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    <title>Luso-Poemas</title>
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    <description>Poemas, frases e mensagens</description>
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      <title>Luso-Poemas</title>
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      <title>Nossa Senhora da Apresentação</title>
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      <description>Nossa Senhora da Apresentação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O altar as vagas &lt;br /&gt;o dossel a espuma! &lt;br /&gt;Missas rezadas pelo vento, &lt;br /&gt;ora pelos fiéis defuntos que se foram &lt;br /&gt;noutras vagas. &lt;br /&gt;Ora pelas barcaças que, uma a uma, &lt;br /&gt;buscaram as sereias na distância &lt;br /&gt;e se foram com elas. &lt;br /&gt;Sobre o altar, entre círios, que não são &lt;br /&gt;os círios murchos das igrejas velhas &lt;br /&gt;mas o lume de estrelas, &lt;br /&gt;ELA, &lt;br /&gt;Nossa Senhora da Apresentação. &lt;br /&gt;Aquela &lt;br /&gt;que não tem mantos da cor do céu, &lt;br /&gt;nem fios doiro nos cabelos, &lt;br /&gt;nem anéis nos dedos; &lt;br /&gt;aquela &lt;br /&gt;que não traz um menino nos seus braços &lt;br /&gt;porque os seios mirraram &lt;br /&gt;e já não têm pão para lhe dar; &lt;br /&gt;aquela &lt;br /&gt;que tem o corpo negro e sujo &lt;br /&gt;e os ossos a saltar &lt;br /&gt;da pele &lt;br /&gt;e dos rasgões da saia e do corpete; &lt;br /&gt;Nossa Senhora da Apresentação &lt;br /&gt;da Beira-Mar, &lt;br /&gt;que tem capelas &lt;br /&gt;em cada peito de marinheiro, &lt;br /&gt;que morre e, num instante, &lt;br /&gt;se renova &lt;br /&gt;e que anda &lt;br /&gt;quer nos engaços do sargaceiro &lt;br /&gt;ou nas gamelas do pilado &lt;br /&gt;e palhabotes da Terra Nova. &lt;br /&gt;Aquela &lt;br /&gt;a quem todos adoram. &lt;br /&gt;Dos meninos &lt;br /&gt;feitos nos intervalos das campanhas, &lt;br /&gt;aos bichanos que limpam de cabeças &lt;br /&gt;e tripas de pescado &lt;br /&gt;as muralhas do cais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dossel a espuma. &lt;br /&gt;O altar das vagas &lt;br /&gt; e que altar enorme!  &lt;br /&gt;Entre círios de estrelas, &lt;br /&gt;Nossa Senhora da Apresentação &lt;br /&gt;e Justificação &lt;br /&gt; a Fome! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Fri, 19 Nov 2010 13:58:32 +0000</pubDate>
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      <title>A Nau perdida</title>
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      <description>&lt;br /&gt;Pobre, lá vai! Que rombo no costado! &lt;br /&gt;Como a água a penetra aos borbotões! &lt;br /&gt;Açoita-a, em fúria, o Mar. Adorna ao lado. &lt;br /&gt;Anda à mercê das vagas, dos tufões! &lt;br /&gt;Mas segue, segue em frente. O vento a ajuda! &lt;br /&gt;Galga nas ondas, que doidinha, olhai!... &lt;br /&gt;Julga-se, ainda, a nau que dantes era, &lt;br /&gt;por levar, no porão, uma quimera, &lt;br /&gt;por ir, do vento na refrega aguda, &lt;br /&gt;ovante e sem saber per&#039;onde vai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julga-se, ainda, a nau que dantes era... &lt;br /&gt; o que passa não torna .. &lt;br /&gt;Na pobre nau perdida &lt;br /&gt;a água entra e a adorna. &lt;br /&gt;Vai sendo, aos poucos, pelo mar sorvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na agonia estrebucha. Num desejo &lt;br /&gt;de vida e luz, arfante, desesperada, &lt;br /&gt;busca furtar-se ao comprimente beijo &lt;br /&gt;do Mar que a envolve.  Após, é o Mar e nada... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doirado como um astro, &lt;br /&gt;haste esquecida em campo onde as mondas &lt;br /&gt;colheram tudo, o topo do seu mastro &lt;br /&gt;fica esperando ainda sobre as ondas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rota pelo mundo &lt;br /&gt; ao deus-dará na vaga azul e infinda  &lt;br /&gt;nós vamos  nau perdida em Mar profundo  &lt;br /&gt;joguetes do tufão; &lt;br /&gt;mas conservando, ainda, &lt;br /&gt;na última Esperança a última Ilusão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outubro de 1937 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Fri, 19 Nov 2010 13:55:59 +0000</pubDate>
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      <title>Os dois sonetos de amor da hora triste</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1030</link>
      <description>I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu morrer  e hei de morrer primeiro&lt;br /&gt;Do que tu  não deixes de fechar-me os olhos&lt;br /&gt;Meu Amor. Continua a espelhar-te nos meus olhos&lt;br /&gt;E ver-te-ás de corpo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como quando sorrias no meu colo.&lt;br /&gt;E, ao veres que tenho toda a tua imagem&lt;br /&gt;Dentro de mim, se, então, tiveres coragem,&lt;br /&gt;Fecha-me os olhos com um beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Eu, Marco Póli)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Farei a nebulosa travessia&lt;br /&gt;E o rastro da minha barca&lt;br /&gt;Segui-los-á em pensamento. Abarca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nele o mar inteiro, o porto, a ria...&lt;br /&gt;E, se me vires chegar ao cais dos céus,&lt;br /&gt;Ver-me-ás, debruçado sobre as ondas, para dizer-te adeus,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não um adeus distante&lt;br /&gt;Ou um adeus de quem não torna cá,&lt;br /&gt;Nem espera tornar. Um adeus de até já,&lt;br /&gt;Como a alguém que se espera a cada instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que eu voltarei. Eu sei que hei de voltar&lt;br /&gt;De novo para ti, no mesmo barco&lt;br /&gt;Sem remos e sem velas, pelo charco&lt;br /&gt;Azul do céu, cansado de lá estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E viverei em ti como um eflúvio, uma recordação.&lt;br /&gt;E não quero que chores para fora,&lt;br /&gt;Amor, que tu bem sabes que quem chora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, mente. E, se quiseres partir e o coração&lt;br /&gt;To peça, diz-mo. A travessia é longa... Não atino&lt;br /&gt;Talvez na rota. Que nos importa, aos dois, ir sem destino?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; </description>
      <pubDate>Fri, 19 Nov 2010 13:50:00 +0000</pubDate>
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      <title>Vida e Obra</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1263</link>
      <description>Apresentando mais um autor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Álvaro de Castro e Sousa Correia Feijó (Viana do Castelo, 5 de Julho de 1916 - Coimbra, 9 de Março de 1941) tendo falecido de tuberculose quando ainda não completara os vinte e cinco anos de idade. Filho de Rui de Menezes de Castro Feijó e de D.Maria Luisa Malheiro de Faria e Távora Abreu e Lima, fez os estudos secundários no colégio dos jesuítas de La Guardia, na vizinha Galiza, inscrevendo-se seguidamente na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Influenciado pela obra de seu tio-avô António Feijó (1859-1917), introdutor e cultor exímio do &quot;Parnasianismo &quot; francês no nosso país, surgem os &quot;Primeiros Versos&quot; de Álvaro Feijó que, segundo os críticos, constituem a manifestação de um talento poético embrionário, caracterizada por um ensaio de versificação parnasiana. Poemas de adolescência centram-se na subjectividade do &quot;eu&quot; e nos temas do amor, reeditando a tensão entre o amor espiritual e carnal, o cerne temático da lírica de Camões, mas com um pendor tendencial para o amor petrarquista. Por outro lado, o poeta tenta a definição do próprio caminho poético, denunciando a sua crise de identidade, dividido entre a sua condição de aristocrata e as exigências da transformação social: &quot;calcorreei a estrada, encadernado/ de senhor feudal&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poesia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os seus versos são publicados em revistas como Sol Nascente, O Diabo, Altitude e Seara Nova e, postumamente, no Novo Cancioneiro. Companheiro no exercício poético de Políbio Gomes dos Santos, Joaquim Namorado e José João Cochofel, formado nos princípios da escola neo-realista, a sua poesia sofre a trágica influência da guerra civil de Espanha, entre 1936-1939, e da segunda Grande Guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Corsário&quot; (1940), o único livro que publicou em vida, é o apelo fundamental à reforma da sociedade e da justiça social e ao esvaziamento dos conteúdos religiosos, substituídos por temas laicos. O poema &quot;Prece&quot; sintetiza os vectores temáticos de cariz neo-realista: &quot;Ó senhora da noite!/ tu que cobres/ pés descalços e corpos mal vestidos./ Ó senhora da noite!/ tu que apagas/ a luz febril dos olhos que têm fome&quot;. No &quot;Diário de Bordo&quot;, que ficou incompleto devido à doença implacável, assistimos a uma nova estratégia temática: são versos de sarcasmo feroz dirigidos à própria classe aristocrata, ridicularizada nos seu actos de mundanidade frívola, numa ironia ao nível queirosiano. Mas é no âmbito da temática religiosa que a poesia de Álvaro Feijó atinge uma perfeição notável de fundo e de forma, como no poema &quot;Senhora da Apresentação&quot;, que constitui uma súmula dos vectores temáticos do neo-realismo: &quot;O dossel a espuma./ O altar as vagas/ - e que altar enorme! - / Entre círios de estrelas, / Nossa Senhora da Apresentação/ e Justificação/ - a Fome!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Corsário (1940) &lt;br /&gt;- Poemas de Álvaro Feijó (obra póstuma) (1961) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Pesquisa feita em sites da rede.</description>
      <pubDate>Fri, 19 Nov 2010 13:40:00 +0000</pubDate>
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