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    <title>Luso-Poemas</title>
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    <description>Poemas, frases e mensagens</description>
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    <category>Rainer Maria Rilke</category>
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      <title>Luso-Poemas</title>
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      <title>O Homem que Contempla</title>
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      <description>Vejo que as tempestades vêm aí &lt;br /&gt;pelas árvores que, à medida que os dias se tomam mornos, &lt;br /&gt;batem nas minhas janelas assustadas &lt;br /&gt;e ouço as distâncias dizerem coisas &lt;br /&gt;que não sei suportar sem um amigo, &lt;br /&gt;que não posso amar sem uma irmã. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a tempestade rodopia, e transforma tudo, &lt;br /&gt;atravessa a floresta e o tempo &lt;br /&gt;e tudo parece sem idade: &lt;br /&gt;a paisagem, como um verso do saltério, &lt;br /&gt;é pujança, ardor, eternidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pequeno é aquilo contra que lutamos, &lt;br /&gt;como é imenso, o que contra nós luta; &lt;br /&gt;se nos deixássemos, como fazem as coisas, &lt;br /&gt;assaltar assim pela grande tempestade,  &lt;br /&gt;chegaríamos longe e seríamos anónimos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Triunfamos sobre o que é Pequeno &lt;br /&gt;e o próprio êxito torna-nos pequenos. &lt;br /&gt;Nem o Eterno nem o Extraordinário &lt;br /&gt;serão derrotados por nós. &lt;br /&gt;Este é o anjo que aparecia &lt;br /&gt;aos lutadores do Antigo Testamento: &lt;br /&gt;quando os nervos dos seus adversários &lt;br /&gt;na luta ficavam tensos e como metal, &lt;br /&gt;sentia-os ele debaixo dos seus dedos &lt;br /&gt;como cordas tocando profundas melodias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele que venceu este anjo &lt;br /&gt;que tantas vezes renunciou à luta. &lt;br /&gt;esse caminha erecto, justificado, &lt;br /&gt;e sai grande daquela dura mão &lt;br /&gt;que, como se o esculpisse, se estreitou à sua volta. &lt;br /&gt;Os triunfos já não o tentam. &lt;br /&gt;O seu crescimento é: ser o profundamente vencido &lt;br /&gt;por algo cada vez maior. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rainer Maria Rilke, in &quot;O Livro das Imagens&quot; &lt;br /&gt;Tradução de Maria João Costa Pereira</description>
      <pubDate>Sat, 17 Nov 2012 14:18:02 +0000</pubDate>
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      <title>O Homem que Lê </title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1794</link>
      <description>&lt;br /&gt;Eu lia há muito. Desde que esta tarde &lt;br /&gt;com o seu ruído de chuva chegou às janelas. &lt;br /&gt;Abstraí-me do vento lá fora: &lt;br /&gt;o meu livro era difícil. &lt;br /&gt;Olhei as suas páginas como rostos &lt;br /&gt;que se ensombram pela profunda reflexão &lt;br /&gt;e em redor da minha leitura parava o tempo.  &lt;br /&gt;De repente sobre as páginas lançou-se uma luz &lt;br /&gt;e em vez da tímida confusão de palavras &lt;br /&gt;estava: tarde, tarde... em todas elas. &lt;br /&gt;Não olho ainda para fora, mas rasgam-se já &lt;br /&gt;as longas linhas, e as palavras rolam &lt;br /&gt;dos seus fios, para onde elas querem. &lt;br /&gt;Então sei: sobre os jardins &lt;br /&gt;transbordantes, radiantes, abriram-se os céus; &lt;br /&gt;o sol deve ter surgido de novo.  &lt;br /&gt;E agora cai a noite de Verão, até onde a vista alcança: &lt;br /&gt;o que está disperso ordena-se em poucos grupos, &lt;br /&gt;obscuramente, pelos longos caminhos vão pessoas &lt;br /&gt;e estranhamente longe, como se significasse algo mais, &lt;br /&gt;ouve-se o pouco que ainda acontece. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando agora levantar os olhos deste livro, &lt;br /&gt;nada será estranho, tudo grande. &lt;br /&gt;Aí fora existe o que vivo dentro de mim &lt;br /&gt;e aqui e mais além nada tem fronteiras; &lt;br /&gt;apenas me entreteço mais ainda com ele &lt;br /&gt;quando o meu olhar se adapta às coisas &lt;br /&gt;e à grave simplicidade das multidões,  &lt;br /&gt;então a terra cresce acima de si mesma. &lt;br /&gt;E parece que abarca todo o céu: &lt;br /&gt;a primeira estrela é como a última casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rainer Maria Rilke, in &quot;O Livro das Imagens&quot; &lt;br /&gt;Tradução de Maria João Costa Pereira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Wed, 05 Sep 2012 22:04:47 +0000</pubDate>
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      <title>Cartas a um jovem poeta </title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1767</link>
      <description>&lt;br /&gt;(Primeira carta)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paris, 17 de fevereiro de 1903&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prezadíssimo Senhor, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua carta alcançou-me apenas há poucos dias. Quero agradecer-lhe a grande e amável confiança. Pouco mais posso fazer. Não posso entrar em considerações acerca da feição de seus versos, pois sou alheio a toda e qualquer intenção crítica. Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que palavras de crítica, que sempre resultam em mal-entendidos mais ou menos felizes. As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizívies quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou. Menos suscetíveis de expressão do que qualquer outra coisa são as obras de arte,  seres misteriosos cuja vida perdura, ao lado da nossa, efêmera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de feito este reparo, dir-lhe-ei ainda que seus versos não possuem feição própria, somente acenos discretos e velados de personalidade. É o que sinto com a maior clareza no último poema Minha alma. Aí, algo de peculiar procura expressão e forma. No belo poema A Leopardi talvez uma espécie de parentesco com esse grande solitário esteja apontando. No entanto, as poesias nada têm ainda de próprio e de independente, nem mesmo a última, nem mesmo a dirigida a Leopardi. Sua amável carta que as acompanha não deixou de me explicar certa insuficiência que senti ao ler seus versos sem que a pudesse definir explicitamente. Pergunta se os seus versos são bons. Pergunta-o a mim, depois de o ter perguntado a outras pessoas. Manda-os a periódicos, compara-os com outras poesias e inquieta-se quando suas tentativas são recusadas por um ou outro redator. Pois bem  usando da licença que me deu de aconselhá-lo  peço-lhe que deixe tudo isso. O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar,  ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: &quot;Sou mesmo forçado a escrever? Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples &quot;sou&quot;, então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde. Não escreva poesias de amor. Evite de início as formas usais e demasiado comuns: são essas as mais difíceis, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para se produzir algo de pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes. Eis por que deve fugir dos motivos gerais para aqueles que a sua própria existência cotidiana lhe oferece; relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza  relate tudo isto com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas do seu ambiente, as imagens dos seus sonhos e os objetos de sua lembrança. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, esta esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações? Volte a atenção para ela. Procure soerguer as sensações submersas deste longínquo passado: sua personalidade há de reforçar-se, sua solidão há de alargar-se e transformar-se numa habitação entre o lusco e fusco diante do qual o ruído dos outros passa longe, sem nela penetrar. Se depois desta volta para dentro, deste ensimesmar-se, brotarem versos, não mais pensará em perguntar seja a quem for se são bons. Nem tão pouco tentará interessar as revistas por esses seus trabalhos, pois há de ver neles sua querida propriedade natural, um pedaço e uma voz de sua vida. Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade. Neste caráter de origem está o seu critério,  o único existente. Também, meu prezado Senhor, não lhe posso dar outro conselho fora deste: entrar em si e examinar as profundidades de onde jorra sua vida; na fonte desta é que encontrará resposta à questão de saber se deve criar. Aceite-a tal como se lhe apresentar à primeira vista sem procurar interpretá-la. Talvez venha significar que o Senhor é chamado a ser um artista. Nesse caso aceite o destino e carregue-o com seu peso e a sua grandeza, sem nunca se preocupar com recompensa que possa vir de fora. O criador, com efeito, deve ser um mundo para si mesmo e encontrar tudo em si e nessa natureza a que se aliou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas talvez se dê o caso de, após essa decida em si mesmo e em seu âmago solitário, ter o Senhor de renunciar a se tornar poeta. (Basta como já disse, sentir que se poderia viver sem escrever para não mais se ter o direito de fazê-lo). Mesmo assim, o exame de sua consciência que lhe peço não terá sido inútil. Sua vida, a partir desse momento, há de encontrar caminhos próprios. Que sejam bons, ricos e largos é o que lhe desejo, muito mais do que lhe posso exprimir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que mais lhe devo dizer? Parece-me que tudo foi acentuado segundo convinha. Afinal de contas, queria apenas sugerir-lhe que se deixasse chegar com discrição e gravidade ao termo de sua evolução. Nada a poderia perturbar mais do que olhar para fora e aguardar de fora respostas a perguntas a que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi com alegria que encontrei em sua carta o nome do professor Horacek; guardo por este amável sábio uma grande estima e uma gratidão que desafia os anos. Fale-lhe, por favor, neste meu sentimento. É bondade dele lembrar-se ainda de mim; e eu sei apreciá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Restituo-lhe ao mesmo tempo os versos que me veio confiar amigavelmente. Agradeço-lhe mais uma vez a grandeza e a cordialidade de sua confiança. Procurei por meio desta resposta sincera, feita o melhor que pude, tornar-me um pouco mais digno dela do que realmente sou, em minha qualidade de estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com todo o devotamento e toda a simpatia,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rainer Maria Rilke</description>
      <pubDate>Sun, 24 Jun 2012 22:52:25 +0000</pubDate>
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      <title>O mundo estava no rosto da amada</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1388</link>
      <description>poeta: Rainer Maria Rilke&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;&lt;em&gt;Rainer Maria Rilke nasceu em Praga em 4 de dezembro de 1875. É considerado como um dos mais importantes poetas modernos da literatura e língua alemã, por sua obra inovadora e seu incomparável estilo lírico.&quot;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo estava no rosto da amada -&lt;br /&gt;e logo converteu-se em nada, em&lt;br /&gt;mundo fora do alcance, mundo-além. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que não o bebi quando o encontrei&lt;br /&gt;no rosto amado, um mundo à mão, ali,&lt;br /&gt;aroma em minha boca, eu só seu rei? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi.&lt;br /&gt;Mas eu também estava pleno de&lt;br /&gt;mundo e, bebendo, eu mesmo transbordei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tradução: Augusto de Campos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Tue, 31 May 2011 22:55:27 +0000</pubDate>
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