
Sem um Único Orgasmo
A vida passa na velocidade do vento,
quando menos eu olho, menos eu espero.
Contorno tudo quase sem olhar —
talvez um dia a tristeza me espante,
talvez seja tarde para voltar.
Os dias são ocos e sem vida,
um trem sem passageiros, sem volta, sem ida;
uma alma crua, sem feridas,
que vai por aí sem nada a importar,
como se nada houvesse a avaliar.
Escrevo poesias como uma saída,
saída de um “H” miserável,
para viver vidas que nunca serão vividas,
para poder morrer mil vezes,
sem uma única partida.
Perco-me — e também a cadência do meu andar;
balanço como folhas ao vento.
É o mesmo vento que corta ondas,
que me faz tremular.
A morte segue inane e sem rota,
e eu vou com ela,
pois ante a um último espasmo,
uma faca que penetra e corta.
Sou o último grito,
sem um único orgasmo.
Alexandre Montalvan
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