Poemas : 

ESCRIVANINHA

 
 
 
Velha escrivaninha, minha companheira
Sobre ti ainda a Olivetti agora decrépita,
Mas houve um tempo que foi sorrateira,
Deixava o caractere partir à vida eclética

Meus dedos sentenciavam seus destinos
Cada tecla golpeada, liberava em nuance
As divagações rimadas, versos desatinos
Sem preconceito, formatando o romance

No escaninho, resma de folhas à espreita
Aguardando vez, para eternizar os líricos
Poéticos, escritos em harmonia perfeita
Fraseava os meus pensamentos oníricos

Quantas noites debruçado em seu tampo
Buscava no vazio, a maneira de explanar
O que transitava em oculto no hipocampo
Expondo o meu coloquio triste a sopesar

Hoje reconheço que com muita paciência
A cada dia esperou da minha imaginação
O florescimento literário, toda sua ciência
Quiça absorvi um mol dentro do coração!


Geremias
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Esta obra é um tributo à minha "velha companheira" de madeira e metal. Houve um tempo em que o som seco das teclas da Olivetti era a única trilha sonora para as minhas divagações. Debruçar-se sobre o tampo de uma escrivaninha é, na verdade, debruçar-se sobre o próprio vazio em busca de palavras que explanam o oculto. Com estes versos, busco eternizar a gratidão por esse espaço sagrado onde o pensamento onírico encontrou papel e o meu coração encontrou voz. É a ciência da paciência transformada em literatura.
 
Autor
BOMSUCESSO
 
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