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    <title>Luso-Poemas</title>
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    <description>Poemas, frases e mensagens</description>
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      <title>Luso-Poemas</title>
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      <title>Eutanásia </title>
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      <description>Eutanásia &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradução de João Cardoso de Menezes e Souza &lt;br /&gt;(Barão de Paranapiacaba).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o tempo me houver trazido esse momento, &lt;br /&gt;Do dormir, sem sonhar que, extremo, nos invade, &lt;br /&gt;Em meu leito de morte ondule, Esquecimento, &lt;br /&gt;De teu sutil adejo a langue suavidade! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero ver ninguém ao pé de mim carpindo, &lt;br /&gt;Herdeiros, espreitando o meu supremo anseio; &lt;br /&gt;Mulher, que, por decoro, a coma desparzindo, &lt;br /&gt;Sinta ou finja que a dor lhe estará rasgando o seio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desejo ir em silêncio ao fúnebre jazigo, &lt;br /&gt;Sem luto oficial, sem préstito faustoso. &lt;br /&gt;Receio a placidez quebrar de um peito amigo, &lt;br /&gt;Ou furtar-lhe, sequer, um breve espaço ao gozo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só amor logrará (se nobre à dor se esquive, &lt;br /&gt;E consiga, no lance, inúteis ais calar), &lt;br /&gt;No que se vai finar, na que lhe sobrevive, &lt;br /&gt;Pela vez derradeira, o seu poder mostrar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz se essas feições, gentis, sempre serenas, &lt;br /&gt;Contemplasse, até vir a triste despedida! &lt;br /&gt;Esquecendo, talvez, as infligidas penas, &lt;br /&gt;Pudera a própria Dor sorrir-te, alma querida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Se o alento vital se nos afrouxa, inerte, &lt;br /&gt;A mulher para nós contrai o coração! &lt;br /&gt;Iludem-nos na vida as lágrimas, que verte, &lt;br /&gt;E agravam ao que expira a mágoa e enervação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praz-me que a sós me fira o golpe inevitável, &lt;br /&gt;Sem que me siga adeus, ou ai desolador. &lt;br /&gt;Muita vida há ceifado a morte inexorável &lt;br /&gt;Com fugaz sofrimento, ou sem nenhuma dor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morrer! Alhures ir... Aonde? Ao paradeiro &lt;br /&gt;Para o qual tudo foi e onde tudo irá ter! &lt;br /&gt;Ser, outra vez, o nada; o que já fui, primeiro &lt;br /&gt;Que abrolhasse à existência e ao vivo padecer!... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contadas do viver as horas de ventura &lt;br /&gt;E as que, isentas da dor, do mundo hajam corrido, &lt;br /&gt;Em qualquer condição, a humana criatura &lt;br /&gt;Dirá: &quot;Melhor me fora o nunca haver nascido!&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**************************************************</description>
      <pubDate>Sun, 15 Feb 2009 15:40:00 +0000</pubDate>
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      <title>O Oceano</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=912</link>
      <description>O Oceano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rola, Oceano profundo e azul sombrio, rola!&lt;br /&gt;Caminham dez mil frotas sobre ti, em vão;&lt;br /&gt;de ruínas o homem marca a terra, mas se evola&lt;br /&gt;na praia o seu domínio. Na úmida extensão&lt;br /&gt;só tu causas naufrágios; não, da destruição&lt;br /&gt;feita pelo homem sombra alguma se mantém,&lt;br /&gt;exceto se, gota de chuva, ele também&lt;br /&gt;se afunda a borbulhar com seu gemido,&lt;br /&gt;sem féretro, sem túmulo, desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do passo do há traços em teus caminhos,&lt;br /&gt;nem são presa teus campos. Ergues-te e o sacodes&lt;br /&gt;de ti; desprezas os poderes tão mesquinhos&lt;br /&gt;que usa para assolar a terra, já que podes&lt;br /&gt;de teu seio atirá-lo aos céus; assim o lanças&lt;br /&gt;tremendo uivando em teus borrifos escarninhos&lt;br /&gt;rumo a seus deuses - nos quais firma as esperanças&lt;br /&gt;de achar um porto angra próxima, talvez - &lt;br /&gt;e o devolves á terra: - jaza aí, de vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os armamentos que fulminam as muralhas&lt;br /&gt;das cidades de pedra - e tremem as nações&lt;br /&gt;ante eles, como os reis em suas capitais - ,&lt;br /&gt;os leviatãs de roble, cujas proporções&lt;br /&gt;levam o seu criador de barro a se apontar&lt;br /&gt;como Senhor do Oceano e árbitro das batalhas,&lt;br /&gt;fundem-se todos nessas ondas tão fatais&lt;br /&gt;para a orgulhosa Armada ou para Trafalgar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tuas bordas são reinos, mas o tempo os traga:&lt;br /&gt;Grécia, Roma, Catargo, Assíria, onde é que estão?&lt;br /&gt;Quando outrora eram livres tu as devastavas,&lt;br /&gt;e tiranos copiaram-te, a partir de então;&lt;br /&gt;manda o estrangeiro em praias rudes ou escravas;&lt;br /&gt;reinos secaram-se em desertos, nesse espaço,&lt;br /&gt;mas tu não mudas, salvo no florear da vaga;&lt;br /&gt;em tua fronte azul o tempo não põe traço;&lt;br /&gt;como és agora, viu-te a aurora da criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu, espelho glorioso, onde no temporal&lt;br /&gt;reflete sua imagem Deus onipotente;&lt;br /&gt;calmo ou convulso, quando há brisa ou vendaval,&lt;br /&gt;quer a gelar o polo, quer em cima ardente&lt;br /&gt;a ondear sombrio, - tu és sublime e sem final,&lt;br /&gt;cópia da eternidade, trono do Invisível;&lt;br /&gt;os monstros dos abismos nascem do teu lodo;&lt;br /&gt;insondável, sozinho avanças, és terrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amei-te, Oceano! Em meus folguedos juvenis&lt;br /&gt;ir levado em teu peito, como tua espuma,&lt;br /&gt;era um prazer; desde meus tempos infantis&lt;br /&gt;divertir-me com as ondas dava-me alegria;&lt;br /&gt;quando, porém, ao refrescar-se o mar, alguma&lt;br /&gt;de tuas vagas de causar pavor se erguia,&lt;br /&gt;sendo eu teu filho esse pavor me seduzia&lt;br /&gt;e era agradável: nessas ondas eu confiava&lt;br /&gt;e, como agora, a tua juba eu alisava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**************************************************</description>
      <pubDate>Thu, 20 Nov 2008 18:50:00 +0000</pubDate>
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      <title>Sol dos Insones</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=900</link>
      <description>Sol dos Insones&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sol dos insones! Ó astro de melancolia!&lt;br /&gt;Arde teu raio em pranto, longe a tremular,&lt;br /&gt;E expões a treva que não podes dissipar:&lt;br /&gt;Que semelhante és à lembrança da alegria!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim raia o passado, a luz de tanto dia,&lt;br /&gt;Que brilha sem com raios fracos aquecer;&lt;br /&gt;Noturna, uma tristeza vela para ver,&lt;br /&gt;Distinta mas distante-clara-mas que fria!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**************************************************</description>
      <pubDate>Thu, 13 Nov 2008 12:40:00 +0000</pubDate>
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      <title>Estâncias para música</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=898</link>
      <description>Estâncias para Música&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alegria não há que o mundo dê, como a que tira.&lt;br /&gt;Quando, do pensamento de antes, a paixão expira&lt;br /&gt;Na triste decadência do sentir;&lt;br /&gt;Não é na jovem face apenas o rubor&lt;br /&gt;Que esmaia rápido, porém do pensamento a flor&lt;br /&gt;Vai-se antes de que a própria juventude possa ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns cuja alma bóia no naufrágio da ventura&lt;br /&gt;Aos escolhos da culpa ou mar do excesso são levados;&lt;br /&gt;O ímã da rota foi-se, ou só e em vão aponta a obscura&lt;br /&gt;Praia que nunca atingirão os panos lacerados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, frio mortal da alma, como a noite desce;&lt;br /&gt;Não sente ela a dor de outrem, nem a sua ousa sonhar;&lt;br /&gt;toda a fonte do pranto, o frio a veio enregelar;&lt;br /&gt;Brilham ainda os olhos: é o gelo que aparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos lábios flua o espírito, e a alegria o peito invada,&lt;br /&gt;Na meia-noite já sem esperança de repouso:&lt;br /&gt;É como na hera em torno de uma torre já arruinada,&lt;br /&gt;Verde por fora, e fresca, mas por baixo cinza anoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pudesse eu me sentir ou ser como em horas passadas,&lt;br /&gt;Ou como outrora sobre cenas idas chorar tanto;&lt;br /&gt;Parecem doces no deserto as fontes, se salgadas:&lt;br /&gt;No ermo da vida assim seria para mim o pranto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**************************************************</description>
      <pubDate>Wed, 12 Nov 2008 12:00:00 +0000</pubDate>
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      <title>Versos inscritos numa taça feita de um crânio</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=896</link>
      <description>Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito&lt;br /&gt;Vê em mim um crânio, o único que existe&lt;br /&gt;Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,&lt;br /&gt;Tudo aquilo que flui jamais é triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;&lt;br /&gt;Que renuncie e terra aos ossos meus&lt;br /&gt;Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme&lt;br /&gt;Lábios mais repugnantes do que os teus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,&lt;br /&gt;Para ajudar os outros brilhe agora e;&lt;br /&gt;Substituto haverá mais nobre que o vinho&lt;br /&gt;Se o nosso cérebro já se perdeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus&lt;br /&gt;Já tiverdes partido, uma outra gente&lt;br /&gt;Possa te redimir da terra que abraçar-te,&lt;br /&gt;E festeje com o morto e a própria rima tente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por que não? Se as fontes geram tal tristeza&lt;br /&gt;Através da existência -curto dia-,&lt;br /&gt;Redimidas dos vermes e da argila&lt;br /&gt;Ao menos possam ter alguma serventia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**************************************************</description>
      <pubDate>Tue, 04 Nov 2008 08:20:00 +0000</pubDate>
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