Poemas : 

Novos velhos

 
Tags:  poesia    social  
 
O moço da barca feudalista lista o que quer,
Despista o que é e descarta o que não quer.
Ouço a mão do moço, no som do sistema,
Dos novos suseranos, velhos fulanos, eternos esquemas
Para sugar a massa e deixar a carcaça fora do desenho.
Suserano, senhor feudal, senhor de engenho...
Nomes que não mais comem.
Mas a fome que eles representam
Apresenta agora outras nomenclaturas,
Com a voracidade das velhas criaturas,
Que ganha asas por meio de novos instrumentos
Pra fazer sofrer e aceitar os sofrimentos.

As correntes que prendem os escravos de hoje
São invisíveis.
Os escravos nem sabem que são escravos.
O acorrentado se sente preso,
Mas não sabe a quê.
Pode pensar que seja ao que não tem,
Ou a todo mundo ou a ninguém.
O acorrentado se sente preso.
A prisão é invisível,
Mas se sente o peso.
A dor é sentida.
As correntes são invisíveis.
Traficantes de escravos,
Senhores de engenho, feudais, suseranos atuais,
São todos invisíveis.
Mas a dor é sentida.

O açoite e o chicote também são invisíveis.
Mas a dor é sentida!
O ferro, em brasa, rompendo a pele
Para identificar o proprietário
É invisível.
Mas a dor é sentida!
O chiado e a fumaça do ferro
Que identifica o proprietário
São invisíveis.
Mas a dor é sentida!
A dor é sentida, a dor é sentida...

 
Autor
magnoerreiraal
 
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