
Poemas Simples
Data 06/01/2026 00:23:35 | Tópico: Poemas
| PÁSSARO
Pousou perto de mim Ficou algum tempo Levantou voo e desapareceu
Relembro o olhar límpido O contraste de cores da plumagem E o canto inebriante,
Haverá algo mais livre do que um pássaro?
SEM-ABRIGO
Sentado no banco Tem o olhar fixo no chão Uma garrafa tombada por perto Desta lenta agonia Sobressai o silêncio
Homem alto e magro De rosto macilento e olhos sem expressão A barba comprida e escura Um gorro a cobrir a cabeça As roupas imundas
Os transeuntes desviam o olhar, E passam indiferentes.
O ÚLTIMO BEIJO
As lágrimas caíam incessantes Caminhámos lado a lado E chegámos ao destino
Ao dar-te o último beijo Senti os lábios secos E um aperto no coração
Sem proferir qualquer palavra Disse-te que não mais sofrerias
E tudo terminou, Perdi o meu melhor amigo.
A RUA
Vagueiam pelas ruas Como almas errantes A cara sebosa e os cabelos desgrenhados
Condenados ao vazio e maldade Por uma sociedade de castas Resistem fortes e orgulhosos
Fumam pontas de cigarro e bebem álcool Para suportar mais um dia Cada caso é um caso
Arquitectos, poetas, fadistas e xadrezistas São apenas alguns dos habitantes Da maldita rua.
MAX
Na penumbra da noite chegámos à vedação A amiga Maria chamou por ti Aproximaste-te abanando a cauda
És um bonito cão preto de porte grande e patas brancas O pêlo é curto e branco em redor do focinho e olhos Os olhos são castanhos e bondosos
Comeste com grande prazer E ficaste deitado a contemplar-nos Em jeito de agradecimento
Nunca conheceste a liberdade Confinado toda uma vida a um pátio Por humanos miseráveis
Com a tua idade avançada Deixas-me comovido Por tudo o que superaste, Max.
VAZIO
Eram sombras e luz Sonhos perdidos Numa qualquer manhã
Terra e pó Estrada inacabada Mão cheia de nada
Por perto a maresia Mas porque raio, Este vazio não desaparece?
MATEUS
Homem baixo e de olhar astuto Declama poesia como poucos Canta com uma alegria juvenil Bebe e fuma como se não houvesse amanhã
É um contador de histórias Um artesão de mitos Viveu toda uma vida na rua Mete-se com as transeuntes
Trata-me por irmão Tem um bom coração O malandro do Mateus.
MEMÓRIAS
O acaso juntou-nos Forjámos uma amizade Sem igual
Pela tua alma Chorei na partida
Tempo acabado, Estarás sempre comigo.
MORCEGOS
Chegam com a escuridão Voam frenéticos e rasantes
Reclamando um espaço e tempo Que sempre lhes pertenceu
Estou no meio dos morcegos, E sinto-me grandioso.
O AMO E O ESCRAVO
Colocou-me grilhetas e correntes E avisou-me
Obedece E viverás mais um dia
Submete-te ao medo Ou sofrerás
A partir de agora, A tua liberdade acabou.
PONTE
Na imensidão do jardim Vejo a sua forma em arco Por baixo o rio sereno
Penso na tua beleza Atravesso sem vivalma Escuto os sons da natureza,
E sei que te amo.
HOMEM ACABADO
Tomado pela angústia Caminho sem rumo definido O coração bate descompassado
No limite das minhas forças Quero que termine Esta existência maldita
Será justo dizer que, Cheguei ao fim?
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