Mata verde

Data 31/05/2025 15:03:44 | Tópico: Poemas

Na festa de Mata Verde,
Atores e personagens se confundem.
Saci-pererê, mula sem cabeça,
Bicho-papão, lobo mau…
Vão bem de verdade.
Eles falam o que querem
E falam sério.
Brincadeira é querer amadurecer
Na festa de Mata Verde.
Querer diferenciar o ator do personagem
É bobagem,
É sarna pra se coçar,
É nadar contra a corrente,
É demais.
Ultrapassa os limites da brincadeira,
Que de brincadeira não tem nada.

Na festa de Mata Verde,
Há vantagem em brincar de criança.
Só meia dúzia de crianças se dão bem.
Mas o que importa na Mata é viver verde.
As chaves que abrem as portas e as porteiras
Não se movem de brincadeira,
Movem-se para fazer a festa
De quem nela não está.
Na Mata, matérias verdes
Apodrecem sem jamais amadurecer.
A festa de Mata Verde é isso,
Não é pra brincar em serviço,
Botam as crianças pra dançar,
Tiram os pés do chão e a cabeça do lugar.
Nessa festa quem quiser enxergar,
Ouvir, ou sentir com os próprios sentidos
Vai dar de cara com um vespeiro enlouquecido.



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