++++++++++++
esta dor me vem de almas fitando-me ao longe
esta dor de um fruto vistoso e saudável por fora mas oco e podre por dentro carrega uma semente
esta dor pulsa em frêmitos gemidos jamais será poesia mas sim apenas garranchos indecifráveis de ulos a perderem-se no tempo
esta dor um rio sem margens sem águas contínuas de repente arrebenta as comportas
flui por espaços intermináveis carrega a semente ao terreno fértil dá lugar aos versos apaga as sombras dos espíritos
esta dor que me vem fere o depósito de cicatrizes mentais intercede a um novo ânimo a um novo ingresso para a vida ... esta dor tal pêndulo brinca com o inconformismo tece espaços abissais ... esta dor me vem... desvenda ao terceiro olho ranhuras profundas a atravessar pra me fazer chegar ao riso improvável
***
|