
Novos velhos
Data 27/06/2024 12:11:54 | Tópico: Poemas
| O moço da barca feudalista lista o que quer, Despista o que é e descarta o que não quer. Ouço a mão do moço, no som do sistema, Dos novos suseranos, velhos fulanos, eternos esquemas Para sugar a massa e deixar a carcaça fora do desenho. Suserano, senhor feudal, senhor de engenho... Nomes que não mais comem. Mas a fome que eles representam Apresenta agora outras nomenclaturas, Com a voracidade das velhas criaturas, Que ganha asas por meio de novos instrumentos Pra fazer sofrer e aceitar os sofrimentos.
As correntes que prendem os escravos de hoje São invisíveis. Os escravos nem sabem que são escravos. O acorrentado se sente preso, Mas não sabe a quê. Pode pensar que seja ao que não tem, Ou a todo mundo ou a ninguém. O acorrentado se sente preso. A prisão é invisível, Mas se sente o peso. A dor é sentida. As correntes são invisíveis. Traficantes de escravos, Senhores de engenho, feudais, suseranos atuais, São todos invisíveis. Mas a dor é sentida.
O açoite e o chicote também são invisíveis. Mas a dor é sentida! O ferro, em brasa, rompendo a pele Para identificar o proprietário É invisível. Mas a dor é sentida! O chiado e a fumaça do ferro Que identifica o proprietário São invisíveis. Mas a dor é sentida! A dor é sentida, a dor é sentida...
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