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    <title>Luso-Poemas</title>
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    <description>Poemas, frases e mensagens</description>
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    <category>José Paulo Paes</category>
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      <title>Vida e Obra</title>
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      <description>JosÃ© Paulo Paes (Taquaritinga, 1926 Â— SÃ£o Paulo, SÃ£o Paulo, 9 de outubro de 1998) foi um poeta, tradutor, crÃ­tico literÃ¡rio e ensaÃ­sta brasileiro.&lt;br /&gt;Tendo estudado quÃ­mica industrial na cidade de Curitiba (entre 1945 e 1948), durante muitos anos JosÃ© Paulo trabalhou em laboratÃ³rio farmacÃªutico. Todavia, paralelo a essa profissÃ£o jamais deixou de lado a literatura, cujo interesse foi lhe passado pelo avÃ´ que era livreiro, sendo que ainda nos tempos de aluno em Curitiba, jÃ¡ colaborava com a revista Joaquim, dirigida por Dalton Trevisan. Dessa temporada paranaense nasce seu livro de estrÃ©ia, O aluno, de 1947, fortemente influenciado pela poesia de Carlos Drummond de Andrade, o qual o respondeu com o conselho de evitar a imitaÃ§Ã£o de vozes alheias.&lt;br /&gt;Em 1949, transfere-se para SÃ£o Paulo, quando passa a colaborar com os jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Tempo, Jornal de NotÃ­cias e Revista Brasiliense, aproximando-se de escritores modernistas como Graciliano Ramos, Jorge Amado e Oswald de Andrade. Conhece tambÃ©m Dora, sua mulher por toda a vida a quem dedicou CÃºmplices, de 1951, seu segundo livro. Por falta de um estudo melhor, sua obra foi comparada Ã s dos poetas da GeraÃ§Ã£o de 45, tendo inclusive participado de uma antologia na companhia de Haroldo de Campos e DÃ©cio Pignatari, quando eram chamados de Â“NovÃ­ssimosÂ”, ou seja antes da eclosÃ£o da poesia concreta, Ã  qual ZÃ© Paulo soube com inteligÃªncia absorver, cujos resultados apareceram em seu livro Anatomias de 1967, apresentado justamente por Augusto de Campos. Mais que poesia concreta seu livro aproveitava um ritmo mais oswaldiano, como nos poemas Â“L&#039;affaire SardinhaÂ” (que fora publicado em 1962 na antologia ViolÃ£o de Rua, da UNE) e o conhecido Â“EpitÃ¡fio para um BanqueiroÂ”&lt;br /&gt;Por volta de 1963, ZÃ© Paulo dÃ¡ inÃ­cio a um trabalho editorial intenso Ã  frente da Editora Cultrix, abandonando o trabalho como quÃ­mico, dedicando-se a partir de entÃ£o integralmente Ã  literatura. Na companhia de Massaud MoisÃ©s foi organizador do Pequeno DicionÃ¡rio de Literatura Brasileira, publicado pela Editora Cultriz em 1967.&lt;br /&gt;Em 1981,JosÃ© Paulo aposenta-se como editor, dando inÃ­cio a um dos mais competentes trabalhos de traduÃ§Ã£o entre os escritores brasileiros, verteu para o portuguÃªs autores de diversas lÃ­nguas, como Charles Dickens, Joseph Conrad, Pietro Aretino, KonstantÃ­nos KavÃ¡fis, Laurence Sterne, W. H. Auden, William Carlos Williams, J.K. Huysmans, Paul Ã‰luard, HÃ¶lderlin, Paladas de Alexandria, Edward Lear, Rilke, SefÃ©ris, Lewis Carroll, OvÃ­dio, NÃ­kos KazantzÃ¡kis, entre outros tantos. Seu reconhecimento na matÃ©ria resultou em sua nomeaÃ§Ã£o como Diretor da oficina de traduÃ§Ã£o de poesia no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).&lt;br /&gt;Em 1986 vem a pÃºblico o livro Um por todos, reuniÃ£o de seu trabalho atÃ© entÃ£o, apresentado pelo crÃ­tico Alfredo Bosi. Vem ainda da dÃ©cada de 1980 seu interesse pela poesia infantil, com a qual alcanÃ§ou grande Ãªxito entre as crianÃ§as.&lt;br /&gt;Em 1989, ZÃ© Paulo lanÃ§a pela coleÃ§Ã£o Claro Enigma, organizada por Augusto Massi, o livro &quot;A poesia estÃ¡ morta mas eu juro que nÃ£o fui eu&quot;, tÃ­tulo extraÃ­do do poema &quot;Acima de qualquer suspeita&quot;.&lt;br /&gt;Na dÃ©cada de 1990 dÃ¡ seqÃ¼Ãªncia ao seu trabalho, lanÃ§ando diversos livros de ensaios, poemas infantis, traduÃ§Ãµes e poesia, sendo um dos mais bem recebidos &quot;Prosas seguidas de odes mÃ­nimas&quot;, livro no qual reflete um momento difÃ­cil de sua vida, quando tem uma perna amputada, como pode-se ler no poema &quot;Ode Ã  minha perna esquerda&quot;:&lt;br /&gt;Ao falecer em 1998, deixou inÃ©dito o livro &quot;SocrÃ¡ticas&quot; que veio a pÃºblico em 2001.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevista por Rodrigo de Souza LeÃ£o com JosÃ© Paulo Paes &lt;br /&gt;jun/98&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal de Poesia - O que o poeta deve ter, de menino, para realizar o seu trabalho? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JosÃ© Paulo Paes - Uma pequena objeÃ§Ã£o: poesia nÃ£o Ã© trabalho, Ã© vocaÃ§Ã£o. Para realizar a sua vocaÃ§Ã£o, todo e qualquer poeta deve preservar o menino que todos trazemos dentro de nÃ³s mas que a vida dita prÃ¡tica nos obriga freqÃ¼entemente a renegar. O poeta Ã© aquele que se recusa a renegÃ¡-lo. E, paradoxalmente, Ã© esse menino que o torna o poeta o mais agudo dos adultos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal de Poesia - O que busca na sua infÃ¢ncia para elaboraÃ§Ã£o dos seus poemas? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JPP - NÃ£o creio que se trate de uma busca deliberada. A rigor, o poeta nÃ£o escreve o poema: o poema Ã© que se escreve atravÃ©s dele. NÃ£o que o poeta escreva Ã s cegas, como um medium em transe. Mas a minha experiÃªncia me indica que o embriÃ£o do poema nasce por si, fruto de uma intuiÃ§Ã£o ou inspiraÃ§Ã£o. Ã€ artesania do poeta compete levar o embriÃ£o atÃ© o fruto final. As mais das vezes, tal embriÃ£o Ã© feito de uma ou mais proteÃ­nas da infÃ¢ncia. Todavia, sÃ³ as descobrimos a posteriori, quando o poema se completa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal de Poesia - Como brincar de poesia sem ser infantil? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JPP - Sendo apenas e tÃ£o-somente poeta, tipo de homem que se orgulho de ser um adulto infantil ou uma crianÃ§a adulta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal de Poesia - Qual a diferenÃ§a entre brincar com palavras e brincar simplesmente? A poesia Ã© uma brincadeira? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JPP - VocÃª estÃ¡ levando ao pÃ© da letra o que Â“ConviteÂ” diz. Nunca se deve levar um poema ao pÃ© da letra. A poesia estÃ¡ sempre alÃ©m da letra. O que eu quis dizer em Â“ConviteÂ” Ã© quem se nÃ£o se deleita, passiva ou ativamente, no convÃ­vio com as palavras, jamais conseguirÃ¡ descobrir o que seja poesia. A quel Ã©, no meu entender, a festa das palavras. Festa no sentido de alegria gratuita, em contraposiÃ§Ã£o a utilizaÃ§Ã£o interesseira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal de Poesia - Como se fundem, num mesmo escritor, o ensaÃ­sta, o tradutor e o poeta? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JPP - Nenhum de nÃ³s Ã© um sÃ³. Se o fÃ´ssemos, a vida seria insuportÃ¡vel. JÃ¡ imaginou alguÃ©m que pudesse ser, por exemplo, funcionÃ¡rio pÃºblico 24 horas por dia? AlguÃ©m que tambÃ©m tambÃ©m nÃ£o fosse pai que brinca com os filhos, torcedor que sofre e se alegra pelo seu time, danÃ§arino ou ouvinte de mÃºsica? No meu caso, o poeta Ã© o ponto de partida. NÃ£o acredito em poeta que nÃ£o pense acerca do seu ofÃ­cio: daÃ­ o ensaÃ­sta. Nem acredito em poeta que nÃ£o aprenda com outros poetas, principalmente de outras lÃ­nguas que nÃ£o a sua prÃ³pria: daÃ­ o tradutor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal de Poesia - Em Â“Acima de qualquer suspeitaÂ” o senhor jura que nÃ£o matou a poesia. Quem a matou? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JPP - A poesia morre toda vez que se publica um mau poema. Por isso mesmo, sÃ³ publico um poema quando acho que estou de mÃ£os limpas. Se me enganei, perdÃ£o: mandem-me para a guilhotina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal de Poesia - Sobre os poetas que o influenciaram, alguns dos quais estÃ£o citados em Â“Acima de qualquer suspeitaÂ”. Fale um pouco de cada um. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JPP - Em vez de responder Ã  sua pergunta, que exigiria todo um ensaio para ser respondida, prefiro remetÃª-lo Ã  leitura dos poetas citados e, se ainda tiver interesse, da minha poesia. AÃ­ vocÃª verÃ¡ em que medida me influenciaram e em que medida lhes sublimei a influÃªncia numa dicÃ§Ã£o diferenciada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal de Poesia - Considera-se injustiÃ§ado, esquecido ou eclipsado por talentos duvidosos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JPP - NÃ£o, pelo contrÃ¡rio. Acho que mereci mais atenÃ§Ã£o do que talvez merecesse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal de Poesia -. Em Â“Elegia holandesaÂ” vocÃª utiliza a linguagem concreta. Que balanÃ§o faz desse movimento? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JPP - NÃ£o sou contabilista literÃ¡rio e nÃ£o tenho a menor vocaÃ§Ã£o para balanÃ§os -- a menos que seja balanÃ§o de samba. Tampouco creio que haja uma linguagem concreta. O que hÃ¡ sÃ£o alguns procedimentos verbais e visuais desenvolvidos pela poesia concreta. Deles me vali, a uma certa altura, para levar avante o gosto pelo humor que sempre foi consubstancial Ã  minha dicÃ§Ã£o de poeta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal de Poesia - Acredita em poesia sem linguagem poÃ©tica? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JPP - Depende. Se por linguagem poÃ©tica se entender linguagem enfeitada, repleta de metÃ¡foras que nÃ£o sejam consubstanciais ao que o poeta intenta dizer, ela em nada adianta Ã  poesia. Poesia, para mim, Ã© a capacidade de iluminar a linguagem de todos os dias, aprofundando-lhe os significados, tornando-os de tal modo memorÃ¡veis que eles nunca mais consigam separar-se do modo por que foram ditos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal de Poesia - Como definiria poesia? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JPP - NÃ£o tenho nenhuma definiÃ§Ã£o de bolso. AliÃ¡s, sou cÃ©tico quanto Ã s definiÃ§Ãµes de bolso. Mas poderia dizer que, ao longo da minha experiÃªncia pessoal, deparei-me com trÃªs concepÃ§Ãµes de poesia. Os professores do curso primÃ¡rio me incutiram a idÃ©ia de que ela era um tipo especial de linguagem rimada, metrificada e enfeitada, para ser declamada, mÃ£o no peito, durante as festas escolares. Mas os versos metafÃ­sicos de Augusto dos Anjos, com que travei contacto aos l5 ou 16 anos, abalaram essa idÃ©ia primeva ao convencer-me, pela forÃ§a do exemplo, de que poesia Ã© a linguagem de descoberta do mundo e das perplexidades que ele podia suscitar em nÃ³s. Tanto o mundo fora como o mundo dentro de nÃ³s. Um pouco mais tarde, com os seus poemas desafetados que estilizavam a linguagem coloquial, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade me ensinaram que poesia Ã© a redescoberta da novidade perene da vida nas pequenas/grandes coisas do dia a dia. Desde entÃ£o, em maior ou menor grau, venho tentando ser fiel, em quanto escrevo, a essas duas Ãºltimas concepÃ§Ãµes. Meu ideal poÃ©tico Ã© a desafetaÃ§Ã£o, a concisÃ£o e a intensidade postas todas a serviÃ§o da minha prÃ³pria visÃ£o de mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal de Poesia - Â“Lisboa: aventurasÂ” Ã© um poema-piada. Em que condiÃ§Ãµes o escreveu? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JPP - Certa vertente da geraÃ§Ã£o de 45 via com maus olhos o poema-piada. Pessoalmente, acho que o humor Ã© um dos ingredientes de base do sentimento poÃ©tico. Esse poema eu o escrevi por ocasiÃ£o de minha primeira viagem a Portugal, quando me diverti com as discrepÃ¢ncias vocabulares entre o falar brasileiro e o lusitano. Explorei caricaturalmente essas discrepÃ¢ncias sob a Ã©gide alusiva da Â“CanÃ§Ã£o do exÃ­lioÂ”, de GonÃ§alves Dias, que exprimiu emblematicamente, para alÃ©m das similitudes de origem, a diferencialidade de base entre o sentir brasileiro e o portuguÃªs. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal de Poesia - Seu poema Â“O engenheiroÂ” Ã© um exemplo de concisÃ£o. Como enriquecer o poema, cortando, lapidando, buscando a palavra exata? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JPP - Acho que Ã© uma questÃ£o de temperamento. Sempre tive, da poesia, uma concepÃ§Ã£o epigramÃ¡tica. O multum in parvo, o muito no pouco. Quanto menos palavras se use para dizer algo, maiores as possibilidades de dizÃª-lo melhor. Nesse poema especificamente, atravÃ©s de umas poucas notaÃ§Ãµes, tentei exprimir as minhas esperanÃ§as juvenis (escrevi-o aos 19 ou 20 anos) de um mundo construÃ­do com limpeza e solidariedade pela inteligÃªncia humana que fosse mais justo do que o mundo injusto em que eu prÃ³prio nascera. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal de Poesia - Em Â“O poeta e seu mestreÂ”, o poeta veste-se de mestre? Ã‰ preciso ser um pouco outro poeta para ser um grande poeta tambÃ©m? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JPP - Ao contrÃ¡rio do que vocÃª diz, nesse poema eu sou apenas o aprendiz da humilde grandeza humana de Carlitos. Â“O poeta e seu mestreÂ” apareceu no meu livro de estrÃ©ia cujo tÃ­tulo era O aluno. Por si sÃ³, tal tÃ­tulo responde Ã  sua segunda pergunta. O discÃ­pulo precisa de um mestre para deixar de ser discÃ­pulo e adquirir voz prÃ³pria. A esse voz prÃ³pria sempre aspirei. Mas nunca ambicionei ser um grande poeta. Ser poeta tout court jÃ¡ Ã© para mim dignidade bastante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal de Poesia - Â“CanÃ§Ã£o do afogadoÂ” Ã© belÃ­ssima. NÃ£o acha que a poesia estÃ¡ viva e muito? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JPP - Esse poema Ã© tambÃ©m um poema de juventude, com evidente influÃªncia bandeiriana, desde logo declarada no vocativo Â“ManinhaÂ” que se repete ao longo dele. Concordo em que a poesia estÃ¡ sempre viva, mesmo porque Ã© uma forma essencial de experiÃªncia humana, que sÃ³ poderia desaparecer com a extinÃ§Ã£o da nossa espÃ©cie. Quanto a estar Â“muito vivaÂ”, nÃ£o sei dizer. Contento-me em saber que nÃ£o morreu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal de Poesia - No soneto Â“O alunoÂ”, o senhor mostra mestria. Qual a semelhanÃ§a entre o poeta e um aluno? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JPP - Respondi implicitamente a essa pergunta mais acima, no item 4. Pelos poemas que vocÃª cita, vejo que, atravÃ©s da Internet, teve acesso apenas a poemas do meu livro de estrÃ©ia, O aluno, publicado em 1947, e a A poesia estÃ¡ morta mais juro que nÃ£o fui eu, de 1988. Mas depois de O aluno, e antes e depois de A poesia estÃ¡ morta mas juro que nÃ£o fui eu, publiquei vÃ¡rias outras coletÃ¢neas de poemas. Nesse sentido, atrevo-me a recomendar-lhe ler os meus livros de poemas, em vez de procurÃ¡-los apenas na Internet. NÃ£o escrevo para internautas; escrevo para leitores de livros. Se me permite uma sugestÃ£o, por que nÃ£o lÃª Prosas seguidas de Odes mÃ­nimas, publicado pela Cia. das Letras e ainda hoje encontrÃ¡vel nas boas livrarias? AtravÃ©s dele, vocÃª e outros freqÃ¼entadores do endereÃ§o eletrÃ´nico do seu Â“Jornal de PoesiaÂ” poderÃ£o ter uma idÃ©ia mais cabal da natureza e dos propÃ³sitos da minha atividade poÃ©tica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fontes: wikipÃ©dia e Jornal de Poeisa.</description>
      <pubDate>Thu, 02 Feb 2012 13:14:34 +0000</pubDate>
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      <title>GRAFITO</title>
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      <description>&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;neste lugar solitÃ¡rio&lt;br /&gt;o homem toda a manhÃ£&lt;br /&gt;tem o porte estatuÃ¡rio&lt;br /&gt;de um pensador de Rodin&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;neste lugar solitÃ¡rio&lt;br /&gt;                            extravasa sem sursis&lt;br /&gt;                            como um confessionÃ¡rio&lt;br /&gt;                            o mais Ã­ntimo de si&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                            neste lugar solitÃ¡rio&lt;br /&gt;                            arÃºspice desentranha&lt;br /&gt;                            o aflito vocabulÃ¡rio&lt;br /&gt;                            de suas prÃ³prias entranhas&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                            neste lugar solitÃ¡rio&lt;br /&gt;                            faz a conta doÃ­da:&lt;br /&gt;                            em lanÃ§amentos diÃ¡rios&lt;br /&gt;                            a soma de sua vida&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;</description>
      <pubDate>Tue, 31 Jan 2012 20:09:57 +0000</pubDate>
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      <title> TERMO DE RESPONSABILIDADE</title>
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      <description>&lt;br /&gt;                            &lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;mais nada&lt;br /&gt;                            a dizer: sÃ³ o vÃ­cio&lt;br /&gt;                            de roer os ossos&lt;br /&gt;                            do ofÃ­cio&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                            jÃ¡ nenhum estandarte&lt;br /&gt;                            Ã  mÃ£o&lt;br /&gt;                            enfim a tripa feita&lt;br /&gt;                            coraÃ§Ã£o&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                            silÃªncio&lt;br /&gt;                            por dentro sol de graÃ§a&lt;br /&gt;                            o resto literatura&lt;br /&gt;                            Ã s traÃ§as!   &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           </description>
      <pubDate>Tue, 31 Jan 2012 19:53:32 +0000</pubDate>
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      <title>LÂ´AFFAIRE SARDINHA</title>
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      <description>O bispo ensinou ao bugre&lt;br /&gt;Que pÃ£o nÃ£o Ã© pÃ£o, mas Deus&lt;br /&gt;Presente na eucaristia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como um dia faltasse&lt;br /&gt;PÃ£o ao bugre, ele comeu&lt;br /&gt;O bispo, eucaristicamente.</description>
      <pubDate>Tue, 31 Jan 2012 19:49:58 +0000</pubDate>
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      <title>CANÃ‡ÃƒO DO ADOLESCENTE</title>
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      <description>Se mais bem olhardes&lt;br /&gt;notareis que as rugas&lt;br /&gt;umas sÃ£o postiÃ§as&lt;br /&gt;outras literÃ¡rias.&lt;br /&gt;Notareis ainda&lt;br /&gt;o que mais escondo:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;a descontinuidade&lt;br /&gt;do meu corpo hÃ­brido.&lt;br /&gt;Quando corto a rua&lt;br /&gt;para me ocultar&lt;br /&gt;as mulheres riem&lt;br /&gt;(sempre tÃ£o agudas!)&lt;br /&gt;do meu pobre corpo.&lt;br /&gt;Que forÃ§a macabra&lt;br /&gt;misturou pedaÃ§os&lt;br /&gt;de crianÃ§a e homem&lt;br /&gt;para me criar?&lt;br /&gt;Se quereis salvar-me&lt;br /&gt;desta anatomia,&lt;br /&gt;batizai-me depressa&lt;br /&gt;com as inefÃ¡veis&lt;br /&gt;as assustadoras&lt;br /&gt;Ã¡guas do mundo.</description>
      <pubDate>Tue, 31 Jan 2012 19:44:25 +0000</pubDate>
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