,que jaza o poema

Data 23/10/2012 06:02:13 | Tópico: Poemas







“Je est un autre”
( Arthur Rimbaud)



Que a pétala escureça ainda mais a noite,
a afunde,
que pesadelos mais infames, rebentem,

(I)

e dos desejos, medos,
que terminem com a poesia,
a insepulta, num promontório longe.

(II)

Quantas vezes são as vezes que escrevo
contra aquilo de que me lembro,
e das vezes que o amor e a morte intervêm,
o tempo também,

sei que alguém me pensou, nenhures.

Se Orfeu para trás olhar, perdendo-se,
ou o eu que um outro seja,
falando, escutando,
em palavras que se imolam sem piedades,

(III)

topázios amarelos reproduzem-se,
nas entranhas da terra,
jaz o poema, amarrotado,
putrefacto.








Textos de Francisco Duarte



Este texto vem de Luso-Poemas
https://www.luso-poemas.net

Pode visualizá-lo seguindo este link:
https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=233903