
Sem um Único Orgasmo
Data 04/01/2026 13:22:13 | Tópico: Poemas -> Amor
|  Sem um Único Orgasmo
A vida passa na velocidade do vento, quando menos eu olho, menos eu espero. Contorno tudo quase sem olhar — talvez um dia a tristeza me espante, talvez seja tarde para voltar.
Os dias são ocos e sem vida, um trem sem passageiros, sem volta, sem ida; uma alma crua, sem feridas, que vai por aí sem nada a importar, como se nada houvesse a avaliar.
Escrevo poesias como uma saída, saída de um “H” miserável, para viver vidas que nunca serão vividas, para poder morrer mil vezes, sem uma única partida.
Perco-me — e também a cadência do meu andar; balanço como folhas ao vento. É o mesmo vento que corta ondas, que me faz tremular.
A morte segue inane e sem rota, e eu vou com ela, pois ante a um último espasmo, uma faca que penetra e corta.
Sou o último grito, sem um único orgasmo.
Alexandre Montalvan
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