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Re: Problemas bem Conhecidos
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Já não era sem tempo, mais vale tarde que nunca

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"Houve alguém que por aqui se enganou"
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«Houve alguém que se enganou por aqui»








https://www.abrilabril.pt/internaciona ... RZqROEnddbWsAOtSul8Nt9ikc














" . .....
Bruxelas erra nas contas: os povos é que pagam
Biden, Von der Layen e os seus agentes amestrados, sem esquecer Olaf Scholz e Emmanuel Macron, prometeram que as sanções iriam enfraquecer a Rússia e deixar o rublo de rastos. Mês e meio depois da entrada das tropas russas na Ucrânia, e apesar do roubo das reservas cambiais de Moscovo na Europa, o rublo está mais forte do que antes da guerra, o dólar continua a perder terreno como divisa internacional, substituído por combinações de moedas nacionais em negócios envolvendo as matérias-primas mais estratégicas, principalmente os combustíveis fósseis; e estão a ser dados os últimos passos para o lançamento de uma divisa comercial garantida por uma cesta de moedas e um conjunto das principais matérias-primas capaz de alimentar o comércio na maior parte do mundo, certamente entre a grande maioria da população mundial.




Perante estas tendências de imensa abrangência quais são os horizontes da União Europeia? As suas antigas colónias, muitas delas tentadas pelos novos ventos, recusando-se até a impor sanções à Rússia? A América Latina, onde não se registou um único caso significativo de ruptura com a Rússia, sem esquecer a disponibilidade para manter e desenvolver a cooperação com Moscovo e Pequim? É um facto que nas últimas semanas, coincidindo com os sucessivos pacotes de sanções contra a Rússia, se registaram sinais de maior consistência do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) – representando cerca de metade da população mundial. Certamente não é coincidência.



Deverá então a União Europeia virar-se ainda mais para os Estados Unidos? Um país que manda impor sanções contra a Rússia e que no último mês de Março aumentou em 21% as importações de petróleo russo enquanto obrigava a Europa a cortar totalmente o fluxo dessa matéria-prima?
https://www.statista.com/statistics/13 ... by-commodity-from-russia/



Havemos de Comprar Combustível aos EUA (armazenagem e proveniente da russia) 5x +
É uma estratégia que, lamentavelmente, também parece ser a única que resta aos 27. Dos Estados Unidos a Europa receberá comida transgénica; filmes idiotas ou de discurso de ódio; exemplos de xenofobia e racismo, com muito boa aceitação do lado de cá; gás natural que arruína vastas zonas continentais a um preço que poderá triplicar o que era pago pelo gás russo, mesmo que fosse em contas abertas em bancos moscovitas; receberá também petróleo, certamente parte daquele que Washington compra a Moscovo em tempo de sanções – com uma inapelável margem de lucro para o intermediário. E receberá armas, muitas armas, para substituir as armas, muitas armas que estão a ser enviadas para a Ucrânia, destinadas a ser transformadas sumariamente em sucata numa guerra que os «aliados» pretendem alimentar pelo menos até ao último dos ucranianos e dos mercenários de extrema direita de todo o mundo que se sentem na sagrada obrigação de lutar contra russos na terra que os viu nascer. A hipocrisia do Ocidente fingindo condoer-se com a sorte dos ucranianos parece muito pouco «civilizada» e ainda menos «cristã», para já não invocar em vão o santo nome da «democracia liberal» – que vai morrendo de excelente saúde. Que venham então armas da generosa e protectora América para os portugueses pagarem com dinheiro que não há para a saúde, as escolas, os salários e os reformados; não foi o venerando chefe de Estado português quem sentenciou, por sinal durante a evocação do movimento pacificador de 25 de Abril, que ser «patriota» é contribuir com mais armamento para as Forças Armadas? Parafraseando o saudoso José Mário Branco, [b]«houve aqui alguém que se enganou».



Odesespero não costuma ser bom conselheiro. E quando se desenvolve num mar de mentiras, inversão de princípios, anacronismos e patéticas manias das grandezas o mais certo é resultar em naufrágio.

A União Europeia segue por essa rota e parece não ter a bordo alguém com o necessário rasgo de lucidez para evitar a catástrofe. Que atingirá não os responsáveis pelas decisões nefastas, porque os oligarcas patrões dos mandantes políticos raramente se afogam, mas sim os povos dos 27 Estados membros e de outros cujos governos lêem pela mesma cartilha. Dias negros estão no horizonte do chamado Velho Continente e, simbolicamente, Portugal ilustrou a degradação de valores que alimenta a catástrofe ao hipotecar o aniversário da Revolução de 25 de Abril a interesses não democráticos, prejudiciais para os portugueses, autoritários e, como se não fosse suficiente, amantes da guerra, da fabricação e manutenção de conflitos como instrumento para gerir a sociedade.

Os Estados Unidos, geridos por um bando de falcões neoconservadores irresponsáveis para tentar dar cobertura ao cada vez mais perceptível estado de demência do presidente, parecem seguir o mesmo caminho da União Europeia, mas a situação tem ainda o seu quê de ilusório enquanto Washington puder recorrer aos povos da Ucrânia e de toda a Europa como carne para canhão na atormentada defesa do império e do caminho para o totalitarismo globalista. A tal ordem internacional «baseada em regras» ditadas em Washington que faz gato sapato do direito internacional.

Afinal é disto que se trata, em última análise, ao assistirmos à guerra na Ucrânia: assegurar que o império sobreviva como senhor do planeta em regime unipolar perante o assédio natural, e com o tempo a seu favor, de grandes e médias potências emergentes que deixaram de estar dispostas a submeter-se a uma velha ordem imposta por aristocratas da «civilização» que há muitos séculos receberam o «sopro divino» como donos absolutos das coisas terrenas. Nada mais do que Deus no Céu e os oligarcas na Terra.

O mundo, porém, está a deixar de funcionar assim. E, através de um efeito perverso que não é mais do que fruto do desespero pelo qual o chamado Ocidente está tomado, as transformações aceleraram-se devido ao modo errático e autoflagelador como os Estados Unidos e, sobretudo, os seus satélites da NATO e da União Europeia, responderam à invasão russa da Ucrânia. As sanções estão a virar o feitiço contra o feiticeiro, isolam os que as impõem e dinamizam o alargamento de horizontes e a confirmação de novos caminhos e experiências dos que as sofrem. O povo da Rússia – e não a oligarquia que gere o país – é a verdadeira vítima das sanções mas também o são os povos europeus, arrastados para uma guerra que não é sua porque só em termos de propaganda terrorista pode considerar-se que se trava em defesa de valores democráticos e humanistas. A estes, para os fazer vingar não são necessárias guerras, muito pelo contrário.

Porém, o cenário dos sofrimentos impostos aos povos que vivem dos dois lados das barricadas não é estático; está a suscitar mudanças e não na direcção dos maníacos das sanções agarrados como causa de vida ou morte à ordem imperial unipolar.

Reforçando nas últimas semanas as tendências transformadoras, a Rússia e China – este país sem deixar a sua proverbial discrição e o respeito pelo princípio da não ingerência – incrementaram estratégias regionais e transnacionais envolvendo os países que não seguiram o diktat norte-americano de sanções à Rússia e começaram a aplicar medidas concretas com repercussões em áreas económicas, financeiras e comerciais. Estas acções reforçam os processos de integração regional e de cooperação transnacional estabelecendo relações muito mais sustentáveis e igualitárias, independentemente das políticas governamentais. O que está a passar-se, como se percebe ignorando a propaganda, nada tem a ver com a prática e a defesa da democracia.




«Não nos ligam nada»

Uma descoberta fantástica
No meio da lixeira mediática cacofónica acumulada por analistas, especialistas, comentadores, directores, professores, académicos e ofícios correlativos às vezes escapa-se uma surpresa. Não pelo conteúdo, é claro, porque esse não afronta nem pode afrontar a opinião totalitária sobre a guerra na Ucrânia, mas pela conclusão extraída, uma descoberta assombrosa que nos chegou pela pena de Azeredo – felizmente não desaparecida em Tancos – e que foi, imagine-se, ministro da Defesa.

A conclusão reflecte uma certa síndrome de Calimero, mas nem por isso deve ser desvalorizada. Queixa-se Azeredo: «Não nos ligam nada!».

O «nos» são os cerca de 40 países que impõem sanções à Rússia – os da NATO (menos a Turquia), da União Europeia (excepto a Hungria) mais o Reino Unido e seus vassalos da Oceania e ainda uns apêndices orbitando o sol imperial.

Nas suas trabalhosas e desconsoladoras diligências Azeredo descobriu que há mundo para lá da cortina de ferro de propaganda totalitária defendida pelos impiedosos guardiões da verdade instalados em cada recanto da sociedade de cá, até nas outrora pacatas tertúlias familiares ou de café. Um mundo, admira-se ele depois de ter consultado dezenas de jornais de todo o planeta, onde se concentra a esmagadora maioria da população, habitando as mais vastas áreas territoriais. Um mundo onde não há espaço para sanções à Rússia e onde até, vejam lá, os meios de comunicação reservam esconsos lugares de primeira página ou mesmo o anonimato das páginas interiores para as notícias da guerra na Ucrânia.

Um mundo – isso não o disse Azeredo – que representa cerca de 85% do planeta e que agora, para desconsolo do analista-ex-ministro, «não nos liga nada». Afinal, submetidos a um recanto de 15%, andaremos a pregar no deserto esta tão requintada obra de mentira e de indução esquizofrénica baseada no culto da guerra ou então, sordidamente, a envenenar-nos a nós próprios?

«Não nos ligam nada», queixa-se Azeredo. Certamente tais multidões agora insensíveis perante o esforço civilizatório ocidental são todas adeptas ou até compinchas de Putin, esse maléfico que ousa combater o cancro criado pela verdade oficial do lado de cá com banhos de sangue fresco jorrando de cornos de veado serrados, como nos explica o omnisciente New York Times.

«Não nos ligam nada». A nós, a fina flor da civilização, os donos da democracia, os senhores dos exércitos, os benfeitores que sempre usaram guerra para espalhar o bem, a fé e a civilização pelo mundo, os justiceiros, os proprietários naturais dos bens e das riquezas do planeta, aqueles que tanto nos incomodamos com os ucranianos da parte ocidental do país mas nunca tínhamos ouvido falar do terrorismo que martiriza os ucranianos do Centro e Leste do país. Em suma, a ingratidão sem fim.


(continua amanhã)







POR JOSÉ GOULÃO
QUINTA, 12 DE MAIO DE 2022










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Criado em: 16/5 7:50
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Espaço Cítrico
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obrigado pelo espaço e pela inspiração


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Amor em tempo de guerra, De Luís Sepúlveda
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Pelo título lembrei-me de um dos livros favoritos dos meus escritores preferidos, quase meu familiar político e genético tb e caso número um de infecção em Portugal por Covid 19, tendo morrido nas Astúrias há dois anos atrás, próximo da data em que hoje nos encontramos.

A 29 de fevereiro de 2020, foi diagnosticado com COVID-19, tornando-se o primeiro caso diagnosticado com a doença nas Astúrias. O caso foi notado de forma particular em Portugal, pois o escritor havia participado poucos dias antes no festival literário "Correntes d' Escritas", na Póvoa de Varzim, que teve lugar entre 18 e 23 de fevereiro. A 16 de abril de 2020 o escritor morreu vitima da doença



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Criado em: 4/4 13:35
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Fridda Gallo
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O Santo











Na forma de Rei Cristo e em chagas
Sou santificado dia a dia, Cada versículo
Cada palavra dita e escrita, falada
Os discípulos oram por mim- O Santo

Da imaculada ressurreição como fosse
Pé de atleta ou sinistro furúnculo
Na virilha daqueles que dão maligna
Vermelhidão nos testículos e pele verde

Podridão eczema prurido em pus,
Escamas, feridas rachas na pele
Inchada de verdete amarelo mendigo
E em prata preto satânico e indigno

Dijon em mostarda as estigmas de santos
Cristos dos ignóbeis e perversos tristes


























































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Criado em: 22/3 14:42
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faleceu Gastão Cruz
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Que o mais fundo de nós nos deixe
Pra que seja sempre e pra sempre
De todos e todos sejam tod'a gente











Criado em: 20/3 22:24
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Re: Hoje faleceu Gastão Cruz
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(pra continuar oleando as minhas "partituras" tenho de as decantar, decompor apenas num só lugar, por isso peço desculpa por as retirar , assim como outros semiacabados ou meio finalizados, com os meus abr'ossos)






Será na morte que os Homens se distinguem
Dos indistintos



















Criado em: 20/3 18:55
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Re: Contr'apagões
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O que eu penso não é um rio qualquer
Que se atravesse a nado ou que os homens
Possam usar para pousar os olhos, lavá-los,
Eu uso as fontes, as silvas vivas, as dores

Nos nós dos dedos, que vão desaguar
Nem eu sei aonde ou quando, dos atritos
Nas pedras, dos redemoinhos, dos socalcos
Nas águas, da turbulência dos ribeiros, rios

De cascalhos, no caudal deles me prendo,
I'preso eu me penso não ribeiro, mar
Imenso, desses onde se pode embarcar
Pra outro universo vivo qual me preenche

De deserção e sedimento do bom e do maus
Momentos, arrependimentos fragmentos
Doutros seres, meu pensamento apenas em
Certos lugares atravessa um rio, sempre julgando

Ser do mar a água que vem agarrada aos dedos,
O sal o limos






















Nada, fora o novo,
Sempre o mesmo,
Digo de mim pra
Mim, sem sentido.

Não é tragédia,
É a vida em que
Sentado vivo, quotidiana,
À nona dimensão

Dum outro, tendo
A consciência como
Escarro curvo, apenas crosta do
Que se sente, do que se crê

Que se vê, se conhece, se viu
Como crivo obstruído
De um lado apenas,
Presente amargo,

Simbolismo decadente,
Continuar o que não
Tem efeito nem sentido,
Pelo menos pra multidão

De vida suposta, suposta
A minha que imita sons
Incoerentes, mais prático
Seria ouvir que reconhecer

Útil o piano da boca,
O equívoco pouco casto,
Poluído, em que me equivoquei,
Sem tacto no queixo, presa fácil,

Mal definido nato em novelo de rato,
A única verdade minha é aquela
Que admito espessa por esparsa
Que a alusão me seja, aja solta

Ou presa …










Jorge Santos (Março 2022)
















https://namastibet.wordpress.com
http://namastibetpoems.blogspot.com














Quantas vezes mais casto que enganoso
O logro do entrudo que a verdade velhaca,
Quantas vezes ancoreta mais vil e gasto
Que marujo Malaio, sabujo e pé-de-asceta,

Polichinelo de modo algum seria Cavaleiro
Real da corte ou Escudeiro de Sua Alteza,
O Bobo todavia é realmente quem é, sem
Engodo, enganosa a majestade, soberano

De caráter minúsculo, sem testículos nem
Barba farta, é uma afronta chamar dádiva
Legitimidade divina, ao roubo, ao calote
À má fé "Generala" num Império de aroma

Medieval e em pés-de-palha, metal fedendo
A má consciência. Parsifal é o herói da gesta
E Atenas caiu outrora em ruínas, rest'o teatro
Das aparências, o uniforme plissado, o palco ...

O que finge a razão que não há em tudo










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Teu mar, do meu nem sei, iguais a mim
Jogo palavras, no fundo
Dou do mar a meia dor, sou e nasci
Da solidão q'vem bem mansa

De dentro dele, no cais da
Rede de há-de-mar-sem-rumo
De-haver mar, vou ou fujo
Se mar não houver, não vou,

Sou eu quem do mar
Me visto, cego eu afogo e afundo
Palavras nele, o fingido voo
Me devolve do mar a fuga

Ou a paixão por um só mar outro, em volta
Mar eu sou, blindado peixe monstro
Do mais profundo e negro/gordo
Que o Iaque pavão/gato

E desse outro modo eu não,
Esse mar eu não sou e na falta
Me sabe mal o mundo,
Mal de ter gaivotas algas negras, gosto

Na língua de berrar aos Deuses, cimento
E areia é quanto pesam as ameias,
O que do mar é mar caiado, Eneias
É parente meu, falta morar no que penso,

Amar em volta e eu mar cavado, infame a
Porca de mar lavado, expresso em hebraico
Meu berço embalado
Embala-o as ondas largas,

Meu medo a ser levado em falta,
Hoje amanhã cedo, trovão
Quando do mar, grego o fogo,
O cenário da guerra, óleo sujo,

Vermelho azul "inhaque", cimento
Ou o branco escorço da proa
Lança "bivoac", ou o chapéu canário
De palha aceso e eu ingrato, inchado

Descanso no mar que aqueceu,
Inflamado mar Egeu, amargo de
Cianeto, castrado o Santo, o Sapo
E o Infante prisioneiro da balsa serva,

A jangada de Pedra e um sórdido hebreu
À deriva, num mar que entretanto de mim
Se s'queceu …




Joel Matos (23 Junho 2022)









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Criado em: 16/3 16:42
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É possível ler na paisagem urbana
Aquilo que é difícil, impossível ver
No meu rosto, o esgar sem esforço
Que nem todos entendem, provo a

Loucura a trepar por igrejas frias, nuas
Pra ver o tísico universo, paciente
Responder a um cego mudo brando,
Eu sou o resultado de algo que nego,

Consequente à minha própria
Inconsequência mecânica,
Por conseguinte exponho na pele
E exponencio na consciência sobretudo

O privilégio régio, magnânimo
Como se fosse vício, delinquência
Galga, quiçá consciente a noção do crime
De pungente mea-culpa,

O aborto métrico, sintético,
O desacato mental genérico,
O pensar mais baixo, mais rude, mais duro,
Resinoso, oscilante e menos pragmático,

Eu sou o mau exemplo, o mau futuro
De tudo aquilo que julgam acerca,
A insanidade mental perfeita,
Com mais defeitos que qualidades,

O pé de atleta, o carbúnculo,
O obstetra cego, o nado morto,
O gago, enfim o geneticamente cru e cruel,
O amargo na boca, o torto rabo da porca …





Almada e eu, o próprio


















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Espírito de andante






Aconteceu em Cuba e o que sucede em Cuba por lá "se queda", sem remorso, culpa ou ideologia reformulada, desenrola-se não muito depois do rescaldo da crise dos mísseis da mesma ilha e em resposta à instalação de armas nucleares na Turquia, Inglaterra e Itália em Abril/Maio de 61, foi no início duma jornada Juvenil da Internacional Socialista, ainda me encontrava hospedado em Habana, no núcleo das "Comissiones Obreras", daí partiria para a segunda maior cidade de Cuba, Santiago, na qual representei o Movimento de Esquerda Juvenil, pimpolho de lenço vermelho ao pescoço como mais dois camaradas "de armas" da recém criada Juventude Comunista, nessa altura acompanhava-nos como não podia deixar de ser, devido à nossa pouca idade e experiência revolucionária, um saudoso "Pai" Cunhal, bem mais velho ou antes "avô" político e o falecido muito recentemente, com 101 anos de prestável juventude, Jaime Serra, em nome da comissão política do comité central e posterior Co/fundador do MDP/CDE, movimento precursor do futuro Bloco de Esquerda, com o José Manuel Tengarrinha, nesse tempo ainda membro do Partido Comunista Português, assim como posteriormente o compositor António Vitorino de Almeida, mais tarde ele candidato à Presidência da Republica Portuguesa. Podia sentir que vinha uma tempestade a caminho, o céu estava fumado a negro cor de chumbo, as aves procuravam abrigo nos velhos beirais, o cheiro inconfundível a ozono estava por todo o lado, na pele e mesmo no quarto sujo desarrumado, antiquado e com vista privilegiada para um Mar das Caraíbas cor de Cobalto enegrecido e negro, com gaivotas gritando no parapeito na tentativa de entrarem pelo quarto adentro sem demora e de qualquer jeito, lembrei uma pensão que havia na vila alentejana onde nasci, Grândola - Vila Morena, embora longe do mar ouvia-se nos búzios, encostando ao ouvido o ar que do mar trazia o ruído das ondas, era a "Pensão Fim do Mundo", mais tarde num segundo ou terceiro encontro furtuito e mais demorado, haveria de contar ao Luís esta sensação de fim do mundo que senti em Havana e que caberia "que nem uma luva" para descrever a solidão da Patagónia Austral Chilena.
Luís Sepúlveda não fazia parte deste encontro de ideologia Marxista, já nessa época era dissidente dos ideais Comunistas, ombreei por acaso com o escritor num lobregue boteco em Habana, na mesma praça onde Trotsky, no exílio teria passeado com os seus podengos no entender de uns quantos, ou galgos segundo alguns outros, cortei-lhe o passo pouco antes do autocarro que se haveria de atrasar um pouco na partida para a outra urbe onde se realizaria o Congresso, olhou-me demoradamente por alguns segundos como se quisesse revelar algum segredo guardado no interior dos fundos olhos cinzentos/verdes, destacava-se pelo porte imponente, de certa forma autoritário mas manso, dir-se-ia de um Escobar magnífico e pacifista, penso que por esse tempo ainda era amigo pessoal de Fidel Castro embora fosse considerado "persona non grata" da "Nomenklatura" Bolchevique ainda vigente e vicejante na URSS, já o conhecia, de capa e conteúdo, pelas "crónicas de Pedro Nadie", um dos primeiros livros deste apaixonante autor, notável pela simplicidade pungente, realista que imprimia nos contos que escrevia, limite-me a cumprimentar com um leve aceno de cabeça a que ele respondeu educadamente na mesma maneira, quando me sentei, no lugar da mesa corrida que esta ocupara antes, reparei que tinha esquecido um manuscrito, O fim da historia, "El Fin De la Historia"como vi pela capa, tentei devolvê-lo numa rápida corrida porta fora do bar, mas sem sucesso, havia desaparecido do alcance e da minha visão. Mais tarde, no regresso, devorei aquele manuscrito antes de o devolver ao editor e o que para mim seria a obra prima do escritor, o Patagónia Express, adquiri-o ali mesmo, no "hall" de entrada do hotel (foi a minha passagem, o meu bilhete privilegiado de peregrino Andino e em primeira classe para uma aventura austral sobre duas rodas, uma quimera qual viria a encenar algumas décadas mais tarde e que terminou menos mal em Ushuaia, desde Santiago Do Chile pela jamais inacabada Via Austral Andina) lembro-me tão bem como fosse ontem, li-o de uma assentada, em Castelhano, sem bocejar, no cair da noite, o livro era curto, cabia na mão meia aberta, enquanto repousava no outro braço a cabeça, ao varandim das antigas e mutiladas Cortes de Espanha em Quito, transformadas séculos depois em hotel decadente e em que ele descrevia, sentado naquele mesmo balcão sujo e branco, com esmero caracteristico de bom observador a Plaza Grande ou "Plaza de La Independência" de Quito, tão real que quase me entrava pelo olhos dentro enquanto assistia aos grupos de musica tradicional e carteiristas "surripiando" imodestamente e à pouca luz, pobres e incautos "campezinos" que se aglomeravam ingénuos perante músicos quiçá cumplices de faina. Encontrei-o posteriormente por sorte, penso que por volta da primavera de 1988 ou 89 numa aldeia remota, parada no tempo, nas chamadas terras Altas Andinas, em Unt Pastaza ou em Nankauk, não lembro muito bem qual delas, porventura ainda hoje habitadas pelos indómitos guerreiros Shuaras ou Achuaras, Jívaros como habitualmente chamados e famosos pela tradição ritual de encolhimento de cabeças como troféu de guerra e enquanto este autor escrevia outro inequivocamente belo romance, Do Velho que lia Romances de Amor, ficcionado na floresta húmida e de conteúdo magistral de muito bem descrito, talvez nem tanto como Gabriel Garcia Marques a pintalga de místicos e significantes sombreados nos Cem anos de Solidão mas com mérito também de mestria e de quem comunga um espaço e uma região inspiradora e inigualável como esta, um bem comum da humanidade em tons verdes e em sons benignos.
Bebíamos todas as monótonas tardes como num ritual mágico inspirador, a formosa "Caxiri" e a "Ayahuasca" pura, vinho da alma ou "cipó de morto", bebidas que permitem o acesso ao mundo sobrenatural dos mortos, durante o qual nos transformávamos em "entidades sobrenaturais", presentes na cosmologia indígena. O povo da aldeia chamava-nos de Apaches ou estrangeiros, há coisas que não se esquecem, a personalidade galante e magnética com o contraste agreste e agressivo da vocação Sandinista deste, que me confidenciou depois de algumas semanas de contacto diário nos dois meses e meio que fielmente convivemos em "Pastanza" com este povo admirável e heroico, também ele eleito de luís Sepúlveda foram uma mais valia para a minha simples existência e sem dúvida na minha produtividade como "arremedador" de outros escritores porventura mais prestáveis e eles sim verídicos pensadores, penso apenas que fui ao de leve agraciado, acarinhado de longe pelos deuses nesta minha demanda terrestre e prosaica por antigas atitudes espiritas tentando decifrar o que faço aqui e a razão simétrica que leva a desconhecer-me quanto mais aumenta em mim e por outro lado "um outro eu" de conhecimento menos empírico e que vem de dentro de mim mesmo e no meu antigo espirito de andante sem destino.
Claro que o que conto não é ficção gratuita, embora garantidamente não seja tudo - "bem-de-verdade" - e nem apenas Hoffmann e Jules Verne foram únicos a contar historias sensacionais, pitorescas fantásticas, muito pra'lém das mil e uma cenas da persa Xerazade, uma tempestade com Percas do Nilo só lembraria à Agatha Christie tendo um conto de Hoffman dado Origem ao Quebra nozes do Russo Tchaikovski , nada mais nada menos que um Camundongo cinzento cossaco e negro, um horrível ratinho feio dependendo da perspectiva e do autor, se era no Verão ou de Inverno e o Czar usava sobretudo ou casaco, mas um autor, um contista nunca pode dissociar da ficção a típica realidade dos locais por onde passa ou passou, a verdade é acima de tudo uma utopia que mentimos a nós próprios todas as noites e todos os dias nas nossas antípodas vidas, os sonhos são bem mais antigos e arcaicos que o testemunho que lhes prestamos, meros rudes contadores de histórias, simples água sem fonte ou artificio que subjugue à continuação do sonho na noite seguinte e seguintes, a nora não pode ser uma ilusão ela tem de girar e chiar como a original para que seja um pouco mais real a ficção e fique perto da origem do sonhado para que o sonhador seja um facto ficcionado, ele próprio parte dum sonho íntimo, privado e original. A LSD é em parte cerebral e outro cunho, o de um cereal granuloso, é um fungo importante para a nossa sobrevivência, convive connosco há milhares de anos, domesticámos a cevada e a glicerina, o Cocktail Molotov foi inventado com etanol, a gasolina e alcatrão, à heroína chamou-se de liberdade, aos tumultos de Paris "barricada", a "estrada dos ossos" è mais longa do que parece vista do céu e totalmente meu o amor pelo chão que piso, o que penso do paraíso é muito pródigo de licitações ventriculares mas só a mim próprio diz respeito, não é um postulado, a rainha não terá de usar véu no cabelo ou um penteado perfeito nem chamar-se de Cleópatra, falar p'los cotovelos, três dedos de testa, "ao menos" dois membros trôpegos do mesmo lado, tropeçando no mesmo genérico e genético "calhau" de tempo em tempo, em nome de todo "o nada" e em nome do nada, mudo idiota-tolo e surdo.








Joel Matos
































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Herdei campos de trigo farto
Plantei joio e peste, mato, sementes de
Castas infecundas, castradas gramíneas
Foram como repelente para lírios solenes
E altas flores silvestres,

Narrei com esforço como fosse
Escrita, frases submetidas ao rosto de quem deve
Uma explicação florida para a vida que teve
Que defina leste e oeste ou a razão dos campos
Não mais terem tons verdes e proféticos azuis

Ou serem a comparação fina e fiável
Com o que nasce da minha voz sem cor pura
Nem privilégios sortilégios ou ambição dura
Apenas penumbra inútil ofensiva herege
Daquela que cobre tudo da imortal

Silenciosa poética anémica derrota bege
Sem vida


Joel Matos



O Santo
















Na forma de Rei Cristo e em chagas
Sou santificado dia a dia, Cada versículo
Cada palavra dita e escrita, falada
Os discípulos oram por mim- O Santo

Da imaculada ressurreição como fosse
Pé de atleta ou sinistro furúnculo
Na virilha daqueles que dão maligna
Vermelhidão nos testículos e pele verde

Podridão eczema prurido em pus,
Escamas, fétidas rachas na pele fendida
Inchada de verdete amarelo mendigo
E em prata preto satânico e indigno

Dijon em mostarda as estigmas de santos
Cristos dos ignóbeis e perversos tristes















Teu mar eu sou, igual a ti
Jogo em bruto parábolas, no fundo
Dou o mar e a meia dor, sou/nasci
Da solidão q'vem bem rasa

De dentro dele, no cais da
Rede de há-de-mar-sem-rumo
De-haver mar, vou ou fujo
Se mar cão houver, não vou

Sou quem de mar
Se veste, cego eu jogo e afundo
Palavras nele, o voo
Me devolve o mar, fuga

Ou paixão ou só mar, em volta
Mar sou, blindado peixe morto
Do mais profundo e negro/gordo
Que o ianque vão/ingrato

É desse outro modo que eu não,
Eu meu mar sou e a falta
Me sabe a sal a meu o mundo,
Mal é ter gaivotas algas pretas, gosto

Na língua de orar, ciumenta a
Areia quando me peso de ideais,
O que do mar é mar caiado, Eneias
É parente seu, falta murar o que penso,

Amar em volta e eu cayac, infame a
Perca de mar lavado, expresso a Aramaico
Meu berço a sal, embalado
Embala-o as ondas vagas largas,

Meu medo a ser lavado em falso,
Hoje amanhã cedo, trovão
Quando do mar, grego o fogo,
O cenário da guerra, óleo sujo,

Vermelho azul "inhaque", cimento
Ou o branco escorço da proa
Lança "bivoac", ou o chapéu canário
De palha aceso e eu ingrato, inchado

Descanso no mar que aqueceu,
Inflamado mar Egeu, amargo de
Cianeto, castrado o Santo, o Sapo
E o Infante prisioneiro da balsa serva,

A jangada de Pedra e um sóbrio hebreu
À deriva, num mar que entretanto me
Esqueceu …









Jorge Santos (Março 2022)
















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Eis a glande



Eis a inflamada grande, da maior e mais infame raiva de sempre
As pedras de calçada podem nem ter nome, religião,
Trás ou frente mas possuem cólera tal como gente
Fome, não fingem ser cegas, são cegas, mesmo cegas

Por profissão, fé, seja o que for, dois olhos sem nascença
Nem descendência de nobre infante, eis a glande,
Pedra polmes branda, branca igual a cal da parede
Eis a grande confissão do pároco a farsa do confidente

Recluso




Joel Matos ( Janeiro 2022)










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O incêndio é uma palavra
Que permanece pelo que o
Devemos limitar às horas
E ao fora delas como coisas
Que se rejeitam, e a respeito

De labaredas, estas não me
Dizem nada crepitam apenas,
Os outros sentidos tão carnais
Quanto basta no que me toca,
Incêndio uma palavra banal

Quando morta de grandeza
E de facto palha, faísca acesa
Incenso









Jorge Santos (Janeiro 2022)















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[d]



Será na morte que os Homens se distinguem
Dos indistintos e de todas as vidas de coisas
Pagas, indivisas quanto o espaço é apenas
Ígneo ou aço, d'resto é corpo ao rés do vidro

Baço, essa sim a perfeita realidade e o "para
Sempre" quando incendiado, será obra d'arte
Alusiva aos que nunca foram ou serão apenas
Corpos retirados da Terra, imortais etéreos

E extensos são os que se distinguem dos dedos
Nas impressões doutros todos, no esgar do s'tranho
Rosto revestid'a loucura e a desassossego, comum
Restolho é fogo posto, assim girassóis no verão,

Será na morte que se distinguem os Homens
Que despertaram a si próprios na obesa forma de
Ferozes criaturas, perigosas Anacondas do mato,
Tubarões do mar gato, Furões Centopeias Descalças

Por castidade volumétrica ou paridade geométrica
Nos ângulos catetos


[/
d]




















Será na morte que os Homens se distinguem
Dos indistintos e de todas as vidas de coisas
Pagas, indivisas quanto o espaço é apenas
Ígneo ou aço, d'resto é corpo ao rés do vidro

Baço, essa sim a perfeita realidade e o "para
Sempre" quando incendiado, será obra d'arte
Alusiva aos que nunca foram ou serão apenas
Corpos retidos na Terra, imortais etéreos

E extensos são os que se distinguem nos dedos
Das impressões e nos cotos, no esgar do s'tranho
Rosto revestid'a loucura e a desassossego, comum
Restolho é fogo posto, assim girassóis no verão,

Será na morte que se distinguem os Homens
Que despertam per'si próprios na obesa forma de
Ferozes criaturas, perigosas Anacondas do mato,
Tubarões do mar alto, Furões Centopeias Descalças

Por castidade volumétrica ou paridade geométrica
Nos ângulos catetos, o esboço que define a valia do
Posteriormente sobre a do fundo dum antigo fosso
Quantas vezes mais casto que enganoso o lodo

Ou o logro do entrudo que a verdade velhaca,
Quantas vezes ancoreta mais vil e gasto decomposto
Que marujo Malaio, sabujo e pé sujo-de-asceta,
Polichinelo de modo algum seria Arauto, Cavaleiro

Real da corte ou Escudeiro de Sua visigótica Alteza,
O Bobo todavia é realmente quem é, sem engodo,
Enganosa a majestade, soberanode caráter minúsculo,
Sem testículos nem barba farta, é uma afronta chamar

Dádiva Legitimidade divina, ao roubo, ao calote
À má fé "Generala" num Império de aroma Medievo
E pés-de-galinha, metal fedendo a má consciência.
Parsifal é o herói da gesta e Atenas caiu anteontem

Em ruínas, rest'o teatro dos parêntesis, o uniforme de Wagner
Plissado, o palco, o que finge a razão que não há em tudo,
Até no restolho ardido e pisado, o chão.






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Que o mais fundo de nós nos deixe
Pra que seja sempre e pra sempre
De todos e todos os outros e o
Quanto era antes será depois e …

Depois dos tempos como um
Feixe de lenha nas costas de
Um Javanês ou a sombra dos
Bois na sementeira, sempre e …

Pra sempre como era dantes
No antigamente dos templos
Que o mais fundo de nós nos deixe
Pra que seja sempre e pra sempre

De todos e todos sejam tod'a gente









Sei dO que me leva
Não ao que me trouxe,
Nem ao que me demora,
Quer eu queira ou não estar,

Todo de resto é espera,
E a noção de que fui
Eu quem me levou
A passar do que sou,

Pra outro, o que se estranha,
Ou estarei errado s’tando
Pois me conheço não sendo eu,
E se me iludo assim mesmo

É porque que me elevo
Ao enigma que aqui
Me traz, não sendo
Eu quem me lidera por completo,

Levo-me aos que me levam
Não me lembra o nome, o deus
Ou o que me trouxe ao certo
Desperto, dormindo

Nego chamar-lhes seja
O que for sendo eu quem
Se acha preso, atado
Ao simbolismo, ao desígnio

Pra que me possa encontrar,
Consiga dizer ao menos
E até onde me é suposto sendo o que sou,
Duvidar de mim próprio, eu mesmo

Daquilo que penso ser eu, igual
Em aroma a um logro, um lago
De engano, mentira o amor divino
Que me é dado dum lado goro,

Contingente é a perpétua
Escrita, ancorada nas paredes da casa,
Sei do que me leva a isso
Um suave agouro, um mau agrado,

Tudo o resto é dor, a cada respiração
Uma entrega e o espírito de causa
Da renúncia e a descrição humana
Variável de rosto pra rosto,

Sendo o que eu somos















Criado em: 16/3 12:59
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Jorge Santos/Joel Matos
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Re: Obrigado ou O humanismo ocidental "gritante"
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Mensagens: 1507
O humanismo ocidental é "gritante"












Acerca do acidental "humanismo"

(está tudo aí)


O humanismo genérico serve para qualquer um em qualquer parte do mundo - o humanismo ocidental é especial, o humanismo ocidental é único, o humanismo ocidental é original, o humanismo ocidental exige mais de mim...
O humanismo ocidental é seletivo: ignorou os 12 mil haitianos enviados pelos Estados Unidos para a prisão de Guantánamo e a invasão do país em 1994; ignorou a instigação e a participação da NATO nas guerras da Jugoslávia e os seus 150 mil mortos; ignorou as duas Guerras do Golfo, a mentira que desculpou uma delas e os 100 mil mortos diretos que os combates provocaram; ignorou mais 100 mil mortos que o Iraque "protegido" pela coligação internacional lá instalada provocou; ignorou a presença norte-americana durante 20 anos no Afeganistão e os 65 mil mortes que ali ocorreram; ignorou os envolvimentos, desde 2001, diretos ou indiretos, de forças ocidentais na Síria (estimam-se 400 mil mortes); ignora o que se passa na Somália e no Iémen; ignora a ocupação da Palestina por Israel e, nos últimos anos, os 21 500 mortos desse conflito.
O humanismo ocidental tem coração mole para um lado e coração de pedra para o outro. As guerras espalhadas pelo mundo com envolvimento do Ocidente somam, em 30 anos, quase um milhão de mortos, a grande maioria civis, mas o bom cidadão ocidental não chora por eles.
O humanismo ocidental é dúbio. Condena vigorosamente a prisão do opositor de Putin, Alexei Navalny, mas deixa apodrecer na cadeia o denunciador das brutalidades das tropas americanas e da NATO, Julian Assange.
O humanismo ocidental é criterioso. Manifesta-se quando críticos de Putin são envenenados no estrangeiro mas arquiva no esquecimento o cientista inglês David Kelly que, misteriosamente, suicidou-se dois dias depois de depor no parlamento sobre a falsificação de provas da existência de armas de destruição maciça no Iraque. E o jornalista que deu essa notícia em primeira mão foi despedido.
O humanismo ocidental é esclarecido. Classifica a imprensa estatal russa de instrumento de propaganda "tóxica" mas glorifica o World Service da BBC, pago pelo Ministério dos Estrangeiros britânico e onde muitos jornalistas portugueses que lá trabalharam foram obrigados, durante décadas, a pedir autorização superior para fazer qualquer tipo de entrevista... e essa autorização só vinha depois de lida a lista de perguntinhas a fazer!
O humanismo ocidental é dinâmico. Indigna-se aos gritos com a censura de Putin ao jornalismo independente, mas refila baixinho quando proíbem a Russia Today de emitir no Ocidente ou quando os potentados das redes sociais, que ninguém controla, filtram o que o povo pode ou não pode dizer.
O humanismo ocidental enerva-se com a brutalidade policial contra manifestações políticas em países longínquos e contra as prisões indiscriminadas de gente comum, mas cala-se, conformado, quando isso é feito nos seus países contra os que recusam vacinar-se, contra os que exigem direitos para os negros, contra os sindicalistas, contra os imigrantes pobres e de pele escura. O humanismo ocidental já nem se lembra de George Floyd.
O humanismo ocidental é espertalhão. Explica todas as intervenções militares do Ocidente no resto do mundo com a necessidade de defender a democracia, o contexto histórico e sociológico das regiões, as tensões estruturais das economias locais, as rivalidades das religiões, as divisões tribais, as fronteiras mal definidas, a selvajaria dos ditadores locais. Mas para comentar a guerra ucraniana só aceita começar a análise por um facto: Putin invadiu no dia 24 de fevereiro o país de Zelensky. Falar do que está para trás, dos 13 mil mortos do Donbass, do crescimento da NATO para leste, por exemplo, é trair a Ucrânia, é trair o Ocidente, é trair a humanidade - e se o fazes, és mesmo má pessoa!
O humanismo ocidental é ingrato. Garante que a Rússia não é do Ocidente, exige que ignoremos 2 mil anos de cristandade partilhada, as leituras de Dostoiévski, Tolstoi, Tchekhov, Gorki; as músicas de Tchaikovsky, Stravinsky, Shostakovich, Prokofiev; os filmes de Eisenstein, Tarkovsky; os pensamentos de Bakunine, Lenine ou Trotsky. O humanismo ocidental acredita que nada deve do que é à Rússia.
Eu adoro os valores teóricos do humanismo ocidental, são um exemplo para o mundo, a sério, mas não aguento a constante prática violenta do humanismo ocidental, uma vergonha neste mundo, a sério.

Jornalista Abdul Cadre


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Criado em: 16/3 11:48
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