
ESCRIVANINHA
Data 25/07/2014 23:47:27 | Tópico: Poemas
| Velha escrivaninha, minha companheira Sobre ti ainda a Olivetti agora decrépita, Mas houve um tempo que foi sorrateira, Deixava o caractere partir à vida eclética
Meus dedos sentenciavam seus destinos Cada tecla golpeada, liberava em nuance As divagações rimadas, versos desatinos Sem preconceito, formatando o romance
No escaninho, resma de folhas à espreita Aguardando vez, para eternizar os líricos Poéticos, escritos em harmonia perfeita Fraseava os meus pensamentos oníricos
Quantas noites debruçado em seu tampo Buscava no vazio, a maneira de explanar O que transitava em oculto no hipocampo Expondo o meu coloquio triste a sopesar
Hoje reconheço que com muita paciência A cada dia esperou da minha imaginação O florescimento literário, toda sua ciência Quiça absorvi um mol dentro do coração!
Esta obra é um tributo à minha "velha companheira" de madeira e metal. Houve um tempo em que o som seco das teclas da Olivetti era a única trilha sonora para as minhas divagações. Debruçar-se sobre o tampo de uma escrivaninha é, na verdade, debruçar-se sobre o próprio vazio em busca de palavras que explanam o oculto. Com estes versos, busco eternizar a gratidão por esse espaço sagrado onde o pensamento onírico encontrou papel e o meu coração encontrou voz. É a ciência da paciência transformada em literatura.
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