bebiam, ficavam cheios da rapidez da água.&lt;br /&gt;Os planetas fechavam-se nessa&lt;br /&gt;floresta de som unânime&lt;br /&gt;pedra. E éramos, nós, o fausto violento, transformador&lt;br /&gt;da terra &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nome do mundo, diadema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A oferenda pode ser um chifre ou um crânio claro ou&lt;br /&gt;uma pele de onça&lt;br /&gt;deixem-me com as minhas armas&lt;br /&gt;deixem-me entoar as onomatopéias, a minha canção de glória.&lt;br /&gt;À noite o cabelo frio&lt;br /&gt;de dia caminho por entre a fábula das corolas&lt;br /&gt;sim, eu sei, queimam-se de olho a olho selvagem mas não se movem&lt;br /&gt;mais altas que eu, mais soberanas, amarelas.&lt;br /&gt;Escuto a travessia cantora dos rios no mundo&lt;br /&gt;depois aparece a longa frase cheia de água.&lt;br /&gt;Guio-me pelas luas no ar desfraldado e&lt;br /&gt;grito de água para água levanto as armas&lt;br /&gt;gritando&lt;br /&gt;enquanto danço o algodão cresce fica maduro o tabaco.&lt;br /&gt;Ninguém fez uma guerra maior. Corno chumbado em sangue e osso,&lt;br /&gt;crânio com luz própria pousando na sua luz,&lt;br /&gt;na pele&lt;br /&gt;as pálpebras abrindo e fechando ¿quem se exaltava&lt;br /&gt;vestido com elas?&lt;br /&gt;Meti na boca um punhado de diamantes - e&lt;br /&gt;respirei com toda a força. E tremi ao ver como eu era inocente, assim&lt;br /&gt;com dedos e língua calcinados; e&lt;br /&gt;levando a mão à boca entoei a canção inteira das onomatopéias;&lt;br /&gt;era a guerra. Como se caça uma fêmea com tanto sangue entre as ancas?&lt;br /&gt;A ouro rude. Boca na boca&lt;br /&gt;enchê-la de diamantes. Que fique a brilhar nos sítios&lt;br /&gt;violentos. Doce, que seja doce, acre&lt;br /&gt;mexida na sua curva de argila sombria andando coberta de olhos,&lt;br /&gt;onça pintada no meio de flores que expiram.&lt;br /&gt;Quem ergue o hemisfério a mãos ambas acima da testa?&lt;br /&gt;quem morre porque a testa é negra?&lt;br /&gt;quem entra pela porta com a testa saindo da fornalha?&lt;br /&gt;O animal cerrado que se toca a medo:&lt;br /&gt;o braço estremece, o coração estremece até à raiz do braço&lt;br /&gt;entre carmesim e carmesim&lt;br /&gt;bárbaro, estremecem&lt;br /&gt;a memória e a sua palavra. Tocar na coluna&lt;br /&gt;vertebral o continente todo&lt;br /&gt;toda a pessoa - transformam-se numa imagem trabalhada a poder&lt;br /&gt;de estrela. Quando se agarra numa ponta e a imagem&lt;br /&gt;devora quem a agarra.&lt;br /&gt;No chão o buraco. da estrela - &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre os cotovelos a água olha o dia sobre &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os cotovelos. batem folhas da luz&lt;br /&gt;um pouco abaixo do silêncio. Quero saber&lt;br /&gt;o nome de quem morre: o vestido de ar&lt;br /&gt;ardendo, os pés e movimento no meio&lt;br /&gt;do meu coração. O nome: madeira que arqueja, seca desde o fundo&lt;br /&gt;do seu tempo vegetal coarctado.&lt;br /&gt;E, ao abrir-se a toalha viva, o&lt;br /&gt;nome: a beleza a voltar-se para trás, com seus&lt;br /&gt;pulmões de algodão queimando.&lt;br /&gt;Uma serpente de ouro abraça os quadris&lt;br /&gt;negros e molhados. E a água que se debruça &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;olha a loucura com seu nome: indecifrável cego&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**************************************************</description>
      <pubDate>Fri, 20 Jun 2008 20:50:00 +0000</pubDate>
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