ALDEIA INTERIOR (soneto)

Data 26/12/2025 11:47:20 | Tópico: Poemas

Sumiu a cigarra, o galo da madrugada,
cadê a carroça com seu gemido surdo?
Do bairro antigo restou só baú do absurdo,
numa foto velha, rasgada e desbotada.

Enquanto a avó borda a toalha colorida,
no quintal as cores vivas criavam asas.
Costura de fio invisível, que une casas,
na tela da saudade a tarde prometida.

Quando o rio de lembranças segue ao lado,
alaga a rua, a praça, a fonte que secou.
Neste rio nadavam peixes da ilusão.

Herdo sonhos e desilusões do passado,
sinto cheiro, o sabor da sopa que ficou
na ausente sombra do caído casarão.


Este texto vem de Luso-Poemas
https://www.luso-poemas.net

Pode visualizá-lo seguindo este link:
https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=382011