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    <title>Luso-Poemas</title>
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    <description>Poemas, frases e mensagens</description>
    <lastBuildDate>Sat, 23 May 2026 17:17:28 +0000</lastBuildDate>
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      <title>Luso-Poemas</title>
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      <title>Poema do Futuro</title>
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      <description>Conscientemente escrevo e, consciente, &lt;br /&gt;medito o meu destino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No declive do tempo os anos correm, &lt;br /&gt;deslizam como a água, até que um dia &lt;br /&gt;um possível leitor pega num livro &lt;br /&gt;e lê, &lt;br /&gt;lê displicentemente, &lt;br /&gt;por mero acaso, sem saber porquê. &lt;br /&gt;Lê, e sorri. &lt;br /&gt;Sorri da construção do verso que destoa &lt;br /&gt;no seu diferente ouvido; &lt;br /&gt;sorri dos termos que o poeta usou &lt;br /&gt;onde os fungos do tempo deixaram cheiro a mofo; &lt;br /&gt;e sorri, quase ri, do íntimo sentido, &lt;br /&gt;do latejar antigo &lt;br /&gt;daquele corpo imóvel, exhumado &lt;br /&gt;da vala do poema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na História Natural dos sentimentos &lt;br /&gt;tudo se transformou. &lt;br /&gt;O amor tem outras falas, &lt;br /&gt;a dor outras arestas, &lt;br /&gt;a esperança outros disfarces, &lt;br /&gt;a raiva outros esgares. &lt;br /&gt;Estendido sobre a página, exposto e descoberto, &lt;br /&gt;exemplar curioso de um mundo ultrapassado, &lt;br /&gt;é tudo quanto fica, &lt;br /&gt;é tudo quanto resta &lt;br /&gt;de um ser que entre outros seres &lt;br /&gt;vagueou sobre a Terra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Gedeão, in &#039;Poemas Póstumos&#039;</description>
      <pubDate>Tue, 16 Apr 2013 14:00:35 +0000</pubDate>
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      <title>Estrela da Manhã</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1189</link>
      <description>&lt;br /&gt;Numa qualquer manhã, um qualquer ser,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vindo de qualquer pai,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acorda e vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se cumprisse um dever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas incógnitas mãos transporta os nossos gestos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nas inquietas pupilas fermenta o nosso olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em seu impessoal desejo latejam todos os restos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de quantos desejos ficaram antes por desejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abre os olhos e vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai descobrir as velas dos moinhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e as rodas que os eixos movem,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o tear que tece o linho,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a espuma roxa dos vinhos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;incêncio na face jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cego, vê, de olhos abertos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sozinho, a multidão vai com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bagas de instintos despertos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ressuma-lhe à flor da pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai, belo monstro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arranca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as florestas com os teus dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imprime na areia branca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;teus voluntariosos pés incandescentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue o teu meridiano, esse,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que divide ao meio teus hemisférios cerebrais;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o plano de barro que nunca endurece,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;onde a memória da espécie&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;grava os sonos imortais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lábios húmidos do amor da manhã,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;polpas de cereja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desdobra-te e beija&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em ti mesmo a carne sã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À tua cega passagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a convulsão da folhagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;diz aos ecos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«tem que ser».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mar que rola e se agita,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;toda a música infinita,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo grita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«tem que ser».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerra os dentes, alma aflita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo grita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Tem que ser».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Fri, 27 May 2011 18:00:00 +0000</pubDate>
      <guid>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1189</guid>
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      <title>Vida e Obra</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=625</link>
      <description>António Gedeão, (Rómulo Vasco da Gama de Carvalho), nasceu em Lisboa em 1906. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criança precoce, aos 5 anos escreveu os seus primeiros poemas e aos 10 decidiu completar &quot;Os Lusíadas&quot; de Camões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A par desta inclinação para as letras, ao entrar para o liceu Gil Vicente, tomou contacto com as ciências e foi aí que despertou nele um novo interesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1931 licenciou se em Ciências Físico Químicas pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e em 1932 conclui o curso de Ciências Pedagógicas na Faculdade de Letras do Porto, prenunciando assim qual seria a sua actividade principal daí para a frente e durante 40 anos: professor e pedagogo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exigente e comunicador por excelência, para Rómulo de Carvalho ensinar era uma paixão e uma dedicação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, além da colaboração como co director da &quot;Gazeta de Física&quot; a partir de 1946, concentrou durante muitos anos, os seus esforços no ensino, dedicando se, inclusivé, à elaboração de compêndios escolares, inovadores pelo grafismo e forma de abordar matérias tão complexas como a física e a química. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedicação estendida, a partir de 1952, à difusão científica a um nível mais amplo através da colecção &quot;Ciência Para Gente Nova&quot; e muitos outros títulos, entre os quais &quot;Física para o Povo&quot;, cujas edições acompanham os leigos&lt;br /&gt;interessados pela ciência até meados da década de 1970.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da intensa actividade científica, Rómulo de Carvalho nunca esqueceu a arte das palavras e continuou sempre a escrever poesia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, não a considerando de qualidade e pensando que nunca seria útil a ninguém, nunca tentou publicá la, preferindo destruí-la. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só em 1956, após ter participado num concurso de poesia de que tomou conhecimento no jornal, publicou, aos 50 anos, o primeiro livro de poemas &quot;Movimento Perpétuo&quot; com o pseudónimo António Gedeão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuou depois a publicar poesia, aventurando se, anos mais tarde, no teatro, no ensaio e na ficção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos seus poemas há uma simbiose perfeita entre a ciência e a poesia, a vida e o sonho, a lucidez e a esperança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí reside a sua originalidade, difícil&lt;br /&gt;de catalogar, originada por uma vida em que sempre coexistiram esses dois interesses totalmente distintos..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia de Gedeão é bastante comunicativa e marca toda uma geração que, reprimida por um regime ditatorial e atormentada por uma guerra, cujo fim não se adivinhava, se sentia profundamente tocada pelos valores expressos&lt;br /&gt;pelo poeta e assim se atrevia a acreditar que, através do sonho, era possível encontrar o caminho para a liberdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É deste modo que &quot;Pedra Filosofal&quot;, musicada por Manuel Freire, se torna num hino à liberdade e ao sonho. Mais tarde, em 1972, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Nisa compõe doze músicas com base em poemas de Gedeão e produz o álbum &quot;Fala do Homem Nascido&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos seguintes dedicou se por inteiro à investigação, publicando numerosos livros, tanto de divulgação científica, como de história da&lt;br /&gt;ciência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gedeão também continuou a sonhar, mas o fim aproximava se e o desejo da morrer determinou, em 1984, a publicação de Poemas Póstumos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1990, já com 83 anos, Rómulo de Carvalho assumiu a direcção do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa, sete anos depois de se ter tornado sócio correspondente da Academia de Ciências, função que desempenharia até ao fim dos seus dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando completou 90 anos de idade, a sua vida foi alvo de uma homenagem a nível nacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor, investigador, pedagogo e historiador da ciência, bem como o poeta, foi reconhecido publicamente por personalidades da política, da ciência, das letras e da música. Faleceu em 1997.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obra Literária:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poesia: &lt;br /&gt;&quot;Movimento Perpétuo&quot;, 1956; &lt;br /&gt;&quot;Teatro do Mundo&quot;, 1958; &lt;br /&gt;&quot;Declaração de Amor&quot;, 1959; &lt;br /&gt;&quot;Máquina de Fogo&quot;, 1961; &lt;br /&gt;&quot;Poesias Completas&quot;, 1964; &lt;br /&gt;&quot;Linhas de Força&quot;, 1967; &lt;br /&gt;&quot;Soneto&quot;, 1980; &lt;br /&gt;&quot;Poema para Galileu&quot;, 1982; &lt;br /&gt;&quot;Poemas Póstumos&quot;,1984; &lt;br /&gt;&quot;Poemas dos textos&quot;, 1985; &lt;br /&gt;&quot;Novos Poemas Póstumos&quot;, 1990&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficção: &lt;br /&gt;&quot;A poltrona e outras novelas&quot;, 1973&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teatro: &lt;br /&gt;&quot;RTX 78/24&quot;, 1978; &lt;br /&gt;&quot;História Breve da Lua&quot;, 1981&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensaio: &lt;br /&gt;&quot;O Sentimento Científico em Bocage&quot;, 1965; &lt;br /&gt;&quot;Ay Flores, Ay flores do verde pino&quot;, 1975&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obra Científica: &lt;br /&gt;&quot;Ciência Hermética&quot;, 1947; &lt;br /&gt;&quot;Embalsamento Egípcio&quot;, 1948;&lt;br /&gt;&quot;Compêndio de Química para o 3º Ciclo&quot;, 1953; &lt;br /&gt;&quot;Sr. Tompkins explora o átomo&quot;, 1956; &lt;br /&gt;&quot;Guias de trabalhos práticos de Química&quot; [3º Ciclo], 1957;&lt;br /&gt;&quot;Que é a física?&quot;, 1959; &lt;br /&gt;&quot;Problemas de Física para o 3º Ciclo do Ensino&lt;br /&gt;Liceal&quot;, I volume, 1959; &lt;br /&gt;&quot;A Física para o Povo&quot;, 1968; &lt;br /&gt;&quot;Ciências da Natureza&quot;,1974; &lt;br /&gt;&quot;Aditamento ao guia de trabalhos práticos de Química&quot;, 1975;&lt;br /&gt;&quot;A Descoberta do Mundo da Física&quot;, 1979; &lt;br /&gt;&quot;A Experiência Científica&quot;, 1979;&lt;br /&gt;&quot;A Natureza Corpuscular da Matéria&quot;, 1979; &lt;br /&gt;&quot;Moléculas, Átomos e Iões&quot;, 1979;&lt;br /&gt;&quot;A Energia&quot;, 1980; &lt;br /&gt;&quot;A Estrutura Cristalina&quot;, 1980; &lt;br /&gt;&quot;As Forças&quot;, 1980; &lt;br /&gt;&quot;As Reacções Químicas&quot;, 1980; &lt;br /&gt;&quot;O Peso e a Massa&quot;, 1980; &lt;br /&gt;&quot;A Composição do Ar&quot;, 1982; &lt;br /&gt;&quot;A Electricidade Estática&quot;, 1982; &lt;br /&gt;&quot;A Pressão Atmosférica&quot;, 1982; &lt;br /&gt;&quot;A Corrente Eléctrica&quot;, 1983; &lt;br /&gt;&quot;A Electrónica&quot;, 1983; &lt;br /&gt;&quot;Magnetismo e Electromagnetismo&quot;, 1983; &lt;br /&gt;&quot;A Energia Radiante&quot;, 1985; &lt;br /&gt;&quot;A Radioactividade&quot;, 1985; &lt;br /&gt;&quot;Ondas e Corpúsculos&quot;,1985&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Investigação histórica: &lt;br /&gt;&quot;História da Fundação do Colégio Real dos Nobres de Lisboa [1765 1772]&quot;, 1959; &lt;br /&gt;&quot;História do gabinete de Física da Universidade de Coimbra [1772 1790] desde a sua fundação em 1772 até ao Jubileu do Prof. Giovani António Dalla Bella&quot;, 1978; &lt;br /&gt;&quot;Relações entre Portugal e a Rússia no Século XVIII&quot;, 1979; &lt;br /&gt;&quot;A Actividade Pedagógica da Academia das Ciências da Lisboa nos Séculos XVIII e XIX&quot;, 1981; &lt;br /&gt;&quot;A Física Experimental em Portugal no Século XVIII&quot;, 1982; &lt;br /&gt;&quot;A Astronomia em Portugal no Século XVIII&quot;, 1985; &lt;br /&gt;&quot;História do Ensino em Portugal, desde a fundação da nacionalidade até ao fim do regime de Salazar Caetano&quot;, 1986; &lt;br /&gt;&quot;O Texto Poético Como Documento Social&quot;, 1994&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*pesquisa feita nos sites da internet&lt;br /&gt;**************************************************</description>
      <pubDate>Sat, 03 May 2008 21:50:00 +0000</pubDate>
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      <title>Dez reis de esperança</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=621</link>
      <description>Se não fosse esta certeza &lt;br /&gt;que nem sei de onde me vem, &lt;br /&gt;não comia, nem bebia, &lt;br /&gt;nem falava com ninguém. &lt;br /&gt;Acocorava-me a um canto, &lt;br /&gt;no mais escuro que houvesse, &lt;br /&gt;punha os joelhos á boca &lt;br /&gt;e viesse o que viesse. &lt;br /&gt;Não fossem os olhos grandes &lt;br /&gt;do ingénuo adolescente, &lt;br /&gt;a chuva das penas brancas &lt;br /&gt;a cair impertinente, &lt;br /&gt;aquele incógnito rosto, &lt;br /&gt;pintado em tons de aguarela, &lt;br /&gt;que sonha no frio encosto &lt;br /&gt;da vidraça da janela, &lt;br /&gt;não fosse a imensa piedade &lt;br /&gt;dos homens que não cresceram, &lt;br /&gt;que ouviram, viram, ouviram, &lt;br /&gt;viram, e não perceberam, &lt;br /&gt;essas máscaras selectas, &lt;br /&gt;antologia do espanto, &lt;br /&gt;flores sem caule, flutuando &lt;br /&gt;no pranto do desencanto, &lt;br /&gt;se não fosse a fome e a sede &lt;br /&gt;dessa humanidade exangue, &lt;br /&gt;roía as unhas e os dedos &lt;br /&gt;até os fazer em sangue. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**************************************************</description>
      <pubDate>Sat, 03 May 2008 19:00:00 +0000</pubDate>
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        <item>
      <title>Pedra filosofal </title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=498</link>
      <description>Eles não sabem que o sonho&lt;br /&gt;é uma constante da vida&lt;br /&gt;tão concreta e definida&lt;br /&gt;como outra coisa qualquer,&lt;br /&gt;como esta pedra cinzenta&lt;br /&gt;em que me sento e descanso,&lt;br /&gt;como este ribeiro manso&lt;br /&gt;em serenos sobressaltos,&lt;br /&gt;como estes pinheiros altos&lt;br /&gt;que em verde e oiro se agitam,&lt;br /&gt;como estas aves que gritam&lt;br /&gt;em bebedeiras de azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles não sabem que o sonho&lt;br /&gt;é vinho, é espuma, é fermento,&lt;br /&gt;bichinho álacre e sedento,&lt;br /&gt;de focinho pontiagudo,&lt;br /&gt;que fossa através de tudo&lt;br /&gt;num perpétuo movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles não sabem que o sonho&lt;br /&gt;é tela, é cor, é pincel,&lt;br /&gt;base, fuste, capitel,&lt;br /&gt;arco em ogiva, vitral,&lt;br /&gt;pináculo de catedral,&lt;br /&gt;contraponto, sinfonia,&lt;br /&gt;máscara grega, magia,&lt;br /&gt;que é retorta de alquimista,&lt;br /&gt;mapa do mundo distante,&lt;br /&gt;rosa-dos-ventos, Infante,&lt;br /&gt;caravela quinhentista,&lt;br /&gt;que é Cabo da Boa Esperança,&lt;br /&gt;ouro, canela, marfim,&lt;br /&gt;florete de espadachim,&lt;br /&gt;bastidor, passo de dança,&lt;br /&gt;Colombina e Arlequim,&lt;br /&gt;passarola voadora,&lt;br /&gt;pára-raios, locomotiva,&lt;br /&gt;barco de proa festiva,&lt;br /&gt;alto-forno, geradora,&lt;br /&gt;cisão do átomo, radar,&lt;br /&gt;ultra-som, televisão,&lt;br /&gt;desembarque em foguetão&lt;br /&gt;na superfície lunar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles não sabem, nem sonham,&lt;br /&gt;que o sonho comanda a vida.&lt;br /&gt;Que sempre que um homem sonha&lt;br /&gt;o mundo pula e avança&lt;br /&gt;como bola colorida&lt;br /&gt;entre as mãos de uma criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                 &lt;br /&gt;**************************************************</description>
      <pubDate>Fri, 05 Oct 2007 18:20:00 +0000</pubDate>
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