<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0">
  <channel>
    <title>Luso-Poemas</title>
    <link>https://www.luso-poemas.net/</link>
    <description>Poemas, frases e mensagens</description>
    <lastBuildDate>Fri, 22 May 2026 20:31:23 +0000</lastBuildDate>
    <docs>http://backend.userland.com/rss/</docs>
    <generator>XOOPS</generator>
    <category>Cecília Meireles</category>
    <managingEditor>admin at luso-poemas dot net</managingEditor>
    <webMaster>admin at luso-poemas dot net</webMaster>
    <language>pt_BR</language>
        <image>
      <title>Luso-Poemas</title>
      <url>https://www.luso-poemas.net/images/logo.gif</url>
      <link>https://www.luso-poemas.net/</link>
      <width>144</width>
      <height>150</height>
    </image>
            <item>
      <title>A Velhice Pede Desculpas</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1920</link>
      <description>A Velhice Pede Desculpas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TÃ£o velho estou como Ã¡rvore no inverno, &lt;br /&gt;vulcÃ£o sufocado, pÃ¡ssaro sonolento. &lt;br /&gt;TÃ£o velho estou, de pÃ¡lpebras baixas, &lt;br /&gt;acostumado apenas ao som das mÃºsicas, &lt;br /&gt;Ã  forma das letras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fere-me a luz das lÃ¢mpadas, o grito frenÃ©tico &lt;br /&gt;dos provisÃ³rios dias do mundo: &lt;br /&gt;Mas hÃ¡ um sol eterno, eterno e brando &lt;br /&gt;e uma voz que nÃ£o me canso, muito longe, de ouvir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpai-me esta face, que se fez resignada: &lt;br /&gt;jÃ¡ nÃ£o Ã© a minha, mas a do tempo, &lt;br /&gt;com seus muitos episÃ³dios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpai-me nÃ£o ser bem eu: &lt;br /&gt;mas um fantasma de tudo. &lt;br /&gt;Recebereis em mim muitos mil anos, Ã© certo, &lt;br /&gt;com suas sombras, porÃ©m, suas interminÃ¡veis sombras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpai-me viver ainda: &lt;br /&gt;que os destroÃ§os, mesmo os da maior glÃ³ria, &lt;br /&gt;sÃ£o na verdade sÃ³ destroÃ§os, destroÃ§os. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CecÃ­lia Meireles, in &amp;#039;Poemas (1958)&amp;#039;</description>
      <pubDate>Wed, 17 Apr 2013 19:39:56 +0000</pubDate>
      <guid>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1920</guid>
    </item>
        <item>
      <title>Som</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1857</link>
      <description>&lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Alma divina,&lt;br /&gt;Por onde me andas?&lt;br /&gt;Noite sozinha,&lt;br /&gt;lÃ¡grimas, tantas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sopro imenso,&lt;br /&gt;Alma divina, &lt;br /&gt;Em esquecimento&lt;br /&gt;Desmancha a vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa-me ainda&lt;br /&gt;Pensar que voltas,&lt;br /&gt;Alma divina,&lt;br /&gt;Coisa remota!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo era tudo&lt;br /&gt;Quando eras minhas&lt;br /&gt;e eu era tua,&lt;br /&gt;alma divina! &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;</description>
      <pubDate>Wed, 13 Feb 2013 00:34:42 +0000</pubDate>
      <guid>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1857</guid>
    </item>
        <item>
      <title>Primavera</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1808</link>
      <description>A primavera chegarÃ¡, mesmo que ninguÃ©m mais saiba seu nome, nem acredite no calendÃ¡rio, nem possua jardim para recebÃª-la. A inclinaÃ§Ã£o do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chÃ£o, comeÃ§am a preparar sua vida para a primavera que chega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finos clarins que nÃ£o ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raÃ­zes, Â— e arautos sutis acordarÃ£o as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espÃ­rito das flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HÃ¡ bosques de rododendros que eram verdes e jÃ¡ estÃ£o todos cor-de-rosa, como os palÃ¡cios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos comeÃ§am a ensaiar as Ã¡rias tradicionais de sua naÃ§Ã£o. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, Â— e certamente conversam: mas tÃ£o baixinho que nÃ£o se entende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo cÃ©u o primeiro raio de sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta Ã© uma primavera diferente, com as matas intactas, as Ã¡rvores cobertas de folhas, Â— e sÃ³ os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braÃ§os carregados de flores, e vem danÃ§ar neste mundo cÃ¡lido, de incessante luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Ã© certo que a primavera chega. Ã‰ certo que a vida nÃ£o se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuaÃ§Ã£o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terÃ£o a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do cÃ©u. E os pÃ¡ssaros serÃ£o outros, com outros cantos e outros hÃ¡bitos, Â— e os ouvidos que por acaso os ouvirem nÃ£o terÃ£o nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto hÃ¡ primavera, esta primavera natural, prestemos atenÃ§Ã£o ao sussurro dos passarinhos novos, que dÃ£o beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas Ã¡rvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estÃ£o sendo tecidos os manacÃ¡s roxos e brancos; e a eufÃ³rbia se vai tornando pulquÃ©rrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardÃªnias ainda estÃ£o sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lanÃ§ado ao vento, Â— por fidelidade Ã  obscura semente, ao que vem, na rotaÃ§Ã£o da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida Â— e efÃªmera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto extraÃ­do do livro &quot;CecÃ­lia Meireles - Obra em Prosa - Volume 1&quot;, Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pÃ¡g. 366.&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Sun, 23 Sep 2012 20:14:20 +0000</pubDate>
      <guid>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1808</guid>
    </item>
        <item>
      <title>CrianÃ§a</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1796</link>
      <description>Cabecinha boa de menino triste, &lt;br /&gt;de menino triste que sofre sozinho, &lt;br /&gt;que sozinho sofre, Â— e resiste, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabecinha boa de menino ausente, &lt;br /&gt;que de sofrer tanto se fez pensativo, &lt;br /&gt;e nÃ£o sabe mais o que sente... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabecinha boa de menino mudo &lt;br /&gt;que nÃ£o teve nada, que nÃ£o pediu nada, &lt;br /&gt;pelo medo de perder tudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabecinha boa de menino santo &lt;br /&gt;que do alto se inclina sobre a Ã¡gua do mundo &lt;br /&gt;para mirar seu desencanto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ver passar numa onda lenta e fria &lt;br /&gt;a estrela perdida da felicidade &lt;br /&gt;que soube que nÃ£o possuiria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CecÃ­lia Meireles, in &#039;Viagem&#039;&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Wed, 12 Sep 2012 14:24:11 +0000</pubDate>
      <guid>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1796</guid>
    </item>
        <item>
      <title>Recado aos Amigos Distantes</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1771</link>
      <description>Meus companheiros amados, &lt;br /&gt;nÃ£o vos espero nem chamo: &lt;br /&gt;porque vou para outros lados. &lt;br /&gt;Mas Ã© certo que vos amo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre os que estÃ£o mais perto &lt;br /&gt;fazem melhor companhia. &lt;br /&gt;Mesmo com sol encoberto, &lt;br /&gt;todos sabem quando Ã© dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo vosso campo imenso, &lt;br /&gt;vou cortando meus atalhos. &lt;br /&gt;Por vosso amor Ã© que penso &lt;br /&gt;e me dou tantos trabalhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NÃ£o condeneis, por enquanto, &lt;br /&gt;minha rebelde maneira. &lt;br /&gt;Para libertar-me tanto, &lt;br /&gt;fico vossa prisioneira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que longe pareÃ§a, &lt;br /&gt;ides na minha lembranÃ§a, &lt;br /&gt;ides na minha cabeÃ§a, &lt;br /&gt;valeis a minha EsperanÃ§a. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CecÃ­lia Meireles, in &#039;Poemas (1951)&#039;</description>
      <pubDate>Wed, 04 Jul 2012 19:32:01 +0000</pubDate>
      <guid>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1771</guid>
    </item>
      </channel>
</rss>