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esta dor me vem
de almas fitando-me ao longe
esta dor
de um fruto vistoso e saudável por fora
mas oco e podre por dentro
carrega uma semente
esta dor
pulsa
em frêmitos gemidos
jamais será poesia
mas sim apenas garranchos
indecifráveis de ulos
a perderem-se no tempo
esta dor
um rio sem margens
sem águas contínuas
de repente
arrebenta as comportas
flui por espaços intermináveis
carrega a semente
ao terreno fértil
dá lugar aos versos
apaga as sombras dos espíritos
esta dor que me vem
fere
o depósito de cicatrizes mentais
intercede a um novo ânimo
a um novo ingresso para a vida
...
esta dor tal pêndulo
brinca com o inconformismo
tece espaços abissais
...
esta dor me vem...
desvenda ao terceiro olho
ranhuras profundas a atravessar
pra me fazer chegar ao riso improvável
***