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    <title>Luso-Poemas</title>
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    <description>Poemas, frases e mensagens</description>
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    <category>Gregório de Matos</category>
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      <title>Luso-Poemas</title>
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      <title>Soneto - Carregado de mim ando no mundo</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=5012</link>
      <description>Carregado de mim ando no mundo, &lt;br /&gt;E o grande peso embarga-me as passadas, &lt;br /&gt;Que como ando por vias desusadas, &lt;br /&gt;FaÃ§o o peso crescer, e vou-me ao fundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O remÃ©dio serÃ¡ seguir o imundo &lt;br /&gt;Caminho, onde dos mais vejo as pisadas, &lt;br /&gt;Que as bestas andam juntas mais ousadas, &lt;br /&gt;Do que anda sÃ³ o engenho mais profundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NÃ£o Ã© fÃ¡cil viver entre os insanos, &lt;br /&gt;Erra, quem presumir que sabe tudo, &lt;br /&gt;Se o atalho nÃ£o soube dos seus danos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prudente varÃ£o hÃ¡ de ser mudo, &lt;br /&gt;Que Ã© melhor neste mundo, mar de enganos, &lt;br /&gt;Ser louco c&#039;os demais, que sÃ³, sisudo.</description>
      <pubDate>Mon, 26 May 2014 18:34:00 +0000</pubDate>
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      <title>Segunda ImpaciÃªncia do Poeta</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1441</link>
      <description>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;					Cresce o desejo, falta o sofrimento, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;					Sofrendo morro, morro desejando, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;					Por uma, e outra parte estou penando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;					Sem poder dar alÃ­vio a meu tormento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;					Se quero declarar meu pensamento, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;					EstÃ¡-me um gesto grave acobardando, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;					E tenho por melhor morrer calando, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;					Que fiar-me de um nÃ©scio atrevimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;					Quem pretende alcanÃ§ar, espera, e cala, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;					Porque quem temerÃ¡rio se abalanÃ§a, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;					Muitas vezes o amor o desiguala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;					Pois se aquele, que espera se alcanÃ§a, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;					Quero ter por melhor morrer sem fala, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;					Que falando, perder toda esperanÃ§a.&lt;br /&gt;</description>
      <pubDate>Sun, 31 Jul 2011 14:23:46 +0000</pubDate>
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      <title>Por consoantes que se deram forÃ§ados</title>
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      <description>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste mundo Ã© mais rico o que mais rapa:&lt;br /&gt;Quem mais limpo se faz, tem mais carepa;&lt;br /&gt;Com sua lÃ­ngua, ao nobre o vil decepa:&lt;br /&gt;O velhaco maior sempre tem capa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mostra o patife da nobreza o mapa:&lt;br /&gt;Quem tem mÃ£o de agarrar, ligeiro trepa:&lt;br /&gt;Quem menos falar pode, mais increpa:&lt;br /&gt;Quem dinheiro tiver, pode ser papa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A flor baixa, se inculca por tulipa:&lt;br /&gt;Bengala hoje na mÃ£o, ontem garlopa:&lt;br /&gt;Mais isento se mostra o que mais chupa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a tropa do trapo vazo a tripa:&lt;br /&gt;E mais nÃ£o digo; porque a Musa topa&lt;br /&gt;Em apa, em epa, em ipa, em opa, em upa.</description>
      <pubDate>Thu, 07 Jul 2011 22:33:51 +0000</pubDate>
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      <title>Aos vÃ­cios</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1425</link>
      <description>Aos vÃ­cios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou aquele que os passados anos&lt;br /&gt;Cantei na minha lira maldizente&lt;br /&gt;Torpezas do Brasil, vÃ­cios e enganos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E bem que os descantei bastantemente,&lt;br /&gt;Canto segunda vez na mesma lira&lt;br /&gt;O mesmo assunto em pletro diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JÃ¡ sinto que me inflama e que me inspira&lt;br /&gt;TalÃ­a, que anjo Ã© da minha guarda&lt;br /&gt;Des que Apolo mandou que me assistira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arda Baiona, e todo o mundo arda,&lt;br /&gt;Que a quem de profissÃ£o falta Ã  verdade&lt;br /&gt;Nunca a dominga das verdades tarda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum tempo excetua a cristandade&lt;br /&gt;Ao pobre pegureiro do Parnaso&lt;br /&gt;Para falar em sua liberdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A narraÃ§Ã£o hÃ¡ de igualar ao caso,&lt;br /&gt;E se talvez ao caso nÃ£o iguala,&lt;br /&gt;NÃ£o tenho por poeta o que Ã© PÃ©gaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que pode servir calar quem cala?&lt;br /&gt;Nunca se hÃ¡ de falar o que se sente?!&lt;br /&gt;Sempre se hÃ¡ de sentir o que se fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual homem pode haver tÃ£o paciente,&lt;br /&gt;Que, vendo o triste estado da Bahia,&lt;br /&gt;NÃ£o chore, nÃ£o suspire e nÃ£o lamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto faz a discreta fantasia:&lt;br /&gt;Discorre em um e outro desconcerto,&lt;br /&gt;Condena o roubo, increpa a hipocrisia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nÃ©scio, o ignorante, o inexperto,&lt;br /&gt;Que nÃ£o eleje o bom, nem mau reprova,&lt;br /&gt;Por tudo passa deslumbrado e incerto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando vÃª talvez na doce treva&lt;br /&gt;Louvado o bem, e o mal vituperado,&lt;br /&gt;A tudo faz focinho, e nada aprova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz logo prudentaÃ§o e repousado:&lt;br /&gt;- Fulano Ã© um satÃ­rico, Ã© um louco,&lt;br /&gt;De lÃ­ngua mÃ¡, de coraÃ§Ã£o danado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NÃ©scio, se disso entendes nada ou pouco,&lt;br /&gt;Como mofas com riso e algazarras&lt;br /&gt;Musas, que estimo ter, quando as invoco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se souberas falar, tambÃ©m falaras,&lt;br /&gt;TambÃ©m satirizaras, se souberas,&lt;br /&gt;E se foras poeta, poetizaras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ignorÃ¢ncia dos homens destas eras&lt;br /&gt;Sisudos faz ser uns, outros prudentes,&lt;br /&gt;Que a mudez canoniza bestas feras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HÃ¡ bons, por nÃ£o poder ser insolentes,&lt;br /&gt;Outros hÃ¡ comedidos de medrosos,&lt;br /&gt;NÃ£o mordem outros nÃ£o - por nÃ£o ter dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos hÃ¡ que os telhados tÃªm vidrosos,&lt;br /&gt;e deixam de atirar sua pedrada,&lt;br /&gt;De sua mesma telha receosos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma sÃ³ natureza nos foi dada;&lt;br /&gt;NÃ£o criou Deus os naturais diversos;&lt;br /&gt;Um sÃ³ AdÃ£o criou, e esse de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos somos ruins, todos perversos,&lt;br /&gt;SÃ³ os distingue o vÃ­cio e a virtude,&lt;br /&gt;De que uns sÃ£o comensais, outros adversos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem maior a tiver, do que eu ter pude,&lt;br /&gt;Esse sÃ³ me censure, esse me note,&lt;br /&gt;Calem-se os mais, chitom, e haja saÃºde.</description>
      <pubDate>Sun, 03 Jul 2011 20:47:33 +0000</pubDate>
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      <title>Vida e Obra</title>
      <link>https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1423</link>
      <description>&lt;br /&gt;GregÃ³rio de Matos Guerra, advogado e poeta, nasceu na entÃ£o capital do Brasil, Salvador, BA, em 7 de abril de 1623, numa Ã©poca de grande efervescÃªncia social, e faleceu em Recife, PE, em 1696. Ã‰ o patrono da Cadeira n. 16 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Araripe JÃºnior. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram seus pais GregÃ³rio de Matos, fidalgo da sÃ©rie dos Escudeiros, do Minho, Portugal, e Maria da Guerra, respeitÃ¡vel matrona. Estudou Humanidades no ColÃ©gio dos JesuÃ­tas e depois transferiu-se para Coimbra, onde se formou em Direito. Sua tese de doutoramento, toda ela escrita em latim, encontra-se na Biblioteca Nacional. Exerceu em Portugal os cargos de curador de Ã³rfÃ£os e de juiz criminal e lÃ¡ escreveu o poema satÃ­rico MarinÃ­colas. Desgostoso, nÃ£o se adaptou Ã  vida na metrÃ³pole, regressando ao Brasil aos 47 anos de idade. Na Bahia, recebeu do primeiro arcebispo, D. Gaspar Barata, os cargos de vigÃ¡rio-geral (sÃ³ com ordens menores) e de tesoureiro-mor, mas foi deposto por nÃ£o querer completar as ordens eclesiÃ¡sticas. Apaixonou-se pela viÃºva Maria de Povos, com quem passou a viver, com prodigalidade, atÃ© ficar reduzido Ã  misÃ©ria. Passou a viver existÃªncia boÃªmia, aborrecido do mundo e de todos, e a todos satirizando com mordacidade. O governador D. JoÃ£o de Alencastre, que primeiro queria protegÃª-lo, teve afinal de mandÃ¡-lo degredado para Angola, a fim de o afastar da vinganÃ§a de um sobrinho de seu antecessor, AntÃ´nio LuÃ­s da CÃ¢mara Coutinho, por causa das sÃ¡tiras que sofrera o tio. Chegou a partir para o desterro, e advogava em Luanda, mas pÃ´de voltar ao Brasil para prestar algum serviÃ§o ao Governador. Estabelecendo-se em Pernambuco, ali conseguiu fazer-se mais querido do que na Bahia, atÃ© que faleceu, reconciliado como bom cristÃ£o, em 1696, ao 73 anos de idade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como poeta de inesgotÃ¡vel fonte satÃ­rica nÃ£o poupava ao governo, Ã  falsa nobreza da terra e nem mesmo ao clero. NÃ£o lhe escaparam os padres corruptos, os reinÃ³is e degredados, os mulatos e emboabas, os Â“caramurusÂ”, os arrivistas e novos-ricos, toda uma burguesia improvisada e inautÃªntica, exploradora da colÃ´nia. Perigoso e mordaz, apelidaram-no de Â“O Boca do InfernoÂ”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o primeiro poeta a cantar o elemento brasileiro, o tipo local, produto do meio geogrÃ¡fico e social. Influenciado pelos mestres espanhÃ³is da Ã‰poca de Ouro GÃ³ngora, Quevedo, GraciÃ¡n, CalderÃ³n sua poesia Ã© a maior expressÃ£o do Barroco literÃ¡rio brasileiro, no lirismo. Sua obra compreende: poesia lÃ­rica, sacra, satÃ­rica e erÃ³tica. Ao seu tempo a imprensa estava oficialmente proibida. Suas poesias corriam em manuscritos, de mÃ£o em mÃ£o, e o Governador da Bahia D. JoÃ£o de Alencastre, que tanto admirava Â“as valentias desta musaÂ”, coligia os versos de GregÃ³rio e os fazia transcrever em livros especiais. Ficaram tambÃ©m cÃ³pias feitas por admiradores, como Manuel Pereira Rabelo, biÃ³grafo do poeta. Por isso Ã© temerÃ¡rio afirmar que toda a obra a ele atribuÃ­da haja sido realmente de sua autoria. Entre os melhores cÃ³dices e os mais completos, destacam-se o que se encontra na Biblioteca Nacional e o de Varnhagen no PalÃ¡cio Itamarati.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua obra foi editada na ColeÃ§Ã£o AfrÃ¢nio Peixoto (1a fase), da Academia Brasileira de Letras, em seis volumes, assim distribuÃ­da: I Sacra (1923); II LÃ­rica (1923); Graciosa (1930); IV-V SatÃ­rica (1930); VI Ãšltima (1933). Na Biblioteca Municipal de SÃ£o Paulo hÃ¡ uma cÃ³pia datilografada dos versos pornogrÃ¡ficos de GregÃ³rio de Matos, com o tÃ­tulo SÃ¡tiras SotÃ¡dicas de GregÃ³rio de Matos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Fonte: Academia Brasileira de Letras.</description>
      <pubDate>Sat, 02 Jul 2011 23:20:18 +0000</pubDate>
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