
Canção do Extermínio
Data 22/12/2025 17:13:35 | Tópico: Poemas
| Minha terra tem mangueiras donde canta o bem-te-vi. O pardal que aqui gorjeia veio de longe daqui.
Minha terra brasileira tem romãs, maçãs, caquis; mas até a laranjeira veio de longe daqui.
Até mesmo os coqueirais pelas praias impolutas, que, com juçara disputa, vieram de outros quintais.
Quem carrega tantas mágoas? É nativo ou do porvir, vindo lá daquelas águas? Creio que não são daqui.
O que trazem em suas malas? Negros homens a luzir, junto aos outros, de outras castas, naves que surgem dali.
Eu me assombro até os cabelos, se arrepia tudo em mim; e o meu corpo – tão vermelho! – já aguarda o nosso fim.
O que trazem? Deuses negros ou diabos que não vi? Serão sonhos, pesadelos estes seres vindo ali?
Então vejo homens claros, vestes longas, coloridas, dando foices e machados pelas árvores de tinta.
E a terra, muda, assiste certos nomes que lhes dão; uma cruz com um homem triste morto em crucificação.
Não queremos mais espelhos! Não queremos rum nem gim! Nós sentimos tantos medos! Pressentimos nosso... fim!
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